Chuvas devem continuar nas primeiras semanas de fevereiro

Este cenário mantém o alerta sobre o ritmo da colheita da safra de verão de grãos (2019/2020) e semeadura da safra de inverno, bem como o transporte do gado e a coleta do leite.

Boletim Climatológico de Chuva

Nas últimas semanas de janeiro, choveu forte na região Norte do Brasil, com destaque para Acre e Pará, onde, em alguns municípios, choveu até 250 milímetros no acumulado até o dia 29 de janeiro.

As precipitações ocorreram em grandes volumes também no Noroeste de Mato Grosso, em boa parte de Goiás e no Tocantins, em que atingiram 250-300 milímetros no mês.

Em Minas Gerais e no Espírito Santo, os volumes foram ainda maiores, ultrapassando os 500 milímetros no período analisado. Veja a figura 1.

Figura 1 Volume de chuvas no Brasil em janeiro de 2020 (até o dia 29), em milímetros.
Volume de chuvas no Brasil em janeiro de 2020 (até o dia 29), em milímetros.
Fonte: INMET/CPTEC

É importante destacar que, em Minas Gerais e Espírito Santo, as chuvas ficaram bastante acima da média histórica para o mês de janeiro, cujo volume varia entre 250 e 300 milímetros, de acordo com a normal climatológica (figura 2).

Essa situação tem causado grandes prejuízos às cidades e a população, além de perdas na agricultura e na pecuária e dificuldade no escoamento da produção.

Figura 2 Chuvas: normal climatológica (média histórica) para janeiro, em milímetros.

Chuvas: normal climatológica (média histórica) para janeiro, em milímetros.

Fonte: INMET/CPTEC

Na figura 3, apresentamos os mapas de disponibilidade de água no solo do país entre os dias 25 e 29 de janeiro e as condições para a colheita em um período de 48 horas após o dia 29 de janeiro.

Observe que na faixa em azul, que vai da região Norte do país até o Maranhão e até o litoral da região Sudeste, a elevada umidade do solo implica em condições desfavoráveis para a colheita da safra de grãos (2019/2020) nessas localidades.

Figura 3 Disponibilidade de água no solo entre os dias 25/1/2020 e 29/1/2020 (em milímetros) e condições para a colheita no período de 48 horas após o dia 29/1/2020.
Disponibilidade de água no solo entre os dias 25/1/2020 e 29/1/2020 (em milímetros) e condições para a colheita no período de 48 horas após o dia 29/1/2020.
Fonte: Agritempo

Ritmo dos trabalhos no campo

Em Mato Grosso, até o dia 24 de janeiro, 14,4% da área semeada com soja (2019/2020) havia sido colhida, segundo informações do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA).

Os trabalhos estão atrasados em relação ao mesmo período da safra passada, quando 25,6% da soja tinha sido colhida. Entretanto, estão ligeiramente à frente da média das cinco últimas temporadas, que é de 13,1% da área colhida até então.

Apesar de a colheita ter avançado bem nos últimos dias no estado, as chuvas previstas para as primeiras semanas de fevereiro (mais detalhes adiante) podem diminuir o ritmo dos trabalhos, especialmente nas regiões Norte/Noroeste de Mato Grosso, que são os locais onde estão previstos os maiores volumes de chuvas.

No Rio Grande do Sul, a colheita da soja 2019/2020 não começou. Boa parte das lavouras está em fase de desenvolvimento vegetativo (48%) ou floração (39%). Já com relação ao milho de verão, 22% da área foi colhida no estado até o dia 23 de janeiro, segundo informações da Emater-RS.

No Paraná, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), 1% da área de soja e 1% da área do milho de verão (primeira safra) foram colhidos até o dia 20 de janeiro. Em uma comparação, nesse mesmo período da safra passada, a colheita atingiu 15% da área de soja e 3% da área do milho. Essas são as últimas informações disponíveis até a edição deste boletim. A estimativa da Scot Consultoria é de que, até o final de janeiro de 2020, entre 10% e 15% das áreas de soja e milho de verão sejam colhidas no estado.

Com relação às pastagens, a situação está favorável em boa parte das principais regiões pecuárias do país, o que permite ao pecuarista de gado de corte negociar com mais calma a boiada para abate. No Rio Grande do Sul, com as chuvas em meados de janeiro, a situação melhorou, em parte, mas a atenção continua.

Destacamos, no entanto, a dificuldade não só para o transporte do gado até os frigoríficos para o abate, mas também os empecilhos na coleta do leite nas propriedades e transporte até os laticínios em estados como Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, entre outros.

Previsão do tempo

Para os primeiros dias de fevereiro, a previsão é de chuvas nos estados da região Norte e Nordeste, sendo os maiores volumes no Maranhão, Piauí, Ceará e no Oeste da Bahia, onde poderá chover até 150-200 milímetros no acumulado até o dia 4.

Em boa parte do Brasil Central e da região Sudeste, as chuvas continuarão em curto prazo, com volumes de até 100-150 milímetros nesse mesmo período, o que mantém o alerta e a preocupação com relação à evolução dos trabalhos no campo (colheita da safra de verão e semeadura da segunda safra ou safra de inverno), além, é claro, dos danos às cidades e população.

 Figura 4 Previsão de chuvas no Brasil entre os dias 30 de janeiro e 7 de fevereiro de 2020, em milímetros. 

Previsão de chuvas no Brasil entre os dias 30 de janeiro e 7 de fevereiro de 2020, em milímetros.

Fonte: USDA

Rafael Ribeiro de Lima Filho – zootecnista, msc.
Scot Consultoria

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