O Clima e a reta final da colheita da safra 2018/2019

O clima seco colaborou para o avanço da colheita da safra de inverno no Brasil Central e Centro-Sul.

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Nas duas primeiras semanas de agosto, choveu forte apenas no extremo da região Norte do país (Amazonas, Pará, Roraima e Amapá). Os volumes chegaram a 150-200 milímetros no acumulado até o dia 8.

Choveu também no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, em São Paulo, no Leste de Mato Grosso do Sul e no Sul de Goiás, no entanto, em volumes menores, entre 25 e 50 milímetros no período analisado.

As precipitações ocorreram também em uma faixa mais próxima do litoral, que vai do Rio de Janeiro até o Rio Grande do Norte. Destacamos o Sul da Bahia e litoral da região Nordeste, com volumes de até 100 milímetros em agosto.

Observe, na figura 1, que nas demais áreas (em branco no mapa) não choveu neste mês. Essas áreas englobam os estados do Centro-Oeste, o Paraná e parte de Minas Gerais, ou seja, importantes regiões produtoras de milho de segunda safra.

Figura 1
Volume de chuvas no Brasil em agosto (até o dia 8), em milímetros.

Fonte: INMET/ CPTEC

O clima mais seco colaborou para o avanço da colheita da segunda safra de milho nessas regiões. Os trabalhos estão na reta final.

Em Mato grosso, maior produtor nacional, até o dia 2 de agosto, 97,7% da área de milho havia sido colhido, segundo informações do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA).

No Paraná, de acordo com o Departamento de Economia Rural (DERAL), a colheita do cereal atingiu 81% até o dia 5/8. No estado, 92% das lavouras de milho estão entre boa e média condições.

Na tabela 1, apresentamos as condições das lavouras de inverno no Paraná (2018/2019) e as fases de desenvolvimento das culturas.

Tabela 1
Condições das lavouras de segunda safra no Paraná até o dia 5/8/19

* Relativas à área ainda a colher.
Fonte: IDERAL

Em Mato Grosso do Sul, 68% do milho foi colhido nas primeiras semanas de agosto, segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (SEMAGRO).

Para o curto prazo, o cenário deverá seguir favorável para a conclusão da colheita do milho nas principais regiões do país (figura 2).

Figura 2
Condições para a colheita em 48 horas a partir de 8/8/19

Fonte: INMET / CPTEC

Clima e pastagens

Se, por um lado, o clima seco favoreceu o avanço dos trabalhos no campo (colheita), a falta de chuvas e as temperaturas baixas mantêm as condições ruins das pastagens em boa parte do país, incluindo alguns estados da região Norte, como Acre e Rondônia.

A figura 3 traz o mapa de dias sem chuvas no país. No Brasil Central, Tocantins, Oeste da Bahia e Minas Gerais, em algumas localidades não chove há mais de sessenta dias.

Figura 3
Número de dias sem chuvas. Referência: 8/8/2019

Fonte: INMET / CPTEC

Na pecuária de corte, com as pastagens em condições ruins em boa parte do país, a oferta de gado para abate diminuiu nas últimas semanas. Com isso, os preços da arroba firmaram em agosto, depois do cenário mais frouxo em julho.

É importante lembrar que a oferta atualmente é, em grande maioria, composta por bovinos confinados ou provenientes de semiconfinamento, com exceção dos estados do Sul, nos quais são cultivadas as pastagens de inverno.

Previsão

De 9 a 17 de agosto, o cenário em termos de chuvas não deverá mudar muito em relação às últimas semanas.

Isso significa que deverá continuar chovendo apenas nos extremos do país, conforme apresentado na figura 4. As temperaturas, aos poucos, também deverão ficar mais amenas daqui em diante.

Figura 4
Previsão de chuvas no Brasil entre os dias 9 e 17 de agosto de 2019, em milímetros.

Fonte: USDA

Com relação às pastagens, a expectativa é de que as condições melhorem (maior valor nutricional e maior disponibilidade de massa verde) somente após a retomada das chuvas, aumento das temperaturas e maior luminosidade, ou seja, a partir de setembro/outubro, dependendo da região.


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