Aumento nos abates de bovinos no terceiro trimestre

Os dados parciais confirmam que, mesmo com abate maior de novilhas, 2019 foi o primeiro ano de retenção de fêmeas.

abates de bovinos no terceiro trimestre

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou no início de dezembro os dados oficiais de abates do terceiro trimestre de 2019. Segundo o órgão, foram abatidos 8,49 milhões de bovinos de julho a setembro.

Isto representa um acréscimo de 2,1%, na comparação com o mesmo intervalo do ano anterior, 2018, quando foram 8,32 milhões de cabeças.

Já frente ao segundo trimestre, o resultado de julho a setembro de 2019 foi 7% maior. Neste caso, houve impacto da queda dos abates em junho, em decorrência do caso atípico de vaca louca (encefalopatia espongiforme bovina) confirmado no final de maio de 2019, que gerou interrupção das exportações à China na primeira quinzena de junho.

Abates por categoria

Com a valorização do mercado de reposição, que tem sido observada desde 2018, tem havido um estímulo à produção de categorias jovens, o que influencia a opção do criador por reter as fêmeas, aumentando, assim, a produção de bezerros.

No terceiro trimestre de 2019 houve redução de 4,5% na quantidade de vacas enviadas para o gancho, ao passo que o volume de novilhas cresceu 5,7% no mesmo intervalo. Aqui temos o movimento de investimento na atividade, com retenção de vacas, mas também o efeito da demanda chinesa por categorias jovens afetando a quantidade de novilhas abatidas.

Os valores acumulados até setembro estão na Figura 1.

Figura 1.
Variação dos abates acumulados de bovinos até setembro em 2019, na comparação com o mesmo intervalo em 2018.

abates de bovinos no terceiro trimestre

Fonte: IBGE / Elaboração: Scot Consultoria

Assim como no terceiro trimestre, no acumulado do ano as novilhas também tiveram aumento importante. Este assunto foi abordado no texto O abate de novilhas é o maior registrado nos últimos 10 anos.

Ciclo pecuário e expectativas para 2020

Apesar do acréscimo de novilhas, no acumulado até setembro, já tivemos uma redução da participação de fêmeas nos abates, após dois anos de aumento neste índice, como pode ser observado na Figura 2. Lembrando que as fases de preços em baixa tendem a aumentar os abates de fêmeas e as fases de alta tendem a reduzi-los.

Figura 2.
Participação de fêmeas nos abates de bovinos até setembro.

abates de bovinos no terceiro trimestre

Fonte: IBGE / Elaboração: Scot Consultoria

Quando há estímulo à retenção de fêmeas, a tendência é de aumento da produção nos anos seguintes. Em curto prazo, no entanto, o que ocorre é a redução da disponibilidade de carne, com valorização.

Para 2020, com preços atrativos, a tendência é de continuidade do movimento de retenção de fêmeas, o que deve colaborar com as expectativas de preços firmes ao longo do ano. 

Menos fêmeas sendo vendidas, com exportações em bom ritmo, influenciadas pelo mercado chinês, e pelo mercado doméstico em recuperação, trazem expectativas de preços firmes para o boi gordo em 2020.

Um ponto que deve ser acompanhado de perto é o efeito que estas novilhas enviadas a mais para o gancho terá sobre a duração desta fase de preços em alta na qual estamos.       

Autor:  Hyberville Neto – médico veterinário, msc.

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