Chegada da seca e aumento da oferta de gado

Com o início do período seco, vêm a redução disponibilidade de pastagem e o acréscimo da oferta de gado, observados todos os anos, mas nem todo fim de safra é igual

O cenário de oferta um pouco melhor de boiadas, com o fim de safra, tem permitido que os frigoríficos pressionem as cotações.

Ao final de abril, a pressão de baixa é observada em inúmeras regiões, mas não está forte. A expectativa é de que o mercado siga com oferta crescente ao longo de maio, e o tamanho desse aumento tem que ser acompanhado de perto.

A figura 1 mostra a evolução dos preços do boi gordo desde o começo de 2020. Estamos no primeiro momento de recuos das cotações desde o fim do ano passado.

Figura 1.
Evolução do preço do boi gordo em São Paulo, em R$/@, à vista, livre de imposto.

Fonte: Scot Consultoria

Mesmo com oferta provavelmente maior ao longo de maio, o que não é surpresa, a expectativa é de que não tenhamos um fim de safra dos mais ofertados, uma vez que 2021 tende a ser mais um ano de retenção de fêmeas. Os preços dos bezerros em alta melhoram a rentabilidade e estimulam a cria, o que resulta em retenção de vacas e novilhas nos rebanhos, diminuindo a oferta geral de gado e a produção de carne.

Como é no primeiro semestre que as fêmeas têm maior participação nos abates, fins de safra em anos de retenção tendem a ser menos pressionados do lado da oferta.

Enquanto o mercado do boi gordo trabalha pressionado, o cenário no mercado de reposição segue mais firme. No caso das categorias mais eradas, o momento é de entrada do gado no confinamento, o que melhora a demanda por tais categorias.

A oferta curta de gado tem sido um dos pilares do mercado do boi gordo desde 2020, junto com mais exportações. O mercado doméstico, por sua vez, segue lento, devido à conjuntura econômica e a fechamentos de atividades econômicas para contenção da pandemia.

Até a quarta semana de abril as exportações de carne bovina in natura somaram 106,6 mil toneladas, com média diária de 7,1 mil toneladas. Essa média é 22,2% superior à do mesmo período do ano passado (Secex). Veja a figura 2.

Fonte: Secex | Scot Consultoria

O preço médio foi de US$4,7 mil por tonelada, aumento de 8,7% na mesma comparação. O valor maior resultou em faturamento médio diário 32,9% acima do observado em abril de 2020 (Secex).

Expectativas

Mesmo com o cenário econômico ruim, em decorrência dos efeitos das paralisações pela pandemia, o pagamento de salários e o início de mês colaboram em algum nível para o escoamento de carne.

Com o mercado doméstico auxiliado pelos salários, ainda que lento, de maneira geral, e exportações em bom ritmo, as atenções se voltam ao volume de gado que chegará ao mercado nas próximas semanas.

O patamar do dólar, que nas últimas semanas cedeu um pouco, é outro ponto a ser acompanhado, devido à sua influência nas exportações de carne bovina.    

Resumindo, devemos ter um mercado pressionado pela oferta, mas com retenção de fêmeas e exportações atenuando o cenário, além de uma ajuda pontual do começo de mês.

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Hyberville Neto – médico veterinário, msc.

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2 respostas para “Chegada da seca e aumento da oferta de gado”

  1. Avatar Jefferson Gonçalves de Paula - Minas Gerais (MG) disse:

    Queria que comentasse sobre bezerros, queria acompanhar esse mercado

    1. Pasto Extraordinário Pasto Extraordinário disse:

      Oi Jefferson, tudo bem? Este é um assunto bastante recorrente por aqui, tanto nos artigos técnicos quanto nas matérias de mercado! Te convidamos a assinar a nossa newsletter para receber as últimas novidades sobre este mercado, diretamente no seu e-mail. Para isso, basta acessar a página inicial do nosso site e clicar no botão “Cadastro” que aparece ao lado das últimas matérias. 🤠

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