Comida de laboratório: hambúrguer de carne sintética?

Frutos do mar derivados de algas e ovo sem galinha aparecem ao lado da carne sintética como algumas das opções que prometem aquecer o setor alimentício.

Comida de laboratório

A chamada comida de laboratório ou comida fabricada, tendência que vem crescendo no país, aparece como a principal solução para a necessidade por comida no mundo, que, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), deve crescer em 70% em até 30 anos. São alimentos sem qualquer ingrediente de origem animal, ou seja, durante o seu desenvolvimento, o animal sai totalmente da cadeia de produção, como, por exemplo, a carne sintética, os frutos do mar derivados de algas e o ovo sem galinha, entre outros.

Esse processo estaria, inclusive, entre as maiores inovações para o setor de Agro em 2019, conforme apresentado por Felipe Giannetti, da Startse, uma das empresas brasileiras referência em orientações para empreendedores brasileiros interessados em inovar e expandir os negócios.

Segundo Giannetti, a estimativa é de que o mercado dos chamados ‘substitutos da carne’ e similares apresente um crescimento de cerca de 30% ao ano nos próximos anos.

O que já é possível encontrar no mercado

Salmão e camarão derivados de alga, ovo sem galinha e a carne sintética são algumas dessas inovações trazidas com a tecnologia aplicada na produção de alimentos. A empresa Terramino Foods, de São Francisco, nos Estados Unidos, por exemplo, inventou no ano passado o chamado ‘salmão vegano’. Com o mesmo aroma, sabor e aparência de um hambúrguer de salmão tradicional, a novidade estaria na base da sua composição: o fungo Koji, rico em proteína e bastante comum no Japão. Além do fungo, outro ingrediente do ‘salmão vegano’ seriam as algas, que, segundo os cientistas, são responsáveis por dar o sabor parecido ao de peixe de verdade.

Os hambúrgueres feitos com vegetais, muito comuns e apreciados nos Estados Unidos, por exemplo, aparecem como uma das grandes apostas do mercado fora e dentro do país. Eles estão entre os itens desenvolvidos por startups e empresas nacionais, além de já terem chegado às prateleiras dos supermercados de São Paulo e do Rio de Janeiro este ano. O produto, feito à base de soja, beterraba e outros ingredientes, promete trazer textura, aroma e sabor, além da aparência da carne bovina.

A primeira startup a trazer a carne sintética ao mercado brasileiro foi a foodtech Fazenda do Futuro, com o produto Futuro Burger, já vendido na rede Lanchonete da Cidade e nos supermercados Pão de Açúcar e St. Marché, os três em São Paulo. De acordo com dados divulgados pelo dono da startup, Marcos Leta, a Fazenda do Futuro produz atualmente 150 toneladas de carne sintética por mês. Mas sua capacidade de produção pode chegar a até 500 toneladas do produto em sua fábrica no Rio de Janeiro.

Quer saber como a Leta chegou à carne sintética? Após dois anos de estudo do mercado e das moléculas da carne, com direito a uso de língua artificial para identificar o gosto dos alimentos, ele desenvolveu uma fórmula própria que trouxe a mesma textura do produto tradicional. Em sua composição, estão proteína de soja, grão-de-bico, ervilha, aromatizantes, temperos naturais e beterraba para dar a cor de sangue da carne.

Outras empresas seguem o caminho da Fazenda do Futuro ao produzirem suas versões da carne sintética, como a Behind the Foods em sociedade com a Kraki, Centro de Pesquisa e Inovação de Santo André, em São Paulo, a Seara e a Superbom, entre outras.

Origem da ‘carne vegetal’

A novidade trazida ao país pela foodtech Fazenda do Futuro não é inédita. A ideia de uma carne sintética mais parecida em textura, cor, sabor e aroma à versão animal foi lançada pela empresa americana Impossible Foods, em 2016, com seu hambúrguer 100% vegetal.

A diferença entre esse hambúrguer e o da Fazenda do Futuro está em uma molécula chamada ‘heme’, que contém ferro, presente em todas as plantas e animais, e que é produzida por meio da engenharia genética e da fermentação de levedo. É ela a responsável por dar aroma, sabor e textura à versão vegetal, segundo os cientistas.

Disco vegano ou carne sintética?

Expressões como “carne de jaca”, “carne de soja”, “bacon vegano”, “salsicha de soja”, “hambúrguer vegetal”, assim como as que fazem ligação entre produtos de origem animal e vegetal, estariam proibidas de serem utilizadas pela indústria de alimentos, segundo apresenta o Projeto de Lei 2876/2019, protocolado pelo Deputado Federal do PSL Nelson Barbudo. De acordo com a última atualização publicada no portal da Câmara dos Deputados, o PL foi enviado para a avaliação da Coordenação de Comissões Permanentes (CCP) em 12 de junho deste ano.

Se aprovado o Projeto de Lei, as empresas que desenvolvem e comercializam os ‘hambúrgueres’ ou ‘carnes vegetais’ terão que mudar o nome de seus produtos nos rótulos e nas embalagens. Uma das alternativas sugeridas por um movimento na Europa seria chamá-los de ‘discos veganos’. Se for permitida a manutenção dos termos, vai se tornar ainda mais comum e natural ouvir falar em carne vegetal, como também o seu consumo.

Com mais uma alternativa de alimento, ao lado das carnes de boi, frango e porco (produtos de origem animal), o consumidor amplia seu leque de opções e todos ganham com o crescimento dos negócios. Uma oportunidade para quem está atento aos movimentos do mercado e às necessidades de melhorar cada vez mais a qualidade dos produtos para buscar diferenciais relevantes para o cliente.

Você já experimentou a carne vegetal? O que achou do produto?

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