Como maximizar a eficiência de uso da pastagem pelo ruminante?

Entenda por que a suplementação durante o período das águas não deve ser ignorada.

O período das águas é uma grande oportunidade para o pecuarista explorar o potencial genético de seus animais e a qualidade de suas pastagens. Nesse período, a abundância de chuva, luminosidade e alta temperatura permitem que as plantas forrageiras apresentem melhor taxa de crescimento, desde que sejam bem manejadas em solos férteis e conservados.

Devido à boa oferta e qualidade das forragens, muitos pecuaristas acreditam, erroneamente, que não é necessário suplementar os bovinos nas águas, o que limita o desempenho zootécnico dos animais em um período bastante estratégico, tornando o negócio menos competitivo e dirigindo na contramão da pecuária de ciclo curto em pastagens.

Estacionalidade de produção

Ao longo do ano, as forrageiras apresentam volume produzido e níveis nutricionais diferentes (figura 1), devido às variações na pluviometria, incidência luminosa e temperatura de acordo com as estações do ano. Assim, é necessário ter estratégias nutricionais adequadas para cada período.

Figura 1.
Porcentagem de proteína bruta (%PB) na matéria seca da Brachiaria brizantha cv. marandú ao longo dos meses.

Fonte: Pasto com Ciência (2020)

Conceitos

Nesse contexto, é importante destacar dois conceitos: energia metabolizável e proteína metabolizável.

A energia metabolizável é aquela disponível para as células dos tecidos corporais do animal. É a energia que resta quando se subtrai as perdas através da urina e outros processos metabólicos.

Já a proteína metabolizável é o total de aminoácidos absorvíveis no intestino delgado.

A principal fonte de energia para o ruminante é o carboidrato, que pode ser classificado em três frações de acordo com sua digestibilidade e taxa de degradação: (A) açúcares, (B) amido e pectina e (C) carboidrato indisponível.

Assim como os carboidratos, as proteínas também são classificadas, da mesma forma, em três categorias: (A) nitrogênio não proteico, (B) proteína verdadeira solúvel e (C) proteína indisponível.

O que acontece no rúmen do bovino?

No período das águas, os níveis de proteína das forragens tropicais bem manejadas ficam mais elevados. Essa proteína é digerida por microrganismos ruminais e transformada em aminoácidos e amônia. A amônia produzida no rúmen é utilizada por esses microrganismos como fonte de nitrogênio, sendo a disponibilidade de energia o fator limitante para a sua captação.

Existe uma proporção correta entre as fontes de proteína e energia que maximiza a eficiência do uso de nitrogênio pelos microrganismos, promovendo maior disponibilidade de proteína absorvível no intestino (proteína metabolizável) e menor concentração de nitrogênio na urina.

O ideal é correlacionar fontes de energia e proteína com a mesma taxa de degradação, assim, ambas as fontes serão utilizadas pelos microrganismos em sua máxima eficiência.

Por que suplementar?

A maioria das forragens tropicais, mesmo no período das águas, não apresenta níveis adequados de energia para que a proporção acima explicada seja atingida. Com isso, a necessidade de suplementação nesse período é justificada.

O teor insuficiente de energia das forragens tropicais nas águas pode ser suprido por meio de suplementação energética. Essa suplementação pode ser feita pela oferta de milho moído, polpa cítrica, farelo de amendoim, além da possibilidade de uso de suplementos comerciais prontos para oferta.

A depender da quantidade de concentrado ofertada, pode ocorrer um efeito substitutivo da forragem pelo suplemento e até possibilitar aumento da taxa de lotação. Também é possível realizar a suplementação proteica, que pode suprir o déficit de energia ao estimular maior consumo de forragem.

Viabilidade econômica

Abaixo, na tabela 1, estão expostos os custos médios com o saco (30 kg) dos respectivos suplementos e estimativas de ganho diário, além de consumo médio diário por animal.

Tabela 1.
Custo da suplementação, consumo médio diário e ganho diário estimado de bovinos de acordo com o tipo de suplemento.

Fonte: Scot Consultoria

Tendo como base um animal de 250 kg e um período de 110 dias de suplementação (duração média do período das águas), o custo com suplementos mineral, proteico e proteico-energético é de R$ 27,21, R$ 85,25 e R$ 304,33, na mesma ordem.

O ganho em arrobas para cada suplementação é de 1,8, 2,4 e 3,1, respectivamente.

A referência para a arroba do boi gordo, em São Paulo, está em R$ 335,00 (11/3), preço à vista e já descontados os impostos.

Com isso, temos um lucro de R$ 586,96 para o suplemento mineral, R$ 713,17 para o proteico e R$ 739,75 para o proteico-energético.

A estratégia de suplementação a ser adotada vai depender do objetivo do produtor e da viabilidade econômica, que pode diferir do exemplo acima.

É importante destacar que a suplementação proporciona aumento de produtividade nas áreas já exploradas, promovendo uma produção ambiental economicamente sustentável.

Jéssica Olivier, engenheira agrônoma e analista de mercado Scot Consultoria

Lorraine Nóbrega, zootecnista e analista de mercado Scot Consultoria

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