China: o maior importador de carne bovina brasileira

País asiático se tornou o principal comprador de carne bovina brasileira em 2019 –- e segue na liderança em 2020

Depois de estabelecer um embargo à carne brasileira em 2012, quando um caso atípico relacionado à doença da vaca louca foi identificado no Paraná, a China voltou a importar o produto em 2015. Com uma grande demanda, em cinco anos o país asiático se tornou o principal comprador de carne bovina do Brasil – e, de acordo com os dados de exportação, deve se manter na liderança em 2020.

Nesta série especial, agora sobre a China, apresentamos o comportamento do mercado chinês de carne bovina, trazendo informações sobre o tamanho, cortes mais comprados e outras peculiaridades. Confira!

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Qual o tamanho do mercado?

Com seus 1,3 bilhão de habitantes, a China é hoje o segundo maior consumidor de carne bovina no mundo, de acordo com o relatório Beef Report 2020, da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC). Em 2019, o consumo de carne por lá foi de 8.356,3 mil TECs*, das quais 1.283,2 mil são importadas. O Brasil foi responsável por aproximadamente a metade dessas importações.

Entre janeiro e julho de 2020, 451.695 toneladas de carne bovina saíram do Brasil com destino ao país asiático, o que equivale a um valor FOB de US$ 2,2 bilhões, conforme o Comex Stat, sistema para consultas e extração de dados do comércio exterior brasileiro do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Com isso, até o momento, a participação da China nas exportações de carne bovina brasileira é de 53%.

Apesar dos números representarem recordes de exportação ao país, de acordo com o presidente da ABIEC, Antônio Jorge Camardelli, ainda há espaço para o crescimento desse mercado. “Temos outros itens que estão em negociação, que são outras demandas do mercado chinês. Assinamos, no ano passado, durante reunião intergovernamental, um protocolo de acesso à carne industrializada. Estamos em negociação para exportar carne com osso, alguns miúdos. E, recentemente, eles liberaram a exportação de recortes, que chamamos de trimmings”, diz ele.

Quais os cortes comprados?

Conforme Camardelli, a China costuma comprar todos os tipos de corte. “Ela compra em proporções naturais: dianteiro, costela, traseiro”, diz. Mas ele aponta que o mercado tem peculiaridades que devem ser conhecidas: “Uma das poucas mercadorias que os chineses levam para casa é o garrão bovino. Isso é o que o chinês leva para a cozinha em casa. O restante todo é comido fora de casa”.

O presidente da entidade explica ainda que alguns cortes mais nobres costumam ser adquiridos de outros países, como os Estados Unidos – o que não significa que os criadores e frigoríficos brasileiros devam se sentir “ameaçados”. “Às vezes as pessoas não entendem que o Brasil e os EUA não são países competidores, não são concorrentes. Somados, nós abastecemos o mercado”, afirma.

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Quais as certificações exigidas?

Não há certificações específicas exigidas na China. Em 2004, o Brasil e a China assinaram um protocolo sobre quarentena e condições sanitárias e veterinárias de carne bovina desossada a ser exportada daqui para lá, o qual prevê, entre outras coisas, a aprovação prévia de estabelecimentos exportadores pelo órgão competente do país asiático e suspensão temporária das importações, caso seja detectado algum caso de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB – a doença da vaca louca) no país.

Em outubro de 2019, os dois países assinaram outro protocolo, dessa vez para comercialização de carne termoprocessada.

Como se negocia com o mercado?

De acordo com artigos sobre comércio exterior, como a cultura chinesa é bastante diferente da brasileira, é importante conhecer alguns aspectos antes de negociar com chineses. Um ponto importante é saber que as negociações costumam demorar, já que os chineses valorizam as relações – e, por isso, vão fazer perguntas pessoais e podem convidar para um almoço ou jantar com o objetivo de construir um relacionamento sólido com o novo parceiro de negócios.

Também é importante informar-se sobre a etiqueta chinesa para saber, por exemplo, que a pontualidade é valorizada e que a palavra “não” é evitada. Além disso, mesmo que a negociação aconteça em inglês, saber algumas palavras em mandarim é bem visto, assim como traduzir os materiais apresentados.

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O que o criador deve saber para criar gado com foco nesse mercado?

Conforme Camardelli, uma informação importante para quem quer criar gado com foco no mercado chinês é que o país asiático não adquire carne de animais com mais de 30 meses. Assim, o criador pode precisar aumentar o número de matrizes para conseguir produzir mais animais, podendo abatê-los no tempo adequado.

Depoimento de quem vende para mercado chinês

“A nossa diversificação geográfica sempre nos trouxe vantagens competitivas e um olhar mais amplo sobre oportunidades no mercado global. Nos últimos anos, estreitamos a nossa relação comercial com a China que, desde então, vem crescendo sua participação nas importações de proteína bovina. Isso, porque, com o surto da Peste Suína Africana, o país asiático viu a necessidade de procurar fontes alternativas de proteína animal, já que seu rebanho de suínos não seria suficiente para atender ao consumo interno. Além disso, com o aumento de renda, a população busca proteínas mais caras, cortes com valor agregado. O mercado chinês é bastante relevante para nós e as oportunidades geradas pelo desequilíbrio entre a oferta e a demanda de proteína animal nos trazem perspectivas bastante positivas, não apenas em relação a esse país, mas a vários outros mercados”, diz o diretor de compra de gado da Minerva Foods, Fabiano Tito Rosa.

Agora que você já sabe mais sobre o maior comprador de carne bovina do país – fora o mercado interno –, aproveite para saber mais sobre as projeções para o mercado de boi gordo no segundo semestre.

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*TEC significa tonelada equivalente carcaça. Conforme o Sindicarne, 1 TEC equivale a uma tonelada de carne in natura com osso, ou a 1,3 tonelada de carne in natura sem osso, ou ainda a 2,5 toneladas de carne industrializada.

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