China: projeções de produção e demanda por carnes

Trouxemos as projeções mais recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a produção e a demanda chinesa pelas diversas proteínas.

carne suína da China

O surto de Peste Suína Africana na Ásia, iniciado em agosto de 2018, vem sendo alvo das atenções de toda a cadeia global de proteínas, sendo o foco dado à China.

Em 2018, o país produziu 54 milhões de toneladas de carne suína, o equivalente a 48% do estimado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para o mesmo ano, em nível global. O órgão projeta que a produção do país caia 14% em 2019 e mais 25,3% em 2020.

Essa lacuna de oferta da proteína mais consumida no país tem aumentado a demanda desse gigante de 1,4 bilhão de habitantes pelas diversas proteínas e fornecedores.

O USDA atualizou suas projeções para a cadeia global de proteína animal em outubro e apresentamos aqui alguns destaques.

Redução da oferta chinesa de carne suína

A expectativa do USDA é de que o rebanho de suínos da China, no começo de 2020, seja de 310 milhões de cabeças, uma redução de 27,6% na comparação com o efetivo no começo de 2019, de 428,1 milhões.

Para a produção de carne suína, o órgão revisou para baixo os números de 2019. É esperada redução de 14%, com 46,5 milhões de toneladas, frente a 54 milhões no ano anterior. Para 2020, a expectativa é de continuidade do movimento, com recuo de 25,3% em relação a 2019, e uma produção de 34,8 milhões de toneladas.

Comparando o projetado para 2020 com a produção de 2018, houve diminuição de 35,7%, o que equivale a 19,3 milhões de toneladas de carcaça a menos. Esses valores referem-se à produção de carne suína, mas aí temos um ponto importante. Essa queda de produção eleva os preços dessa carne, o que aumenta também a demanda por outras proteínas, como carne de frango e carne bovina, pelo efeito de substituição. Temos sentido isso no mercado brasileiro, com exportações aumentando de maneira geral.

A figura 1 mostra a evolução de indicadores da carne suína da China.

Figura 1.
Evolução anual de indicadores da cadeia de carne suína da China, frente ao ano anterior.

carne suína da china

Fonte: USDA / Elaboração: Scot Consultoria

Para demonstrar a magnitude da variação da produção de carne suína, esses 19,3 milhões de toneladas a menos equivalem à produção de carne de 77,2 milhões de bovinos, usando carcaças de 250 quilos como referência.

Mantendo o USDA como fonte, para comparação, os abates de bovinos no Brasil, em 2019, devem ser de 40,6 milhões, e a nossa produção de carne bovina de 10,2 milhões de toneladas equivalente carcaça.

A redução da produção de carne suína chinesa, entre 2018 e 2020, equivale a quase duas vezes nossa produção de carne bovina, o que deixa claro o impacto da doença na oferta global de proteínas.

Efeito sobre as demais proteínas

Com a redução de produção dessa magnitude, o país deve continuar com importações crescentes. O acréscimo projetado para as compras chinesas de carne bovina em 2020, frente a 2019, é de 21%. Para a carne suína, o aumento deve ser de 35%, e a carne de frango, que tem sido foco de investimentos no país, deve ter aumento de 20% nas importações.

Destacamos que, no caso da carne bovina, esse aumento de 21% ocorre sobre o acréscimo de 64% projetado para 2019, na comparação com 2018. São dois anos de fortes altas.

A figura 2 mostra também a produção e o consumo doméstico total do país. Mesmo com o aumento das compras de carne bovina, haverá redução do consumo dessa proteína, sendo o aumento dos preços uma das causas.    

Figura 2.
Projeções para indicadores de consumo, produção e importações chinesas em 2020, frente a 2019.

carne suína da china

Fonte: USDA / Elaboração: Scot Consultoria

Para a carne de frango, além do aumento das importações, é esperado incremento da produção e consumo. Isso ilustra o foco que o país tem dado a essa proteína, que possui um ajuste produtivo rápido e pode aproveitar boa parte da cadeia de insumos da suinocultura, sem demandar tanta área como a criação de bovinos.

Considerações

Além do potencial, os efeitos da demanda chinesa já podem ser observados nos nossos números de exportação. No acumulado de janeiro a outubro, houve aumento de 11,3% nas exportações de carne bovina in natura, frente ao ano anterior, que detinha o recorde registrado para o período.

Para 2020, as projeções de preços no mercado futuro apontam para boas oportunidades de vendas das boiadas. Para o produtor, fica a sugestão de aproveitá-las para garantir preços mínimos.

Autor: Hyberville Neto – médico-veterinário, msc.

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2 respostas para “China: projeções de produção e demanda por carnes”

  1. Avatar Obedes Malta Malta - Minas Gerais (MG) disse:

    Obrigado pelas informações

    1. Pasto Extraordinário Pasto Extraordinário disse:

      Nós agradecemos seu carinho, Obedes 🙂

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