Práticas que aumentam a produtividade nas fazendas leiteiras

Conheça o programa Balde Cheio e como ele ajuda a melhorar a produtividade nas propriedades leiteiras

Há mais de 20 anos, o programa Balde Cheio, da Embrapa, desempenha um importante papel nas propriedades de gado leiteiro no Brasil. Somente em 2018, o programa atendeu 1.280 produtores em 373 municípios de 11 estados. Apesar de oferecer uma metodologia de transferência de tecnologias, que combina conhecimento técnico e científico com elementos de produção, o programa não apresenta novas técnicas, e sim métodos já consagrados: “É preciso fazer o básico bem feito”, diz Artur Chinelato, idealizador do programa e pesquisador. Para ele, o mais importante é que as pesquisas “saiam da gaveta” para que, de fato, possam resolver as questões dos produtores.

O coordenador do Balde Cheio em Minas Gerais, Walter Miguel Ribeiro, afirma que o foco do programa está sempre na rentabilidade das atividades nas propriedades. “Para isso, focamos inicialmente na alimentação dos animais, na sanidade, no manejo e na organização das anotações para gerarmos índices que possam servir para a tomada de decisões”, conta Walter.

Programa Balde Cheio

O programa tem duração mínima de quatro anos, e durante esse período uma propriedade rural é utilizada como uma “sala de aula prática”, chamada de Unidade Demonstrativa (UD). É comum que o técnico interessado procure um produtor e proponha a participação no programa. Na propriedade, um instrutor da Embrapa trabalha com o produtor e o aluno acompanha cada atividade. Apesar de funcionar como uma sala de aula, o programa não é aberto para outros interessados: cada técnico e cada produtor com interesse em participar do Balde Cheio devem entrar em contato com o coordenador ou com a instituição responsável em sua região.

A parte prática é o grande diferencial do programa. Nessa etapa, os instrutores, técnicos e produtores trabalham para que a propriedade aumente a produtividade, atentando para a legislação ambiental. O Balde Cheio oferece também dois cursos teóricos por ano, que ocorrem na Embrapa Pecuária Sudeste ou em áreas de instituições parceiras. As parcerias são tanto públicas (órgãos de assistência técnica e extensão rural vinculados às Secretarias Estaduais de Agricultura, prefeituras, departamentos de agricultura municipais, instituições de ensino e pesquisa, instituições financeiras ou Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), quanto privadas (cooperativas, indústrias de laticínios, associações, federações de agricultura, Sebrae, instituições de ensino e pesquisa, profissionais autônomos).

Hoje, estão em capacitação 200 técnicos que atuam em 273 Unidades Demonstrativas (UDs) e 1.011 Propriedades Assistidas (PA), que são acompanhados por técnicos locais.

O objetivo do trabalho é desenvolver o pecuarista. Entre os aspectos abordados, está a qualidade da nutrição dos animais, que garante a segurança alimentar da produção. São realizadas visitas às áreas de produção para verificar os documentos e os registros necessários, além dos equipamentos. Também são feitas entrevistas com a equipe sobre as atividades e o manejo com os animais. Para isso, a empresa segue uma lista de verificação com os critérios a serem cumpridos.

Segundo Artur, entre as medidas para aumentar a produção e a rentabilidade das propriedades rurais está o cuidado com a pastagem. A área máxima de pastagem a ser trabalhada depende da capacidade de investimento do produtor. No primeiro ano, a área é definida pela equação: número de vacas em lactação dividido por dois. O resultado é dividido pela lotação mínima de dez vacas/hectare. A pastagem é a porta de entrada do trabalho a ser realizado na propriedade. Na maioria das situações, a área já tem uma pastagem formada – o problema está na manutenção. Assim que começam a ser produzidas amostras, análises de solo e adubação, é possível prever os resultados. Segundo Artur, a melhora é vista após um ano de investimento.

Decorridos os quatro anos de programa, é possível estendê-lo pelo tempo que o produtor achar necessário. Artur afirma que há propriedades que estão no Balde Cheio há 15 anos.

