Cinco dicas para a venda da boiada

Distribuir as vendas, não contar com a sorte e acompanhar o mercado são ações que podem ajudar na consistência dos resultados ao longo dos anos.

dicas para a venda da boiada

Com o tempo e os sustos que o mercado invariavelmente traz, a tendência é que o pecuarista perceba a importância da eficiência dentro da porteira. Ou seja, que com o tempo, ele perceba que é mais fácil, e está em suas mãos, reduzir o custo de produção e produzir mais, aumentando a receita, em vez de depender do mercado para ter resultados.

Em outras palavras, a eficiência produtiva dá “gordura” ao sistema para que ele aguente os solavancos do mercado, mas isso não quer dizer que ele não precise se preocupar nem programar as vendas. Nessa linha, de melhorar os resultados na comercialização, trouxemos algumas dicas para a venda da boiada.   

1. Não tente acertar na mosca

Quando o mercado está subindo, ainda mais como ocorreu no fim do ano passado, é difícil não querer “esperar mais um pouco”. Afinal, se hoje o preço subiu R$ 5,00/@, amanhã é possível que suba mais R$ 5,00/@.  

Em uma boiada de mil cabeças, com 20@/cabeça, uma alta assim representa cem mil reais a mais (20@ x R$ 5,00 x 1.000 cabeças), de um dia para o outro, praticamente sem alteração de custo.

O ponto é que esse raciocínio (de reter o gado) não é só seu. Nesses momentos de alta forte, a oferta de boiadas some, o que retroalimenta o movimento. Em algum momento, aparece alguma oferta ou o frigorífico para de negociar e surge o receio nos vendedores quanto ao término da alta.

O cenário, que era de alta forte, passa a ser de uma oferta expressiva de boiadas, que estava retida e é vendida, na busca de aproveitar os preços altos. Aí o mercado caí, muitas vezes até mais rápido do que subiu. Com isso, a janela de venda da boiada ficou para trás. O ideal é ir negociando aos poucos enquanto o mercado sobe, gerando um preço médio interessante, mas sem buscar a máxima.

Desconfie dos colegas que sempre “acertam na mosca”. Pode até ser verdade por um período, em uma série de vendas de sorte, mas é muito pouco provável.

2. Não confie em preços futuros, a menos que os utilize

Não é raro ver pecuaristas avaliando as estratégias de época de venda, ou mesmo a opção de confinar ou não, observando as cotações no mercado futuro.

O mercado futuro é uma bela ferramenta, mas que só serve se for efetivamente utilizada. Não adianta se programar e projetar resultados olhando o que os preços futuros apontam sem usar ferramentas para garantir tais valores.

Sem serem usados, os preços futuros nada mais são que um punhado de opiniões e apostas, de compradores e vendedores, sobre o que vai acontecer.

Como exemplo, temos os preços futuros de outubro de 2020, que chegaram a superar R$ 220,00/@ em novembro de 2019 e, em meados de abril deste ano, estavam em torno de R$ 190,00/@, à vista. 

Essa queda é devido ao consumo mais fraco no mercado interno com as medidas restritivas em função da pandemia de coronavírus.

Saiba mais: Coronavírus e o mercado do boi gordo

3. Trave as cotações

Seguindo o raciocínio da segunda dica, se os preços estão bons no mercado futuro, utilize-os para travar os preços de venda. Aqui, temos o exemplo citado acima, com cotações atrativas no fim de 2019.  

Aí existem algumas possibilidades: de venda a termo, com o frigorífico, ou a utilização da B3, via contratos futuros ou de opções.

Leia também: Como garantir o preço de venda da boiada

No caso, cada estratégia tem suas vantagens e desvantagens.

4. Distribua as vendas 

De tempos em tempos, algum frigorífico fecha as portas por questões financeiras, gestão, crises, dentre outros. Muitas vezes, deixando pecuaristas credores.

Em uma situação como essa, se o pecuarista concentrou a venda da boiada em um momento e para uma empresa, a receita do ano pode ser comprometida.

Distribuir as vendas ao longo dos meses diminui o risco de mercado. Vender para mais de uma empresa também colabora com a redução do risco para o pecuarista. Se ele vendeu para três frigoríficos no ano, a possibilidade de que os três tenham dificuldades entre a entrega da boiada e o recebimento é muito menor que se o capital a receber estiver em um só.

5. Acompanhe o mercado

As dicas anteriores são importantes, mas acompanhar o mercado é fundamental. Não acompanhar com a pretensão de acertar exatamente o que vai ocorrer, mas com o intuito de entender o momento e as expectativas de médio prazo, o momento do ciclo, entre outros.

Em fases de baixa do ciclo, por exemplo, pode ser a hora de investir em gado. Enquanto em momentos de alta, é interessante antecipar as venda da boiada, dentro do possível.

Considerações finais

Em resumo, não há fórmula mágica, mas um trabalho bem feito dentro da porteira, com um acompanhamento do mercado e com a humildade de saber que um acerto na mosca na comercialização não é garantia de outros, tende a gerar bons resultados.

Autor: Hyberville Neto – médico veterinário, msc.

Clique e leia a matéria completa

Tags

Compartilhe nas suas Redes Sociais:

Cadastre-se e tenha acesso a conteúdos exclusivos e personalizados

Cadastro

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*