Tempo seco tem colaborado para o avanço da colheita da segunda safra

Não choveu em boa parte do Brasil Central ao longo da primeira quinzena de julho (figura 1), como era de se esperar para esta época do ano.

As precipitações ficaram restritas às regiões Sul e Norte do país, além de quase toda a faixa litorânea.

Os volumes chegaram a 100-150 milímetros no acumulado até o dia 13 de julho no Leste do Rio Grande do Sul e extremo Norte do Brasil. No restante das áreas em que choveu, os volumes não ultrapassaram os 50 milímetros neste mesmo período.

O tempo seco tem colaborado para o avanço da colheita da segunda safra – milho, sorgo, algodão, etc. (2017/2018) no Brasil Central, além da região Sudeste e do Paraná.

Porém, por sua vez, a falta de chuvas, e as quedas nas temperaturas e dias mais curtos afetaram a capacidade de suporte das pastagens na maior parte do país.

Já no Rio Grande do Sul, as chuvas nas primeiras semanas de julho colaboraram com o desenvolvimento do trigo semeado cedo, porém, nas áreas onde a semeadura foi tardia, os trabalhos foram prejudicados.

Figura 1.

Volumes acumulados de chuvas no Brasil em julho (até o dia 13) de 2018, em milímetros.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na figura 2, está o mapa de dias consecutivos sem chuvas no país, tendo como referência o dia 13 de julho.

No Oeste da Bahia, no Sul do Piauí e no Leste do Tocantins não chove há mais de 60 dias. No Brasil Central a estiagem perdura entre 30 e 60 dias, dependendo da região.

Figura 2.

Número de dias consecutivos sem chuvas. Referência: até 11 de julho de 2018.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dessa forma, a disponibilidade de água no solo está abaixo de 20% em boa parte do Brasil Central, além das regiões Sudeste e Nordeste, no final da primeira metade de julho (figura 3).

No Sul do país, esta disponibilidade variou de 60% de água no solo no Paraná, até próximo de 100% em Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Figura 3.

Disponibilidade de água no solo entre os dias 8 e 12 de julho de 2018.

 

 

 

 

 

 

 

 

Para o final da primeira quinzena e começo da segunda metade de julho, a previsão é de chuvas apenas no Rio Grande do Sul e Norte da região Norte do país.

No Brasil Central não estão previstas precipitações neste período. Já no litoral da região Nordeste poderá chover até 10-20 milímetros entre os dias 12 e 20 de julho. A previsão é de que este cenário perdure até o final de julho. Veja as figuras 4 e 5.

Figura 4.

Previsão de chuvas no Brasil entre os dias 13 e 21 de julho de 2018, em milímetros.

 

 

 

 

 

 

 

Figura 5.

Previsão de chuvas no Brasil entre os dias 21 e 29 de julho de 2018, em milímetros.

 

 

 

 

 

 

 

Para o trimestre agosto, setembro e outubro, a previsão é de chuvas acima da normal climatológica (média histórica) nos estados da região Sul do país, além do Sul de Mato Grosso do Sul e de São Paulo.

Também deverá chover acima da média histórica no Norte e em áreas isoladas na região Nordeste. Os volumes deverão ser entre 10 e 50 milímetros acima da média histórica.

A previsão é de que as precipitações fiquem abaixo da média histórica, com volumes até 50 milímetros menores (áreas em amarelo/bege).

Figura 6.

Previsão de anomalias de precipitações para o trimestre agosto, setembro e outubro de 2018, em milímetros.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por fim, para mantermos no radar de monitoramento, os modelos numéricos de previsão climática indicam que as águas sobre o Pacífico Equatorial devem ficar mais quentes que a normal, indicando o possível início de um fenômeno El Niño.

Para julho, agosto e setembro a previsão é de neutralidade, porém, para os trimestres seguintes (agosto, setembro e outubro; e setembro, outubro e novembro) há uma indicação de ocorrência do fenômeno El Niño, mas ainda é necessário acompanhar a evolução dessa previsão.

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