Chuvas na pecuária, nem sempre é sinal de sorte

Os pastos verdes são um alívio para os olhos do produtor, porém, se o manejo é mal feito, o excesso de chuvas na pecuária pode prejudicar o dia a dia da fazenda.

Chuva na pecuária

Recentemente, acompanhamos nos jornais os prejuízos causados pelas chuvas em cidades como São Paulo e Belo Horizonte.

No meio urbano, quando a água começa a cair o clima de tensão é instaurado, mas no campo a chegada do período das águas é, normalmente, um motivo de comemoração para o pecuarista.

Os pastos ficam verdes, há aumento na oferta de alimento de baixo custo para os animais e, em resposta, o ponteiro da balança sinaliza o ganho de peso do gado.

Contudo, o período das chuvas na pecuária pode se tornar um verdadeiro pesadelo para produtores que não têm uma infraestrutura adequada para lidar com esses acontecimentos.

Mais chuvas, mais perigos

Até o dia 10 de fevereiro, em grande parte da região central de Goiás, por exemplo, a precipitação acumulou 250 milímetros.

Além de Goiás, a região nordeste de Mato Grosso, sul do Pará, oeste de Tocantins e sudoeste de Minas Gerais também registraram altos volumes de chuvas.

Essa quantidade de chuvas na pecuária resulta em diversos problemas para os produtores, como, por exemplo, formação de barro no pasto, principalmente em torno de comedouros e bebedouros e, quando há lama, os animais têm dificuldade para alcançar essas infraestruturas, quadro que pode impactar negativamente no consumo de água e ração.

Assim, se o acesso ao cocho permanecer interditado por um período considerável, o ganho de peso dos animais poderá ser afetado.

Pecuária de leite

Para o gado de leite, a situação é ainda mais comprometedora, pois a lama e o barro causam efeitos imediatos na produção de leite pela interferência no bem-estar das vacas.

Em fazendas leiteiras, além da redução da produção, outro grave problema é o aumento da contaminação bacteriana no leite, como consequência da dificuldade de higienização do úbere, da sala de ordenha e do curral, durante as chuvas.

E, quando os níveis de CBT (Contagem Bacteriana Total) estão altos, o produtor pode não ganhar bonificação e, dependendo do patamar de contaminação, ele pode ser penalizado.

Outra questão danosa para o gado de leite e gado de corte e que acarreta perdas econômicas são as infecções no casco.

As causas das doenças nos cascos dos bovinos são multifatoriais, podendo estar ligadas à nutrição inadequada, por exemplo. Mas, geralmente, os animais claudicam (mancam) por questões relacionadas ao manejo ambiental. Em locais sujos e com umidade excessiva, as lâminas dos cascos amolecem, deixando a pata do animal mais disposta a doenças como dermatite, erosões e úlceras.

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Quando essas doenças atingem os animais, os prejuízos são grandes, pois há diminuição intensa da produção e gastos com tratamento.

Pensando nesse potencial de dano que as chuvas podem gerar, trouxemos algumas alternativas para os produtores que estão enfrentando ou querem evitar esses tipos de problemas causados pelas chuvas na fazenda.

Cuidados na época das chuvas 

Para evitar que o período de chuvas se transforme em pesadelo na fazenda, uma das maneiras mais baratas e simples para impedir a formação de lama, é depositar pedras ou concreto em torno de bebedouros e cochos no pasto, permitindo o livre acesso dos animais a essas infraestruturas, mantendo o perímetro seco e seguro para os cascos.

Falando em doenças podais, não podemos deixar de mencionar também a importância de fazer regularmente o casqueamento preventivo dos animais e o pedilúvio, especialmente em vacas de leite.

Outra alternativa é lançar mão das novas tecnologias disponíveis no mercado, como os cochos móveis, por exemplo.

Esse tipo de cocho pode ser deslocado, evitando a compactação do solo e acúmulo de lama, possibilitando a rebrota do pasto. Esse produto é ideal para pecuaristas que trabalham com rotação de pastagens e sistema de integração lavoura-pecuária.

O preço desse produto varia de acordo com a capacidade de armazenamento, metragem,
matéria-prima utilizada para fabricação etc. Em alguns casos, a cotação pode chegar a R$ 40.000, preço que pode ser diluído, considerando a economia com a mão de obra do tratador.

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Conclusão sobre as chuvas na pecuária

Nas chuvas, a formação de lamaçais no pasto, principalmente perto de comedouros e bebedouros é um problema, pois pode causar danos aos cascos do gado e pode impactar negativamente na produção e desempenho animal.

Existem diversas alternativas disponíveis para o produtor evitar esses prejuízos. Cabe ao pecuarista avaliar qual se encaixa à sua realidade e não deixar uma época tão boa para os pastos ser velada por problemas de um manejo mal realizado.

Autora: Marina Zaia – médica-veterinária. 

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