O Brasil é um importador de fertilizantes

As importações representaram 77,4% do volume total de adubos entregues no país em 2018.

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O Brasil é o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo e o sexto maior produtor, apresentando déficit na produção em relação ao volume demandado.

Esta grande dependência do mercado internacional (importações) faz com que o Brasil não seja um “formador de preços”, mas sim um “tomador de preços” nesse mercado, com base nas cotações internacionais.

Por isso, destacamos o peso do câmbio (dólar) sobre a formação de preços dos fertilizantes no mercado brasileiro, em reais.

Dados do setor

Segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), em 2018, foram entregues 35,50 milhões de toneladas de fertilizantes ao consumidor final no Brasil, registrando um novo recorde para as entregas.

Naquele ano, o país importou 27,49 milhões de toneladas de adubos, o equivalente a 77,4% da demanda interna. A produção nacional, por sua vez, somou 8,17 milhões de toneladas, totalizando uma disponibilidade interna de 35,66 milhões de toneladas. Veja na figura 1, a evolução da produção nacional e importações nos últimos anos.

Figura 1.
Produção e importação brasileira de fertilizantes, em milhões de toneladas.

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Fonte: Anda / compilado pela Scot Consultoria

Principais origens dos adubos

Dentre os principais fertilizantes, o que o país mais depende das importações, em função da baixa produção interna, são os adubos potássicos, dos quais as compras no mercado externo representam mais de 90% da demanda interna total por esses produtos.

Por exemplo, em 2018, último ano consolidado, o cloreto de potássio (KCl) representou 42% do volume total de adubos importados – nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio(K), tendo como principais países fornecedores de cloreto de potássio o Canadá, a Rússia, a Bielorrússia e Israel.

No caso dos fertilizantes nitrogenados, a dependência do Brasil com relação às importações é menor, variando entre 55% e 65% da demanda interna por esses produtos.

Já em relação ao volume total importado (NPK) em 2018, as importações de adubos nitrogenados representaram 35%, sendo Rússia, China, Argélia, Catar, Nigéria e os Emirados Árabes Unidos os principais fornecedores para o mercado nacional.

Por fim, no caso dos adubos fosfatados, a dependência do mercado internacional é da ordem de 55% a 60% do volume demandando internamente e, em 2018, as importações desses produtos somaram 23% do total de adubos importados pelo Brasil.

No mesmo ano, os principais fornecedores de fosfatados para o Brasil foram Marrocos, Rússia, Arábia Saudita e Estados Unidos.

Expectativas: produção e preços

Para o curto e médio prazos, a expectativa é de que a produção nacional de fertilizantes siga abaixo da demanda interna.

Alguns projetos, como a fábrica de fertilizantes nitrogenados em Três Lagoas-MS, que pertencia a Petrobras e está sendo negociada com um grupo russo, estão paralisados desde dezembro de 2014. Já no caso dos adubos potássicos, as áreas de jazidas no país estão na região amazônica (além do que já é explorado em Sergipe), o que acaba esbarrando nas questões ambientais.

Dessa forma, para os próximos anos, a expectativa é de que o Brasil continue dependendo das importações de adubos para atender à demanda doméstica e, com isso, os consumidores (pecuaristas e agricultores) estão mais sujeitos às variações nos preços desse insumo do mercado internacional.

Para 2020, o dólar em um patamar elevado e os ajustes na produção mundial de fertilizantes (em função dos baixos preços atingidos no mercado internacional) são fatores de alta para as cotações dos adubos no mercado brasileiro.

Autor:  Rafael Ribeiro – zootecnista, msc

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