Balanço do mercado do boi em 2019: “susto positivo”

Retrospectiva sobre a forte alta da arroba no final do ano e considerações para 2020.

mercado do boi em 2019

Há tempos o mercado do boi gordo não trazia “sustos positivos”, como foi a forte valorização da arroba do boi gordo no final de 2019.

A seguir, uma pequena retrospectiva dos fatos relevantes do passado no mercado do boi nos últimos anos para exemplificar os acontecimentos neste mercado.

Em 2017, fatores extra mercado abalaram as estruturas do setor, como a operação Carne Fraca, a delação dos executivos do maior frigorífico do país e a volta da cobrança do Funrural.

Em 2018 foi a vez dos caminhoneiros. Em meados de maio, a paralisação do elo responsável pela distribuição da produção trouxe diversos prejuízos para a cadeia da carne.

Já em 2019 foi a vez dos fundamentos do mercado (oferta x demanda) jogarem a favor da alta no preços da arroba do boi gordo.

Figura 1.
Evolução dos preços da arroba do boi gordo, em valores nominais, em São Paulo.

mercado do boi em 2019

Fonte: Scot Consultoria

Conforme explicamos, no texto sobre a formação do arroba do boi, a oferta e a demanda formam os preços do boi gordo, então vejamos o que aconteceu com cada um deles.

Demanda

A economia brasileira tem andando a passos lentos, porém, para frente. Depois da recessão enfrentada de 2015 a 2016, o PIB (Produto Interno Bruto) voltou a crescer e a população ganhou mais confiança.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o consumo das famílias brasileiras cresceu 1,6% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Ainda há espaço para incrementos no consumo, mas este já está em patamares melhores que o observado no ano passado. Um dos métodos para alcançar esta melhora é aquecendo o mercado de trabalho, pois os níveis de desemprego ainda estão elevados.

Mas, o que a economia brasileira não surpreendeu, o mercado internacional cobriu este espaço.

A peste suína africana, que dizimou o rebanho chinês de suínos e de outros países do Sudeste asiático e Leste europeu, fez com que os embarques de carne bovina e outas proteínas aumentassem consideravelmente em 2019.

Além disso, com o dólar em alta, a exportação tornou-se um negócio ainda mais atraente, fazendo com que os frigoríficos intensificassem a busca por boiadas.

Oferta

Do lado dos animais disponíveis para abate, a estiagem prolongada atrasou a terminação do gado de pasto, mantendo a oferta de boiadas restrita nesse fim de ano.

No mais, no momento de decisão do confinamento, a atratividade não estava elevada em função do desequilíbrio entre os preços do milho, do boi magro e das cotações do boi gordo no mercado futuro, o que também afetou a disponibilidade de gado para as indústrias.

Colaborando com a baixa oferta, temos a fase atual do ciclo pecuário de preços, em que os preços mais altos dos bezerros estimulam a retenção de fêmeas na fazenda. Nestes casos, o produtor opta por manter as matrizes no rebanho para aumentar a produção, em vez de enviá-las ao abate .

Em resumo, a demanda firme para exportação (somada à questão emergencial de necessidade de compra por parte da China) em um cenário de oferta de animais para abate reduzida deu sustentação aos preços da arroba do boi.

Quem conseguiu trabalhar com o parcelamento das vendas e teve boi na entressafra colheu bons resultados.

O que levar para 2020?

Como vimos, depender do mercado para obter lucros é arriscado, vide os acontecimentos de 2017 e 2018.

Os preços alcançados em 2019 trouxeram boas rentabilidades para o produtor, mas é dentro da porteira, com gestão de custos (diluição dos custos fixos e economia de escala), que o produtor alcança lucros duradouros e consistentes.

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Autora: Marina Zaia – médica veterinária

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