A cadeia dos defensivos agrícolas e o seu impacto no agronegócio

Pesquisa inédita da Farsul aponta que haveria falta de alimentos e prejuízos econômicos sem o uso de defensivos no agronegócio

A tecnologia permitiu avanços importantes no campo, especialmente em relação ao segmento de defensivos agrícolas. Cada vez mais eficientes, os produtos são fundamentais para a agricultura e a pecuária. A Federação de Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Sul (Farsul), por meio do documento “Agronegócio Gaúcho: a importância econômica do uso de agroquímicos no RS”, que acaba de ser divulgado pela instituição, revelou a importância do uso de defensivos para a alimentação das pessoas, a geração de empregos e até mesmo para assegurar a sustentabilidade financeira de toda a cadeia de negócios envolvida.

O estudo utilizou artigos científicos e dados da safra de 2019 para simular a produção agrícola do estado sem o uso dos defensivos agrícolas. O objetivo foi desmistificar o preconceito que existe quanto a esses produtos e mostrar o impacto econômico e social caso fossem adotados somente modelos de produção sem utilizá-los.

LEIA MAIS: O uso de defensivos agrícolas é uma estratégia importante no combate à fome 

Queda no PIB e na oferta de alimentos

Os resultados do levantamento indicam que, considerando o não uso dos defensivos, haveria a diminuição de R$ 51,36 bi no PIB do Rio Grande do Sul, o equivalente a 10,69% do total. Esse percentual seria três vezes superior aos prejuízos causados pelas piores secas. Tal modo de produção traria impactos sobre a arrecadação fiscal do governo e geração de emprego e renda, já que existe uma cadeia em torno do desenvolvimento, da produção e da comercialização desse tipo de produto.

Também haveria queda na produtividade, já que as 33,6 milhões de toneladas de grãos seriam reduzidas a 23,2 milhões. Com a queda, o custo dos alimentos aumentaria. A disponibilidade menor e a demanda crescente fariam com que a lei da oferta e da procura reajustasse os preços. Como exemplo, a pesquisa apontou que, caso a produção de arroz não utilizasse defensivos agrícolas, 62,6 milhões de brasileiros ficariam sem o cereal.

“A nossa comida é também dos insetos, fungos e outras pragas. Se não as controlarmos, vamos dividir nosso alimento e ver explodir suas populações, gerando grandes desequilíbrios ambientais. Além disso, se houvesse menos arroz, milho e soja no mundo, haveria um grande impacto em termos de alimentação e riqueza. Uma produção menor de soja e milho, por exemplo, também afetaria a pecuária, como a criação de suínos, gado de leite e aves”, ressalta Antônio da Luz, economista chefe da Farsul e coordenador da pesquisa.

Antônio destaca que existe a possibilidade de ampliar o estudo com dados que mostrem como seriam os impactos no Brasil como um todo. “Não temos dúvida de que os resultados seriam replicados nas outras regiões. Não seriam os mesmos impactos, porque cada região possui uma produção diferente, mas todos os estados seriam afetados, uns mais e outros menos”, afirma.

Segurança alimentar

Estudos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontam que os alimentos produzidos no Brasil não têm resíduos de defensivos. O Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), por exemplo, destaca que 99,1% das amostras monitoradas de 2017 e 2018 eram seguras para o consumo, sem indicação de risco. “Os dados da Anvisa demonstram claramente a segurança dos nossos alimentos, sem resíduos e plenamente saudáveis. Essa discussão deixou há muito de ser técnica e transformou-se em ideológica”, acrescenta o economista.

Defensivos também são essenciais para as pastagens

Os herbicidas são fundamentais para manter a produtividade na pecuária. A existência de plantas daninhas nas pastagens reduz a área de pasto de qualidade para alimentar o gado, afetando diretamente a produtividade, além de poder intoxicar os animais.

Segundo Paulo Pimentel, líder de marketing da Linha Pastagem da Corteva Agriscience, o Brasil tem condições de clima e solo muito favoráveis para a produção de carne a pasto, e um dos principais desafios dessa produção é o desenvolvimento do capim sem a influência e a competição das plantas daninhas, que diminuem a produtividade das pastagens.

Uma pastagem bem implantada, com o capim bem desenvolvido e sem a competição da planta daninha é fundamental para produzirmos a quantidade necessária de carne para alimentar a população mundial, em constante crescimento. “Nossas tecnologias ajudam a elevar o patamar de produtividade de uma mesma área, evitando a abertura de novos locais e liberando áreas para outras culturas ou reflorestamento”, conclui Paulo.

Clique e leia a matéria completa

Tags

Compartilhe nas suas Redes Sociais:

Cadastre-se e tenha acesso a conteúdos exclusivos e personalizados

Cadastro

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*