A ressaca do carnaval, o coronavírus e o que esperar do mercado do boi

Oferta regulada à demanda colabora com um mercado calmo no fim de fevereiro.

A ressaca do carnaval, o coronavírus e o que esperar do mercado do boi em março

Tipicamente, março e maio são meses em que há maior volume de fêmeas nos abates de bovinos, e isso normalmente influencia o mercado.

Entretanto, até o momento, 2020 não tem sido um ano de oferta abundante de boiadas, dificultando a composição das escalas de abate das indústrias.

Esse fator tem colaborado com preços maiores no mercado do boi em relação aos anos anteriores.

Em São Paulo, por exemplo, na média de fevereiro deste ano, a arroba do boi gordo ficou cotada em R$ 197,88 à vista, livre de impostos. Preço 30,2% maior do que em fevereiro de 2019, ou seja, o pecuarista recebeu R$ 45,88 a mais por arroba em fevereiro deste ano em relação ao mesmo período do ano anterior (valores nominais).

Esse cenário, de preços maiores em 2020, também foi verificado em todas as outras trinta praças pesquisadas pela Scot Consultoria.

Mercado doméstico

No mercado interno, a demanda não tem apresentado resultados exorbitantes em 2020, contudo, o consumo tem melhorado.

O índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) atingiu 99,3 pontos em fevereiro. Esse é o maior patamar desde abril de 2015.

Além disso, a redução do desemprego é outro ponto que colabora com o aumento do consumo e, consequentemente, preços maiores no mercado do boi.

Ou seja, além da oferta reduzida, a demanda está melhor e deve manter o mercado com preços sustentados.

Exportação

No mercado externo, após o recorde de exportação de carne bovina in natura em 2019, o Brasil continua embarcando bons volumes neste início de ano.

Em janeiro de 2020, o país exportou 117,0 mil toneladas, volume recorde para o mês.

Em fevereiro, exportamos, em média, 5,9 mil toneladas por dia até a terceira semana. Considerando o mesmo ritmo para o mês inteiro, o Brasil deverá fechar fevereiro com 105,95 mil toneladas embarcadas.

Dessa forma, o país pode terminar o primeiro bimestre com cerca de 220,0 mil toneladas de carne bovina in natura destinadas para o mercado externo. Esse volume seria o segundo maior de toda a série histórica (com início em 1997), atrás apenas de 2007.

Vale chamar a atenção para as adversidades que o coronavírus tem criado. Em decorrência do surto da doença, é possível que alguns países diminuam a movimentação/circulação de produtos.

Essa menor movimentação pode impactar nas exportações brasileiras, principalmente para a China, que, além de ser o maior comprador da carne bovina brasileira, é também onde o surto da doença teve início e, até o momento, é o país mais afetado.

Expectativa para o mercado do boi gordo no próximo mês

A última semana de fevereiro foi marcada pelo Carnaval. O feriado resultou em menor volume de negócios no período, o que manteve as programações de abate relativamente curtas em boa parte das praças pecuárias.

Em São Paulo, por exemplo, os frigoríficos fecharam o mês com escalas prontas para atender de três a quatro dias.

Isso, somado à expectativa de melhora por parte da demanda na primeira quinzena, movimento sazonal devido ao maior poder de compra da população (recebimento de salários), deve fazer com que os compradores tenham dificuldade em pressionar o mercado nos próximos dias, podendo, inclusive, ofertar preços maiores, a fim de compor as escalas para atender à demanda do período.

Para março, assim como nos demais anos, espera-se um maior volume de fêmeas nos abates em relação ao primeiro bimestre.

A maior oferta de animais terminados pode dar um fôlego para as indústrias. Entretanto, este provavelmente seja um ano de retenção de fêmeas, e a tendência é de que haja maior oferta de boiadas em março.

Contudo, devido à provável menor participação de fêmeas nos abates totais, esse movimento pode ser amenizado, fator que deve manter as cotações andando de lado no mês, com possíveis oportunidades na primeira quinzena.

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