Cenário mais calmo para o boi gordo

Após as valorizações expressivas em janeiro, o mercado do boi gordo trabalhou mais calmo em fevereiro, com oferta curta segurando as pontas diante de uma demanda lenta

Após uma valorização expressiva, de 12,8%, entre o começo de janeiro e 2 de fevereiro, o mercado do boi gordo trabalhou estável, considerando São Paulo como referência. Os preços mantiveram-se em torno de R$ 300,00/@, com negócios acima desse valor para boiadas jovens, destinadas à exportação.  

Houve ajustes de preços em algumas praças, mas o cenário geral é semelhante, sem grandes alterações, com a oferta de boiadas para abate limitada, mas a demanda fraca por carne bovina. A figura 1 mostra a estabilidade observada no último mês, mas perceba que o patamar é superior ao pico observado em 2020.

Figura 1.
Preços do boi gordo, R$/@, à vista, livre de imposto, em São Paulo.

Fonte: Scot Consultoria

A disponibilidade de boiadas segue restrita, o que tem segurado as pontas diante do consumo lento, em decorrência da situação econômica e do período do começo de ano. O fim do auxílio emergencial também colaborou para a redução da demanda nesse início de ano.

As exportações de carne bovina sentiram o período do ano novo chinês, que ocorreu na primeira quinzena de fevereiro e impactou negativamente as compras do país, nosso principal cliente. Mais recentemente, os dados de embarques da terceira semana de fevereiro já indicam uma melhora do escoamento por essa via.

No acumulado até a segunda semana de fevereiro, o volume médio de carne bovina exportada foi 26,8% menor que o mesmo período de 2020. Quando consideramos o acumulado até a terceira semana, o volume médio foi 10,7% menor que o mesmo mês do ano passado (Secex). Apesar de ainda ser queda, demonstra a evolução da terceira semana, que teve volume médio de 8,77 mil toneladas, frente a 4,49 mil toneladas no acumulado das duas primeiras semanas.

A última semana de fevereiro foi a terceira consecutiva de recuos no mercado atacadista de carne sem osso. A desvalorização foi puxada pelos cortes de traseiro, que tiveram desvalorização de 0,5% em sete dias, enquanto os de dianteiro praticamente foram mantidos.

Períodos de renda curta, como o atual, devido ao começo do ano e pela situação econômica em decorrência da pandemia, tendem a beneficiar, ou impactar menos, os cortes de menor valor agregado, como os de dianteiro.

No mercado de bovinos de reposição, após algumas semanas mais calmas, com os compradores receosos pelo mercado do boi gordo mais fraco, o ânimo dos compradores parece ter voltado, principalmente por categorias mais jovens. Como a oferta das diversas categorias segue restrita, o aumento da demanda resultou em ajustes positivos.

Na última semana de fevereiro, houve valorização de 1% na média de todas as categorias de machos e fêmeas anelorados em estados pesquisados pela Scot Consultoria.

Expectativas

Ao que tudo indica, teremos a retomada do auxílio emergencial, provavelmente de maneira menos abrangente e com valor menor que o observado em 2020. De toda forma, isso é positivo para o escoamento de carne.

No mercado internacional, a tendência é de aumento do ritmo de vendas nas próximas semanas e de bons volumes ao longo do ano, lembrando que a lacuna de proteínas na China ainda não foi remediada e as projeções são de aumento de 2,8% na importação de carne bovina pelo país em 2021, mesmo após o acréscimo de 25,2% em 2020, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Do lado da oferta, normalmente há uma concentração maior de vendas de fêmeas em março e maio, mas, como 2021 deve ser mais um ano de investimento na cria e retenção de fêmeas, não esperamos um volume expressivo de gado nos próximos meses, e a expectativa é que tenhamos uma safra de oferta modesta.

Hyberville Neto – médico veterinário, msc.
Scot Consultoria

 

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