Inverno mais seco em relação à média histórica

“No Paraná, o déficit de chuvas no trimestre maio, junho e julho chegou a 400 milímetros em relação a esta média”.

O trimestre maio, junho e julho compreende o período seco em boa parte do país, com exceção do Nordeste onde o período chuvoso ocorre nos meses mais frios. Ou seja, normalmente é um período de menor volume de chuvas.

Em 2018, no entanto, a situação em termos de precipitações ficou bem abaixo da média histórica.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), nos meses em questão, os volumes foram menores em toda a região Sudeste, além de boa parte do Centro-Oeste (excluindo o Noroeste de Mato Grosso), Nordeste (com exceção ao Norte da Bahia), Pará, Rondônia, Acre, Paraná e Santa Catarina. Veja a figura 1.

Figura 1.

Volumes acumulados de chuvas no Brasil em agosto de 2018 (até o dia 28), em milímetros.

Por exemplo, no Oeste e Norte do Paraná, o déficit chegou a 300-400 milímetros em relação à média histórica.

Além dos prejuízos causados às lavouras de segunda safra, principalmente o milho que teve queda de 21,0% na produtividade média este ano (2017/18), frente a safra passada, o menor volume de chuvas atrasou o crescimento das pastagens de inverno cultivadas nos estados do Sul do país.

Situação atual e expectativas

Após um longo período de estiagem, que ultrapassou cem dias em algumas áreas na região Sul do Brasil, as chuvas ocorreram mais dentro da normalidade nestes estados, inclusive acima da média em algumas áreas.

Por outro lado, seguiram em baixos volumes no Brasil Central e também nas regiões Sudestes e Nordeste. Veja na figura 2, que a estiagem persiste em boa parte dessas localidades, tomando como referência o final de agosto.

Figura 2.

Número consecutivos de dias sem chuvas até o dia 30 de agosto.

Com essa irregularidade nas chuvas, a disponibilidade de água no solo apresenta situações distintas entre essas regiões.

No Sul, essa porcentagem variou entre 80% e 90% no final de agosto. Neste caso, a umidade elevada do solo acabou, em alguns casos, dificultando a entrada das máquinas no campo e atrasando a conclusão dos trabalhos de colheita da safra de inverno, por exemplo, o milho e o trigo no Paraná.

Já os menores volumes de chuvas favoreceram a colheita da segunda safra do milho no Centro-Oeste e Sudeste, mas trazem preocupações com relação a retomada das chuvas e plantio da próxima safra de grãos (2018/2019) ou reforma /formação das pastagens nessas regiões.

 

Figura 3.

Disponibilidade de água no solo no Brasil entre os dias 26/8 e 30/8, em milímetros.

Isso porque para os próximos meses (setembro, outubro e novembro), a previsão é de que nos estados da região Sul o volume das chuvas fique acima da média histórica, o que deverá favorecer os trabalhos no campo e restabelecimento das pastagens de verão.

Já nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, o volume de chuvas deverá ficar abaixo dessa média, com déficit de 50 a 200 milímetros, dependendo da região.

Este fato deixa o mercado em alerta para a semeadura da safra 2018/2019.

Para as pastagens, os atrasos nas chuvas ou precipitações em menores volumes neste período poderão significar uma retomada mais tardia do vigor do capim.

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