Abates de bovinos caíram 8,5% em 2020

A chegada da estação mais seca do ano deve ampliar a oferta de gado, embora não seja esperado um aumento expressivo

O cenário de abates de fêmeas em alta lá nos anos de 2017 e 2018 diminuiu a produção e impactou negativamente a oferta das diversas categorias de bovinos nos últimos anos. 

Mesmo em 2019, que já foi um ano de retenção de fêmeas, estimulada pelos preços em alta da reposição, ainda tivemos um aumento da venda de novilhas, influenciada pela demanda chinesa por categorias mais jovens. Em 2019, enquanto os abates de vacas diminuíram 4,8%, os abates de novilhas aumentaram 11,4%, na comparação anual (IBGE).

Em 2020, o cenário foi de recuo da oferta de todas as categorias, com retenção devido ao forte estímulo à atividade de cria, vindo dos preços em alta da reposição.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), foram abatidos 29,7 milhões de bovinos no país no ano passado, um recuo de 8,5% na comparação anual e o menor abate desde 2011, quando foram para o “gancho” 28,8 milhões de cabeças no Brasil.

Veja, na figura 1, como as categorias de fêmeas tiveram redução mais relevante, influenciadas pelo seu direcionamento à cria. 

Figura 1.
Variação dos abates das categorias de bovinos em 2020 quando comparada a 2019.

Fonte: IBGE | Scot Consultoria

O cenário de queda nos abates, com aumento das exportações de carne, foi o que segurou as pontas para a precificação do boi gordo em 2020. Como menos carne foi produzida e mais carne foi exportada, houve redução da parcela disponível para ser escoada no mercado interno, o que permitiu que ocorressem as valorizações, ainda que com a economia fraca e consumo lento.

Cabe uma observação de que, embora tenha diminuído, a oferta de carne não caiu na mesma proporção da queda nos abates, pois houve aumento de 3,3% do peso médio de carcaça. Isso amenizou o recuo na produção de carne, que foi de 5,4% na comparação anual.

O acréscimo no peso médio dos bois foi de 1,8% e para as vacas o aumento foi de 2,4%. O patamar dos preços das diversas categorias colaborou com um maior investimento, entre outros, em nutrição, colaborando com o movimento nos pesos médios.

Além disso, temos observado uma tendência de aumento de peso ao longo dos anos, não apenas em 2020, pela própria tecnificação da atividade.   

Outras carnes

Também influenciadas pela demanda chinesa, as exportações de aves e suínos tiveram bons resultados, com destaque para a carne suína. Isso colaborou com o aumento dos abates observado para essas atividades.

Entre 2019 e 2020, o abate de frangos aumentou 3,3% e o de suínos cresceu 6,4%. Foram recordes para ambas as atividades.

Figura 2.
Variação dos abates de bovinos, frangos e suínos em 2020 quando comparada a 2019.

Fonte: IBGE | Scot Consultoria

Esse movimento de abates de suínos e frangos em alta demonstra como essas atividades têm a capacidade de ajuste da produção a um momento favorável de mercado, como foi boa parte de 2020.

Expectativas

Para 2021 a expectativa é de que tenhamos mais um ano de retenção de fêmeas, o que deve resultar em um cenário de oferta limitada, que já tem sido observado nos primeiros meses do ano.

Com menos fêmeas indo para o gancho, a tendência é de um final de safra enxuto, com menor pressão do lado da oferta, que na média dos últimos anos.

Para o segundo semestre, o cenário de preços futuros e a evolução dos custos com milho devem ditar o rumo da oferta de confinamento, já que do lado do boi magro o confinador não deve ter alívio.

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Hyberville Neto – médico veterinário, msc.

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