Exemplo de sucesso

A propriedade familiar Estância do Vovô, em Prata, Minas Gerais, é um exemplo do sucesso do Balde Cheio. O diagnóstico do técnico ao visitar a propriedade era de que havia bons equipamentos, mas o pasto era mal manejado e insuficiente para o rebanho. Os animais estavam mal alimentados, não respondendo ao seu potencial produtivo.

A primeira recomendação do técnico foi reduzir a área de pastagem para um hectare, economizando água, tempo e dinheiro. Dessa forma, seria possível adotar as técnicas corretas de manejo do pasto, que incluíam a adubação, de acordo com a análise do solo da propriedade.

Com a alimentação adequada, de acordo com o número de vacas, a Estância do Vovô foi se recuperando economicamente, passando a gerar lucro. No ano passado, a produção chegou a 300 litros por dia, com 16 vacas em lactação. As vacas são mestiças, com a produção variando de 10 a 30 litros por animal. Atualmente, a propriedade se tornou uma Unidade Demonstrativa e é referência para outros produtores.

Selo de Boas Práticas na Fazenda (BPF)

As melhorias observadas a partir do programa Balde Cheio contribuem para que as propriedades conquistem altos níveis de qualidade e atinjam o nível exigido pelo Selo de Boas Práticas na Fazenda (BPF), que tem uma rigorosa avaliação.

De acordo com Larissa Cirillo, da Genesis Group, uma das empresas certificadoras no Brasil, o trabalho é focado na busca de melhorias e inovações na propriedade rural, sempre considerando o perfil da região e, principalmente, do produtor. Para isso, é importante desenvolvê-lo e conscientizá-lo sobre o porquê implantar e melhorar as práticas relacionadas, sobretudo, à qualidade e à segurança do alimento.

Como funciona:

O período necessário para uma fazenda conseguir uma certificação como o Boas Práticas na Fazenda, por exemplo, varia de 30 a 90 dias, segundo Larissa. Esse tempo depende, é claro, de vários fatores, incluindo conscientização e adaptação do produtor e da equipe de trabalho da propriedade aos procedimentos necessários, entre outros.

Durante a avaliação, alguns aspectos são essenciais para o recebimento do certificado: a análise de perfil do produtor, a implantação de melhoria nos processos dentro da propriedade rural, o treinamento de todos os colaboradores e pessoas envolvidas na rotina de trabalho e a gestão das informações. Além, é claro, da manutenção dessa certificação ao longo do tempo.

Em uma das fazendas na qual a Genesis atua no BPF, as inspeções são realizadas in loco, sempre acompanhadas de um responsável da propriedade, que deverá demonstrar conhecimento sobre o programa. São realizadas visitas às áreas de produção para verificar documentos e registros necessários, além dos equipamentos. Também são feitas entrevistas com a equipe sobre as atividades e o manejo com os animais. A propriedade recebe a certificação se atender e cumprir esses diversos critérios.

Vantagens do BPF

São inúmeros os benefícios proporcionados à propriedade rural que adota o Programa de Boas Práticas da Fazenda e que recebe o selo. Confira alguns deles:
• Melhora na gestão da propriedade, gerando aumento da produtividade e da rentabilidade.
• Maior controle sobre o processo do trabalho desenvolvido na fazenda.
• Nas propriedades de gado leiteiro, por exemplo, há a produção de leite com mais qualidade e menor risco à segurança do produto.
• Sanidade dos animais – com melhor gestão e uso racional de drogas veterinárias, a propriedade pode diminuir gastos com tratamentos, risco da presença de resíduos de antibióticos no leite, diminuindo perdas pelo descarte do produto com resíduos.
• Com a melhora das práticas de ordenha e estocagem de leite, ele poderá apresentar menor contagem bacteriana (CBT) e de células somáticas (CCS), aumentando dessa forma as bonificações à propriedade, de acordo com o Sistema de Valorização do Leite (SVL).
• Diminui o impacto ao meio ambiente e garante a sustentabilidade da produção de leite.


Para saber mais sobre o programa Balde Cheio, clique aqui.

Como está a produção e rentabilidade da sua propriedade? Compartilhe com a gente a sua experiência. Você conta com a ajuda de algum programa como esse? 🙂

 

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