Botulismo: um problema sério, mas evitável

O botulismo tem potencial para gerar perdas consideráveis no rebanho, mas uma associação de vacinação e práticas relativamente simples diminui muito a chance de ocorrência.

Botulismo

Ao chegar à fazenda, o produtor é recebido pelo capataz com a notícia de que estão com um problema. Eles vão até o pasto e observam uma dezena de bovinos deitados, alguns mortos. A condição corporal dos bovinos não está ruim e os reflexos dos que estão vivos parecem normais, embora não se levantem e tenham dificuldade em respirar.

Esse é um exemplo de um surto de botulismo. A seguir, apresentamos o que é essa doença, quais as causas e como evitá-la.

O que é botulismo?

Diferentemente do que é observado em boa parte das doenças, o botulismo não é causado pela ingestão da bactéria, mas sim pela ingestão de uma toxina por ela produzida.

A toxina botulínica, ao ser ingerida, atua na ligação dos nervos com os músculos, impedindo a passagem do estímulo nervoso e gerando a chamada paralisia flácida. Com isso, os animais perdem os movimentos, mas com estado mental normal, uma vez que a toxina atua apenas na ligação neuromuscular.

A evolução do quadro clínico varia conforme a quantidade de toxina ingerida. Um estudo, envolvendo sete surtos em Mato Grosso do Sul e São Paulo, encontrou mortalidades de 1,7% a 52,5% (Dutra et al., 2001).

A mortalidade equivale à quantidade de animais mortos, frente ao total dos que estavam no pasto ou na propriedade.

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Como o botulismo acontece?

O Clostridium botulinum, bactéria produtora da toxina, está comumente presente no ambiente, no solo e no trato gastrointestinal de ruminantes.

Apesar de presente, a bactéria só se desenvolve na ausência de oxigênio, por isso, é chamada anaeróbia estrita. Com isso, o desenvolvimento exige situações que deixem o local sem oxigênio, como ocorre em partes de cadáveres em decomposição.

A ingestão da toxina pode ocorrer de diversas formas.

Uma é pela água, com contaminação da fonte hídrica. Nesse caso, a presença de uma carcaça de animal em bebedouros, seja um bovino, no caso de um açude, ou mesmo animais menores, como um tatu, por exemplo, pode contaminar a água.

Outra possibilidade é a ingestão de ossos de carcaças que são deixadas erroneamente nos pastos. O processo de decomposição da carcaça permite que a bactéria se desenvolva e contamine os restos do animal com a toxina. O ato de comer ossos é chamado de osteofagia e geralmente está associado à incorreta suplementação mineralizada do rebanho.

Uma terceira possibilidade é a ingestão de alimentos contaminados com a toxina. Isso pode ocorrer por falhas no armazenamento, em processos como a produção de silagem.

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Como evitar o botulismo?

Em propriedades extensivas, com grandes áreas, muitas vezes é difícil o acompanhamento meticuloso e frequente das fontes de água, ainda mais quando há o uso de açudes. Também pode ocorrer de um animal morrer em um local mais afastado e não ser visto, fazendo da carcaça uma fonte de infecção. Por essas e outras, a vacinação é importante.

A vacinação dos bezerros é feita aos quatro meses, com reforço depois de um mês. Depois, a vacinação deve ser repetida anualmente.

Outro ponto importante, mesmo quando é feita a vacinação, é fazer a manutenção da qualidade da água da melhor maneira possível, dentro da realidade da fazenda.

As carcaças de bovinos mortos, independentemente da causa da morte, devem ser retiradas das pastagens para correta destinação, que pode ser a incineração, por exemplo.

A eliminação das carcaças impede que os bovinos tenham acesso aos ossos. Além disso, a correta mineralização do rebanho é importante, não só pelo desempenho produtivo, mas porque diminui a chance de os animais ingerirem ossos que possam não ter sido vistos pelos peões.

Quadro 1. Possíveis causas e ações para prevenção do botulismo.

Botulismo

Considerações

O botulismo é uma doença séria, que pode ocorrer em diversos tipos de sistema, com potencial para perdas econômicas importantes e mortalidades que podem superar 50%. O lado positivo é que as ações de controle e prevenção são de baixo custo e a associação delas diminui muito o risco de ocorrência na fazenda.

Referências (citadas e/ou consultadas)

DUTRA, Iveraldo S. et al. Surtos de botulismo em bovinos no Brasil associados à ingestão de água contaminada. Pesq. Vet. Bras., Rio de Janeiro, v. 21, n. 2, p. 43-48, junho 2001.

QUEVEDO, P. de S. Clostridioses em Ruminantes Revisão. Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária, v. 25, p. 1-16, 2015.

Hyberville Neto – médico-veterinário, msc.

Scot Consultoria

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