Boi gordo e leite versus alimentos concentrados proteicos

Houve perda no poder de compra do pecuarista com relação aos principais insumos.

Os preços dos alimentos concentrados, tanto os energéticos (milho, sorgo, polpa cítrica, etc.) como os proteicos (farelo de soja, farelo de algodão, caroço de algodão etc.) subiram fortemente desde 2020 com a demanda interna aquecida e o dólar em alta.

Em muitos casos, as variações nas cotações desses insumos foram maiores que as altas observadas nos preços da arroba do boi gordo ou do leite.

Veja, na tabela 1, os preços médios anuais em São Paulo em 2019, 2020 e 2021 (parcial até julho). Neste artigo, focaremos os alimentos concentrados proteicos.

Considerando as cotações dos farelos de soja e de algodão e do caroço de algodão este ano, em relação a 2019, houve alta de 132,8%, em média, enquanto o boi gordo e o leite valorizaram, respectivamente, 90,1% e 35,2% no mesmo período.

Tabela 1.
Preços médios anuais da arroba do boi gordo, leite ao produtor e alimentos concentrados proteicos, valores nominais.

Produtos

2019

2020

2021*

21×19

Boi gordo – R$/@

 R$147,62

 R$205,55

 R$280,64

90,1%

Leite ao produtor – R$/litro

 R$1,45

 R$1,69

 R$1,96

35,2%

Farelo de soja – R$/tonelada

 R$1.287,50

 R$1.946,68

 R$2.666,91

107,1%

Farelo de algodão (38% PB) – R$/tonelada

 R$951,01

 R$1.328,89

 R$2.140,07

125,0%

Caroço de algodão – R$/tonelada

 R$696,97

 R$928,56

 R$1.855,00

166,2%

*Média até julho/2021.
Fonte: Scot Consultoria

Ou seja, houve queda no poder de compra do pecuarista em relação aos principais alimentos proteicos.

No caso da pecuária de corte, atualmente são necessárias 9% mais arrobas de boi gordo para a compra da mesma quantidade de farelo de soja em relação a 2019. Para o caroço de algodão, essa diferença é de 40%.

Na pecuária de leite, a quantidade de farelo de soja adquirida com o valor de um litro de leite diminuiu 34,7% no período analisado. Já para o caroço de algodão, o volume diminuiu quase pela metade (49,2%). Veja a tabela 2.

Tabela 2.
Relações de trocas: boi gordo e leite versus alimentos concentrados proteicos.

Arrobas de boi gordo por tonelada de insumo

2019

2020

2021*

21×19

Farelo de soja

8,72

9,47

9,50

9,0%

Farelo de algodão (38% PB)

     6,44

        6,47

    7,63

18,4%

Caroço de algodão

4,72

        4,52

    6,61

40,0%

     

Quilos de insumo por litro de leite

2019

2020

2021*

21×19

Farelo de soja

     1,13

        0,87

0,74

-34,7%

Farelo de algodão (38% PB)

1,53

1,27

0,92

-39,9%

Caroço de algodão

2,08

1,82

1,06

-49,2%

Fonte: Scot Consultoria

Planejamento e estratégia de compra

Com o período seco do ano (entressafra) e, consequentemente, perda do valor nutricional do capim, aumenta a necessidade de suplementação proteica e de minerais aos animais.

Com isso, os custos de produção com a alimentação são maiores nos meses mais secos, principalmente nos sistemas de produção mais intensivos, que utilizam mais insumos.

Para o pecuarista, seja de gado de corte ou leite, o planejamento e as estratégias de compra desses produtos são fundamentais para o sucesso da atividade.

Além de questões como disponibilidade dos alimentos concentrados na região e os custos com fretes, é preciso conhecer o mercado e se atentar às oportunidades de compra, ainda mais diante das fortes altas nos preços dos insumos e piora na relação de troca, conforme apresentado neste artigo.

Entre alguns fatores de interferência nos preços, citamos os períodos de maior oferta (colheita) ou demanda, por exemplo, para exportação.

No caso do farelo de soja, os meses de março a maio são os de maior oferta do produto no mercado brasileiro, com a colheita da soja praticamente concluída e aumento dos esmagamentos no país.

Já no caso do caroço de algodão e farelo de algodão, a oferta aumenta gradualmente a partir de julho/agosto com o avanço da colheita do algodão (segunda safra).

Por fim, do lado da alimentação concentrada, considerando o câmbio valorizado, os problemas climáticos no Brasil e em outros importantes produtores mundiais, como os Estados Unidos, e a demanda aquecida, a expectativa é de que os preços se mantenham em patamares elevados neste segundo semestre de 2021 e em 2022, o que exigirá cada vez mais profissionalismo e planejamento na compra desses insumos.

Rafael Ribeiro, zootecnista, msc.
Scot Consultoria

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