Amostragem do solo: dicas de avaliação

A maior probabilidade de acontecer erro no processo de avaliação da fertilidade está associada à amostragem de solo.

Amostragem do solo

O solo é um recurso natural renovável, porém, encontra-se em estado estacionário, visto que sua pedogênese (formação) é muito lenta e acontece ao longo de milhares de anos.

Esse precioso recurso natural é fundamental para os ecossistemas, em especial, para o ecossistema agrícola. O solo, em uma visão mais holística, pode ser considerado um patrimônio coletivo, visto que o uso/manejo equivocado desse recurso natural pode causar degradação química, física e biológica, erosão e, em casos mais extremos, até desertificação, atingindo milhares de pessoas.

A importância da realização da amostragem do solo

A amostragem de solo é a primeira etapa de um programa de avaliação da fertilidade do solo.

Essa operação é crucial, pois uma pequena quantidade de solo representará as características de uma grande área.

Produtores e colaboradores estão aptos a realizar o procedimento. Ainda que a avaliação laboratorial seja mais elaborada, instrumental e operacionalmente, ela não corrige uma coleta deficiente, capaz de comprometer os processos seguintes.

Nesse sentido, a maior probabilidade de acontecer erro no processo de avaliação da fertilidade do solo está associada à amostragem de solo e, se isso acontecer, nem o laboratório e nem os técnicos, que vão recomendar a correção/adubação do solo para suprir as exigências nutricionais dos cultivos subsequentes, terão muito a fazer, porque vão trabalhar em resultados advindos de uma amostragem de solo incorreta ou mal planejada.

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Identificação e manejo de glebas homogêneas para a coleta do solo.

A cor do solo, topografia, histórico de uso, textura (porcentagem de areia, silte e argila) e vegetação são fatores que permitem ao operador fácil identificação para separar a propriedade em talhões semelhantes.

Para pecuária extensiva, reconhecidamente com propriedades de maiores proporções, recomenda-se que a área a ser amostrada não ultrapasse 30 hectares. Já para usos mais intensivos da terra, sejam eles sob pecuária, lavoura ou sistemas integrados de produção lavoura-pecuária, recomenda-se que a gleba a ser amostrada seja em torno de 10 hectares, desde que atendam à identificação de homogeneidade já mencionada.

No entanto, o bom senso e os estudos caso a caso não devem ser deixados de lado.

Na ocasião da realização da amostragem, o responsável pela operação representará toda a área fazendo várias amostras simples, entre 20 e 30 amostras, para tirar uma composta. Vale lembrar que essa amostra composta, que deve pesar em torno de 500 gramas, representa uma área de 20 a 30 hectares. Esse fato por si já dá uma ideia da dimensão da importância da amostragem de solo para um correto programa de avaliação da fertilidade de uma determinada área.

É necessário enfatizar ainda que formigueiros, cupinzeiros, locais de descanso de gado, depósitos de adubos e calcários, estradas, terraços e trilhas são pontos a desconsiderar em uma coleta.

Procedimento para a coleta da amostragem

Equipamentos como trado holandês, de caneco, sondas para amostragem de solo e até mesmo uma pá de corte ou um enxadão são opções à disposição, desde que estejam limpos, secos e sem resíduos.

Evitando ao máximo a contaminação, o técnico retira as amostras, em diferentes profundidades, por caminhamento aleatório em ziguezague, ressaltando que, quanto maior a gleba, maior o número de pontos amostrais, que precisam estar livres de resíduos culturais não decompostos e outros materiais, e as deposita em um balde de plástico, também higienizado.

Existem no mercado amostradores hidráulicos e automatizados que podem ser acoplados em triciclos e veículos automotores utilizados na agricultura de precisão. Quando a área e o volume de amostras de solo forem muito grandes, a utilização desses equipamentos talvez seja viável.

Para a implantação de uma pastagem, as profundidades recomendadas para amostragem de solo são de 0 – 20 e 20 – 40 cm. No entanto, amostras adicionais de 0 a 10 cm podem contribuir para uma melhor avaliação do estado em que se encontra a fertilidade do solo.

Especificamente para área de pecuária, com bom manejo de pastagens, depois de implantada a forrageira, muito dificilmente o pecuarista terá oportunidade de revolver o solo novamente, e a aplicação dos corretivos e fertilizantes será realizada em superfície.

Nesses casos, a amostragem de 0 – 10 cm pode contribuir ainda mais para a avaliação da qualidade química do solo. Isso porque alguns nutrientes de plantas são pouco móveis no solo e tendem a se concentrar na superfície quando a aplicação de fertilizantes é realizada a lanço.

Identificação e embalagem das amostras

As amostras devem ser identificadas com dados referentes à:

  • Profundidade;
  • Época da coleta;
  • Nome da gleba;
  • Histórico da área;
  • Uso atual;
  • E últimas aplicações de corretivos/fertilizantes.

Após a identificação, as amostras do solo devem ser encaminhadas em embalagem própria, na maioria das vezes fornecida pelo laboratório, para uma instituição credenciada para análise, destacando que “toda informação adicional é importante na avaliação da fertilidade do solo e pode contribuir para correta interpretação dos resultados”.

Época e frequência para a coleta de amostragem

Não existe época correta para se realizar a amostragem de solo, no entanto, para áreas de pastagens, realizar as amostragens no final de março/início de abril, situação em que o solo ainda está com certo teor de umidade, pode facilitar a retirada e homogeneização.

Para áreas de lavoura ou em sistemas integrados de produção lavoura-pecuária, o mais interessante é realizar a amostragem após a colheita da segunda safra.

Apesar de mais tardia, a amostragem após a safrinha indicará a condição química do solo antes do plantio da próxima safra de verão.

Realizando as amostragens nessas épocas, em julho/início de agosto, o produtor terá os resultados de laboratório em mãos, além de ter tempo hábil para aquisição de corretivos e fertilizantes a serem aplicados.

A frequência de amostragem, assim como a época, não possui uma programação específica e vai depender do manejo da propriedade e da intensidade em que são realizadas as adubações.

Em sistemas mais intensivos a frequência deve ser maior, por outro lado, toleram-se frequências menores em sistemas menos intensivos de produção.

Referências:

EMBRAPA. Manual de métodos de análises de solos. 3ª ed. Revista e Ampliada. Brasília – DF, Embrapa, 2017. 573p.

EMBRAPA. Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. 3ª ed. Brasília: Embrapa, 353p. 2013.

MARTHA Jr., G.B.; VILELA, L. SOUSA, D.M. Cerrado: uso eficiente de corretivos e fertilizantes em pastagens. 1. ed. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2007. 224p.

RIBEIRO, A.C.; GUIMARÃES, P.P.G.; ALVAREZ, V.V.H. (Ed.). Recomendações para o uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais – 5ª Aproximação. Viçosa, 1999. 359 p.

Autor:

Alexandre Romeiro de Araújo, graduado em Zootecnia. Possui doutorado em Ciência do Solo e, atualmente, é pesquisador da Embrapa Gado de Corte.

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2 respostas para “Amostragem do solo: dicas de avaliação”

  1. Avatar Adriano Avelar - Minas Gerais (MG) disse:

    Bom 2029

    1. Pasto Extraordinário Pasto Extraordinário disse:

      Feliz 2020, Adriano 🙂

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