China, um cliente que não é para qualquer um

A demanda gigantesca do país beneficia diversos exportadores de carne bovina, mas não são todos que têm potencial para realmente competir com uma pecuária do tamanho da brasileira

A relevância da China nas compras de carne brasileira não é novidade. Também não é exclusiva a informação de que o país é um grande comprador de diversas commodities e de muitos fornecedores.

Nesta análise, o foco será outro. Destacaremos o potencial dos principais fornecedores de carne bovina para o país.

Em 2020, segundo informações compiladas pelo MLA (Meat and Livestock Australia), as importações chinesas de carne bovina aumentaram 27,7%  em relação a 2019, atingindo 2,12 milhões de toneladas.

Em 2019, o aumento foi de 59,7% em relação ao ano anterior e, em 2018, de 49,5%, lembrando que, em 2018, foi deflagrada uma crise sanitária devido ao surto de peste suína africana, o que foi o gatilho do aumento de demanda do país por diversas proteínas.

Figura 1.
Participação dos fornecedores nas compras de carne bovina pela China em 2020.

Fontes: Global Trade Atlas/China Customs /MLA
Elaboração: Scot Consultoria

Entre 2018 e 2019, as vendas de carne bovina brasileiras ao país aumentaram 23,8% e, em 2020, em comparação ao ano anterior, o acréscimo foi de 112,3%.

As vendas da Argentina para a China também cresceram de forma importante em 2020. O aumento foi de 28,5%.

Já o terceiro maior fornecedor, a Austrália, teve redução de 17,4% no volume embarcado para o país. O país oceânico, embora tenha uma pecuária relevante, tem limitações climáticas, como secas e enchentes, que ocorrem de tempos em tempos em regiões importantes para a pecuária, além de um rebanho bem mais enxuto.

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As pecuárias da Nova Zelândia e do Uruguai são ainda menores, tanto em produção como em rebanho. Apresentaremos alguns dados a seguir.

Pecuária nos fornecedores de carne bovina da China

Para esta comparação, utilizamos dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Apenas para o rebanho bovino brasileiro, utilizamos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Veja a figura 2.

Figura 2.
Rebanho e abates de bovinos em 2020.

Fontes: IBGE/USDA
Elaboração: Scot Consultoria

O rebanho bovino brasileiro equivale a 3,9 vezes o efetivo da Argentina, o segundo maior entre os fornecedores chineses.

Fazendo a comparação de outra forma, o rebanho somado dos outros quatro fornecedores destacados anteriormente é de 99, 7 milhões de cabeças, o que equivale a 46,4% do rebanho bovino do Brasil.

Quanto aos abates, o número brasileiro equivale a 2,8 vezes o da Argentina, ou 5,2 vezes os abates australianos no mesmo ano. Os abates totais dos quatro concorrentes representam 72,2% dos abates brasileiros, também considerando o ano de 2020.

Expectativas

O aumento ou a diminuição dos embarques para a China não ocorre exclusivamente pelo potencial de produção. O envio de carne a outros destinos pode estar mais interessante ou outros motivos comerciais diversos. De toda forma, quando a questão é potencial de produção, a diferença do Brasil para os outros concorrentes nesse mercado é gritante.

Para 2021, devemos manter bons volumes para o destino, com uma produção de carne suína ainda em recuperação no país asiático. 

Hyberville Neto – médico veterinário, msc.
Scot Consultoria

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