Selo “Carne Carbono Neutro” e o padrão de qualidade

A adequação do produtor a rigorosos padrões de qualidade garante destaque em mercados cada vez mais exigentes.

Carne Carbono Neutro

Para se manter competitivo no mercado agropecuário, é preciso estar preparado para as mudanças recorrentes das exigências de clientes tanto nacionais quanto internacionais. E quando se fala em padrão de qualidade, é fato que um dos assuntos levados em consideração diz respeito à preservação ambiental. Movimentos como a criação dos Títulos Verdes evidenciam a prioridade, inclusive, de concessão de crédito ao desenvolvimento de empresas que reduzam impactos negativos ao meio ambiente.

Outra opção disponível no mercado e que pode agregar valor ao produto é o selo “Carne Carbono Neutro”. Trata-se de uma marca-conceito elaborada pela Embrapa, que teve início em 2012, visando atender um mercado especial e que tem uma demanda premente. O mais interessante é que ela foi criada no Brasil, ou seja, não é uma adequação de alguma iniciativa ao cenário brasileiro.

Além da certificação, quando obtém o selo, o produtor garante um produto rastreado, diferenciado e de qualidade referenciada não só na questão de carbono neutro, como também de bem-estar animal. Ter um diferencial desse porte possibilita uma posição de destaque em um cenário competitivo. “Sistemas de produção sustentáveis de alimentos são um caminho sem volta. O pecuarista que não estiver preocupado com o modo de produção utilizado e seus impactos no ambiente será ‘naturalmente’ colocado à margem da cadeia”, afirma a Dra. Fabiana Villa Alves, pesquisadora A da Embrapa Gado de Corte.

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Como obter a certificação

Aumentar as vendas internas, as exportações e o faturamento depende, fundamentalmente, da capacidade de atestar a adequação do produtor a rigorosos padrões de qualidade, e o selo “Carne Carbono Neutro” é uma das formas de conseguir essa confirmação. Entretanto, Fabiana lembra que sistemas complexos, com mais de um componente (árvore-animal, árvore-animal-cultivo, animal-cultivo), exigem planejamento, empreendedorismo, visão de negócio e investimento.

Para se obter o selo, um dos pré-requisitos é aliar a criação do gado bovino a sistemas de inclusão de árvores e garantir que as regras estipuladas sejam atendidas. Entre elas, o correto manejo da pastagem, a permanência dos animais por um período mínimo no sistema e o destino final das árvores contabilizadas para o cálculo. “Um bom projeto técnico de ILPF (lavoura-pecuária-floresta), voltado à certificação CCN, conseguirá prever o planejamento de todos os requisitos a serem atendidos, antever dificuldades de adequação e resolução das possíveis dificuldades a serem enfrentadas”, afirma a pesquisadora. Devem ser observados, também, a rastreabilidade e os registros da área de produção, a alimentação (cuja fonte principal deve ser a pastagem) e o manejo sanitário dos animais. Essas são apenas algumas das diretrizes.

Essas ações são necessárias porque o objetivo principal da marca-conceito é neutralizar o metano entérico exalado pelos animais. Seguindo essa linha, sistemas de criação silvipastoril (pecuária-floresta, IPF) ou agrossilvipastoril (lavoura-pecuária-floresta, ILPF) são a chave para compensar a emissão de poluentes.

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Selo “Carne Carbono Neutro”: conquistando mercados mais exigentes

Apenas certificadoras autorizadas pela Embrapa são aptas a aplicarem o protocolo e concederem a certificação. O produtor que tiver estabelecido todos os pré-requisitos necessários para a obtenção da certificação faz o contato direto com a certificadora.

“Além dos benefícios já conhecidos dos sistemas integrados com árvores, como diversificação da renda, redução de riscos, uso mais racional da mão de obra e da infraestrutura e bem-estar animal, há possibilidades de agregação de valor aos produtos oriundos do sistema CCN e da propriedade rural”, destaca Fabiana. Ou seja: cada etapa da cadeia produtiva é um diferencial que aumenta o potencial lucrativo.

Ter um produto amparado por algum protocolo de produção certificado incentiva o consumidor a investir mais e auxilia a melhorar a visibilidade da carne brasileira em mercados mais exigentes, como o europeu. Já no mercado interno, favorece a ampliação do setor de carnes especiais, com apelo de qualidade sensorial (maciez) associada aos benefícios ambientais, como a mitigação dos Gases de Efeito Estufa (GEEs).

“Existe uma grande parcela de consumidores cada vez mais preocupados com a origem dos produtos que consomem, que dão preferência a alimentos oriundos de sistemas de produção capazes de mitigar seus impactos ao meio ambiente e de ‘cuidar bem dos animais’. Não basta parecer, tem que haver comprovação de que realmente é”, finaliza a pesquisadora.

Os sistemas agrossilvipastoril e de criação silvipastoril buscam otimizar o uso da terra integrando diferentes sistemas produtivos, agrícolas, pecuários e florestais dentro de uma mesma área, aumentando a produtividade, a sustentabilidade e a rentabilidade.

 

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