Como a suplementação proteica no período seco pode melhorar a eficiência dos bovinos em pasto?

O uso desses insumos melhora a eficiência produtiva dos animais no período seco do ano, de menor disponibilidade de pastagem.

A suplementação dos bovinos de corte em sistemas de pastejo é realizada normalmente no período seco do ano para minimizar as perdas da baixa produção e qualidade da planta forrageira (pastagem), já que há deficiências nutricionais decorrentes da diminuição da luminosidade e das chuvas, além das temperaturas mais baixas.

O objetivo é suprir as deficiências basais da forragem por meio do fornecimento associado de fontes de nitrogênio solúvel, macro e microelementos minerais e fontes de proteína e energia, possibilitando ganhos produtivos através da melhora na conversão da forragem ingerida em produção animal.

A suplementação traz benefícios para os animais e para o sistema em geral, tais como o aumento da taxa de natalidade, aumento do peso na desmama e maior ganho de peso. Além disso, favorece a terminação antecipada, melhor acabamento dos animais, maiores taxas de lotação e o giro mais rápido da produção.

Tipos de suplementação

A suplementação pode ser apenas mineral, com o fornecimento de micro e macrominerais, conhecida como linha branca, mineral proteica, por meio dos denominados ureados, proteinados ou proteicos energéticos, ou ainda mineral energética.

Os suplementos minerais proteicos são compostos de macrominerais (cálcio, fósforo, magnésio, potássio, enxofre e sódio); microminerais (ferro, cobre, zinco, manganês, cobalto, iodo e selênio); e fontes proteicas/alimentos concentrados proteicos (farelo de soja, outros farelos, caroço de algodão, ureia pecuária, entre outros).

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Veja mais detalhes sobre os preços dos alimentos concentrados proteicos neste artigo.

Já os suplementos minerais energéticos são aqueles compostos de macrominerais e alimentos concentrados energéticos, como milho, sorgo, polpa cítrica, farelo de trigo, etc., com o intuito de melhorar o valor energético da dieta. É uma estratégia usada normalmente no período das águas.

Neste artigo, focaremos a suplementação proteica.

Fontes de proteína

Os bovinos são capazes de utilizar tanto o nitrogênio oriundo das fontes naturais de proteína, como os farelos e os grãos, conhecidos como proteínas verdadeiras, quanto fontes não proteicas, como a ureia pecuária.

A principal fonte de proteína verdadeira utilizada na pecuária é o farelo de soja, que contém por volta de 44% de proteína bruta (PB), e a principal fonte de nitrogênio não proteico (NNP) é a ureia. A ureia pode substituir parcialmente o farelo de soja ou farelo de algodão, reduzindo o custo final dos suplementos proteicos.

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Como utilizar a suplementação mineral proteica?

Utilizando o suplemento mineral proteinado, o nitrogênio melhorará o desempenho dos micro-organismos ruminais, aumentando a ingestão de nutrientes e energia pelo animal provenientes da pastagem.

Na primeira semana, os animais precisam se adaptar ao suplemento. O suplemento mineral proteico deve ser misturado com o suplemento mineral convencional na proporção 2:1 na primeira semana e 1:1 na segunda semana, para que os microrganismos do rúmen que utilizam nitrogênio não proteico se multipliquem. Caso a adaptação não seja realizada corretamente, pode ocorrer intoxicação dos animais (EMBRAPA).

A quantidade de proteína verdadeira e ureia presente no suplemento dependerá do teor de proteína bruta do proteinado e do valor nutricional da forragem ofertada, por isso, vale a análise bromatológica da forragem para determinar o uso do suplemento.

O consumo médio diário de suplemento mineral proteico é de, aproximadamente, 1 g/kg a 2 g/kg de peso vivo, ofertado de forma constante, de preferência em cochos cobertos e com orifícios que permitam o escoamento de água, principalmente se conter ureia (EMBRAPA). Não há necessidade de abastecer os cochos diariamente, porém, é importante que eles sejam monitorados.

Fique de olho!

Mesmo com o uso da suplementação, é fundamental a disponibilidade de forragem, pois, se os animais não tiverem consumo de matéria seca (MS) em quantidade suficiente, os benefícios da suplementação podem não ser atingidos.

Ademais, a qualidade do suplemento, proveniente de fornecedores confiáveis, é essencial para se obter bons resultados e garantir a saúde dos animais.

Os resultados econômicos são favoráveis ao uso da suplementação mineral proteinada, porém, é preciso avaliar a disponibilidade e a qualidade da forragem, a categoria animal e o mercado, como o preço dos insumos e a compra e venda de animais, além do preço de venda da arroba do boi gordo.

Referências

EMBRAPA. https://old.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/doc/doc108/03seca.html

EMBRAPA. https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/120040/1/Nutricao-Animal-livro-em-baixa.pdf

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