Atenção ao clima!

Com a retomada das chuvas em setembro/outubro, tem início a semeadura da safra de verão e iniciam-se os manejos e operações nas pastagens.

Os meses de setembro e outubro compreendem o início do período chuvoso no Brasil Central e região Sudeste. Consequentemente, é quando começa o plantio da safra de grãos, no caso, a safra de verão ou primeira safra.

Após as chuvas mais regulares e bem distribuídas, ou seja, a partir de outubro/novembro, são feitas as operações de recuperação ou formação das pastagens.

Dessa forma, o regime de chuvas impacta diretamente no cronograma de plantio das lavouras e manejo das pastagens, ditando o ritmo dos trabalhos no campo e refletindo na oferta de forragem (capim).

Outro ponto importante é com relação ao plantio da segunda safra ou safra de inverno, já que um atraso na semeadura da safra de verão (primeira safra) encurtará a janela de plantio da segunda safra, aumentando os riscos climáticos sobre a cultura.

Situação atual

Neste ano, as chuvas estão atrasadas em algumas regiões, com destaque para o Centro-Oeste e Sudeste do país.

Observe, na figura 1, que em alguns municípios não choveu até meados de setembro (dia 21), sendo, que em alguns casos, a estiagem já dura mais de 90-100 dias.

Fonte: INMET

No período analisado, em boa parte do Brasil, as chuvas ficaram de 50 a 100 milímetros abaixo da média histórica (normal climatológica) para o mês em questão (setembro).

A situação está mais complicada no sul de São Paulo, Paraná e sul do Mato Grosso do Sul. Veja a figura 2.

As exceções foram o Rio Grande do Sul, sul de Santa Catarina, litoral da Bahia e extremo Norte do país, que registraram volumes até 50 milímetros acima da média histórica.

Figura 2.
Anomalias (desvios) de chuvas no Brasil em setembro (até o dia 21) em relação à média histórica, em milímetros.

Fonte: INMET

Expectativas

Para a temporada 2020/2021, as expectativas iniciais apontam para um regime de chuvas mais adverso, comparativamente com o ciclo que está se encerrando (2019/2020).

Este cenário aumenta as especulações com relação à semeadura da próxima safra de grãos (2020/21) e a situação das lavouras (produtividade), o que tende a se refletir também sobre o mercado.

No caso das pastagens, um atraso na retomada da qualidade e disponibilidade de massa verde poderá impactar sobre a produção de leite e engorda dos bovinos de corte no início da safra do capim.

Na figura 3, apresentamos as previsões de anomalias (desvios) de chuvas nos trimestres setembro, outubro e novembro de 2020 e outubro, novembro e dezembro de 2020.

Observe que em diversas áreas no Brasil Central, Centro-Sul, Centro-Norte e região Sul do país, as chuvas previstas deverão ficar abaixo da média histórica nos períodos em questão.

Em algumas localidades no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Pará, a previsão é de volumes até 200-300 milímetros abaixo da média.

Figura 3.
Previsão de anomalias (desvios) de chuvas nos trimestres setembro, outubro e novembro de 2020 e outubro, novembro e dezembro de 2020, em milímetros.

Fonte: CPTEC

Em curto e médio prazos, com o Brasil semeando a safra de grãos 2020/2021 e os Estados Unidos colhendo a produção (2020/2021), o clima terá papel fundamental sobre as projeções de oferta desses produtos e, consequentemente, sobre os preços nos mercados agropecuários.

Além dos grãos, o clima impacta também a situação das pastagens e a oferta de leite e produção de bovinos de corte em pasto.

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