Conheça um case de sucesso da IPF: a Fazenda Bacaeri Florestal

Veja como o sistema de integração de culturas Pecuária-Floresta trouxe novas possibilidades de negócio para a Fazenda Bacaeri Florestal, no Mato Grosso.

Case de Sucesso da IPF

Os sistemas de integração de culturas já podem ser considerados uma realidade nas propriedades rurais brasileiras. Seja o Sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), Sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) ou o Sistema de Integração Pecuária-Floresta (IPF), também chamado de Sistema Silvipastoril (SSP). Para a implementação de cada um deles na propriedade, é necessário análise e planejamento prévios.      

Foi dessa forma que a Fazenda Bacaeri Florestal, localizada na região de Alta Floresta, no Mato Grosso, passou a contar com o Sistema IPF em seu negócio, há 10 anos. De 1996 até 2003, eram utilizados plantios convencionais. Depois de um período de seis anos sem plantios, com pesquisas sobre os sistemas existentes disponíveis e a avaliação das características da região e da fazenda, foi percebido o potencial de negócio com a IPF.

“Como acontece com outros profissionais do setor da pecuária, vínhamos com um cenário de morte de plantas e de redução na capacidade de produção de carne, entre outros desafios. Com o resultado positivo da pesquisa em relação à IPF, passamos a acreditar no sistema, pois ficamos mais seguros quanto ao processo de comercialização e à diversificação de renda e atividade com a inclusão de um novo produto”, conta o gerente de operações da fazenda Augusto Passos.

Case de sucesso da IPF

Augusto Passos, gerente de operações da Fazenda Bacaeri Florestal

Medidas adotadas para a integração

Durante a pesquisa feita na fazenda para se iniciar a Integração Pecuária-Floresta (IPF), estiveram presentes fatores como análise do solo, adubação, uso de sementes de melhor qualidade e o impacto do sombreamento na área. De acordo com o gerente de operações da propriedade, foram realizados estudos técnicos e executados protocolos com mensuração anual. Mudas bem produzidas e árvores superiores foram selecionadas, assim como mudanças nos conceitos da época mais adequada para as podas. “Como o lugar no qual plantamos as árvores precisa ficar 12 meses em descanso, fomos analisando o que acontecia com o capim. Ele se regenerou com o ‘pousio’ (período de repouso da terra), e as árvores cresceram muito bem”, explica o gerente, acrescentando que “foram priorizados solos apropriados com fertilidade natural e definidas podas no início e na metade da época de chuva, ao invés de podar durante a estiagem”.

Outro aspecto avaliado e modificado na fazenda foram os espaçamentos e a disposição de plantio, antes feita em relação ao solo, curva de nível e, agora, realizada em relação ao sol. “Fomos percebendo que o capim apresentava melhor produção com maior incidência de luz na orientação Norte-Sul. E, no período das chuvas, comparado à época da estiagem, a perda das folhas das Tecas não tinha muito problema em relação à disposição do plantio”, detalha Passos.

Controle de plantas daninhas

Para cada sistema de integração de culturas na propriedade rural, é necessário adotar um controle específico em relação às plantas daninhas, preservando a produtividade da fazenda de uma possível infestação. Na IPF, o cuidado deve ser ainda mais criterioso, já que nem todos os produtos podem ser utilizados na pastagem e na floresta. Para isso, é necessária a análise e a consultoria de profissionais capacitados, que identificam a melhor maneira a ser adotada no controle das plantas daninhas e a adequação dos defensivos agrícolas.

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Na Fazenda Bacaeri Florestal, foram escolhidos produtos específicos para a área exclusiva de forragem e outro para as áreas de IPF, na qual existe a espécie de árvore Teca. Atualmente, a área com a espécie possui 1.200 hectares de plantio convencional e 700 hectares em IPF.

Case de sucesso da IPF

Área de pastagem e árvores Teca na Fazenda Bacaeri Florestal

“No início, foi um desafio para o negócio selecionar o defensivo agrícola no controle das folhas largas e cuidar para que não alcançasse as folhas das árvores. Depois de testes, optamos pelo defensivo Truper, da Corteva Agriscience™, e temos tido excelentes resultados. Ele é utilizado a partir do terceiro ano, com a poda das folhas do baixeiro. Tem nos auxiliado de forma significativa e não danificou em nada o crescimento da Teca”, explica Augusto.

Outro resultado positivo percebido na fazenda pelo gerente de operações, a partir da integração das culturas, foi a diminuição no número de plantios e nos custos de manutenção. Segundo ele, a redução chega a nove vezes se comparado ao sistema convencional. “Comparamos os custos de plantio e manutenção das árvores em sistema convencional, no qual na época plantávamos 1.100 árvores por hectare para colher 150 no corte final, em 25 anos. Hoje, plantamos um total de 160 árvores por hectare. Com essa diminuição nos custos, teríamos a retomada de receita com o gado a partir do terceiro ano, o que nos ajudaria a manter os manejos das florestas”, defende.

Ele também destaca os testes feitos com plantios de origem de sementes de bosques nativos, plantados na propriedade, comparados a clones existentes no mercado. O resultado? Comparados a árvores em plantio seminal, os clones produzem hoje três vezes mais o volume por hectare. “Estamos pesquisando e aprimorando, com outros produtores, testes com indivíduos para desenvolver novos clones”, informa.

A experiência da Fazenda Bacaeri Florestal é mais um exemplo de que adotar um sistema integrado de culturas pode trazer oportunidades de negócios, mas também desafios, a pecuaristas e produtores.

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2 respostas para “Conheça um case de sucesso da IPF: a Fazenda Bacaeri Florestal”

  1. Avatar Placidio J Passos. - Paraná (PR) disse:

    Parabéns pela condução dos trabalhos de pesquisa e pelo manejo florestal e dos animais de recria e engorda Augusto. Um forte abraço.

    1. Pasto Extraordinário Pasto Extraordinário disse:

      Olá Placidio, tudo bem?
      Que bom que você gostou da matéria. Agradecemos pelo seu comentário.
      Grande abraço.

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