Áreas livres de febre aftosa sem vacinação impulsionam agronegócio

Certificação que atesta erradicação da febre aftosa reforça qualidade da pecuária nacional, agrega valor à carne brasileira e amplia mercados

Em maio deste ano, a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) reconheceu seis estados brasileiros como áreas livres de febre aftosa sem vacinação – Acre, Paraná, Rio Grande do Sul e Rondônia, 14 cidades do Amazonas e cinco municípios do Mato Grosso. O reconhecimento agrega valor à carne brasileira, possibilitando a exportação para mercados mais exigentes, como Canadá, Coreia do Sul e Japão, e a comercialização de outros produtos para os países que já faziam parte da carteira de compradores, além de atestar a qualidade sanitária da pecuária do país.

“Com mais estados sendo certificados com este selo, elevamos o nosso patamar de controle de qualidade e nossa credibilidade enquanto produtores de alimentos. Isto é fruto de um intenso controle sanitário iniciado há muitos anos, e agora estamos colhendo os resultados. Com esse avanço, poderemos adentrar novos mercados no exterior, buscando preços mais competitivos para nossos produtos, aumentar as exportações e gerar mais empregos e receita interna”, afirma Leidiane Cristina Batista de Souza, médica-veterinária especialista em Administração em Agronegócios e professora da Fundação Roge – Academia do Leite.

Nicolle Wilsek, técnica do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP/SENAR-PR, que acompanha cadeias de proteína animal, destaca que a conquista é muito significativa frente às barreiras comerciais, apesar de a febre aftosa não ser uma doença transmitida ao homem. O selo possibilita uma valorização maior da carne tanto na exportação quanto no mercado doméstico. “O fato de o estado ter vacinação contra a doença remete a pouco controle sanitário. O Paraná, por exemplo, tem grande responsabilidade sanitária dos animais, e ser certificado é muito importante para a região Sul, facilitando o trânsito de animais entre os estados”, explica.

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Com o reconhecimento do elevado padrão sanitário dessas regiões, mais de 40 milhões de animais deixarão de ser vacinados – cerca de 20% do rebanho bovino brasileiro. A economia com a vacinação para os produtores pode chegar a R$ 90 milhões. “Os custos abordados no manejo sanitário diminuem, pois não há mais gasto com vacina e mão de obra durante as duas campanhas anuais de vacinação. O produtor tem a responsabilidade de comprar animais rastreados, com segurança da origem, para a febre aftosa não voltar, pois ela é uma doença com força econômica e comercial. A melhora obtida com a certificação não é apenas para o gado bovino ou bufalino, mas para todas as proteínas animais. O status engloba todas as outras cadeias produtivas, como a de suinocultura”, acrescenta Nicolle.

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Incluindo Santa Catarina, que já era certificada, o Brasil conta com 40% do seu rebanho bovino livre de aftosa sem vacinação. De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a meta é que o país inteiro alcance esse status até 2026. “Para o Brasil, que atualmente é o maior exportador de carne bovina do mundo e o terceiro maior produtor de leite e que possui espaço para crescimento, é extremamente importante continuarmos o trabalho de vacinação e controle sanitário nos demais estados para alcançarmos o status de país livre de aftosa sem vacina. Temos potencial para conquistar mercados cada vez mais exigentes com o aumento da demanda por alimentos em nível mundial. Mas, para isso, devemos garantir a sustentabilidade e o controle de qualidade sanitário internamente. Esse foi um grande e importante avanço conquistado, porém, ainda há muito trabalho pela frente”, observa a médica-veterinária Leidiane.

Gostou da notícia? É um fato a ser comemorado mesmo. Parabéns aos pecuaristas pelo trabalho realizado e que permitiu essa conquista.

Animais europeus trouxeram a febre aftosa para o Brasil

A febre aftosa chegou ao Brasil em meados de 1950, em animais importados da Europa. A infecção é transmitida pelo vírus do gênero Aphtovirus, que acomete principalmente animais bovinos, suínos e bubalinos, além de ovinos e caprinos, e pode levar à morte. Entre os sintomas, estão lesões na boca ou nos pés dos animais, febre, emagrecimento, mastite, aborto, dificuldades para se alimentar ou andar, salivação excessiva e queda na produtividade. Altamente contagioso, o vírus é encontrado nas secreções das feridas, na saliva, nas fezes, na urina, no sêmen, na carne e no leite dos animais infectados, que por sua vez contaminam outros animais por meio de contato direto ou indireto. As medidas de controle são fundamentais e a vacinação é a mais importante delas.

 

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