Coronavírus e mercado do boi gordo

Informações válidas para 14/4/2020. Expectativas de mercado podem variar ao longo do período.

Começo da segunda quinzena de abril

As vendas de carne bovina no mercado doméstico têm sido for temente afetadas pela quarentena, com restaurantes e bares fechados. De toda forma, na última semana, o pagamento dos salários foi um alívio, com um notável acréscimo das vendas na ponta final, com parte da população repondo os estoques domésticos para enfrentar o isolamento social.

O volume de vendas apresentado pelo varejo durante o fim de semana prolongado, com a posterior recomposição de estoques deve ditar o ritmo do mercado do boi gordo no curto prazo. Essa recuperação das vendas no varejo é algo que acompanharemos nos próximos dias.

O feriado da terça-feira da próxima semana (21/4), interferindo nos negócios com boiadas, e um possível efeito positivo sobre o consumo, também está no radar.

Ainda considerando o
consumo doméstico, o último relatório Focus do Banco Central aponta para um recuo de 1,96% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2020.

Por outro lado, a taxa de câmbio projetada para o fim de 2020 está em R$ 4,60/US$. Fator que deve colaborar com as exportações. Para o curto prazo, a tendência é de um mercado do boi gordo sendo experimentado pelos compradores, com ofertas de compra desestimulantes, uma vez que as programações de abate não estão apertadas.

Estamos
entrando na segunda quinzena do mês, normalmente de consumo mais lento. No entanto, caso medidas de redução do isolamento comecem a ser observadas (oficialmente ou por relaxamento da população), provavelmente, assistiremos a um aumento do escoamento da carne, algo a ser monitorado.

Paralelamente, com a redução das chuvas, típica do período, a tendência é de uma redução da qualidade das pastagens, com consequente aumento da oferta de gado, o que pode abrir espaço para um cenário mais pressionado.

Pressão sobre a margem da atividade leiteira

A demanda por lácteos prejudicada em função do foi fechamento de estabelecimentos comerciais e de prestação de serviço, tais como, restaurantes, lanchonetes, bares e hotéis.

O segmento mais afetado foi o de queijos. A segunda quinzena do mês,
naturalmente, é pior para o escoamento na ponta final da cadeia. Diante disso, mesmo com a
produção de matéria-prima (leite cru) em queda nas principais bacias leiteiras do país, o viés de alta observado até então no mercado do leite poderá perder força.

Para o pagamento a ser realizado em abril, referente à produção entregue em março, 54% dos laticínios pesquisados pela Scot Consultoria apontam para manutenção dos preços pagos ao produtor, 32% estimam alta e os 14% restantes falam em queda.

Apesar da maior parte das indústrias estimarem estabilidade de preços ao produtor, não estão descartados recuos, em especial, nas
regiões produtoras de queijo no Centro-Sul, como Minas Gerais e Rio Grande do Sul, por exemplo, onde as cotações do leite no mercado spot já caíram, em função da maior oferta por parte dos “queijeiros”.

No Nordeste, com as chuvas esperadas para este período, a expectativa é de uma recuperação da produção de leite em curto e médio prazos, o que deve pressionar negativamente os preços pagos aos produtores.

Para o produtor de leite,
o momento é de atenção, pois além da pressão sobre o faturamento, os custos de produção da atividade estão subindo, puxados pelos alimentos concentrados, principalmente.

Pelo sexto mês consecutivo, os custos de produção da atividade leiteira subiram. O indicador calculado pela Scot Consultoria acumula 15,1% de aumento desde então e, em relação a igual período do ano passado, os custos estão 12,9% maiores este ano.

Oportunidades para o pecuarista para a compra de milho e farelo de soja

Os preços do milho caíram na segunda semana de abril.

Segundo levantamento da Scot Consultoria, na região de Campinas, em São Paulo, a referência recuou para R$ 57,00 por saca de 60 quilos (13/4), depois de atingir R$ 62,00 por saca no início deste mês.

A pressão de baixa é devido às incertezas com relação à demanda, já que a queda nas vendas de carnes no mercado doméstico poderão levar a ajustes na produção primária (aves e suínos, por exemplo) e, consequentemente, afetar a demanda pelo cereal.

Além disso, o recuo do dólar nos últimos dias e as boas expectativas com relação à segunda safra de milho (2019/20), por ora, colaboram com o cenário mais frouxo de preços no mercado brasileiro.

No relatório de abril, a Conab revisou para cima (+2,4%) a área com milho de segunda safra nesta temporada, frente à estimativa de março, assim como a produtividade média (+0,4%). Com isso, a produção estimada para a safra de inverno aumentou 2,8% na
comparação com a previsão anterior. Já na comparação com a safra passada, o volume deverá crescer 3,1%. As lavouras estão em fase de desenvolvimento.

No total, o país deverá colher 101,87 milhões de toneladas de milho em 2019/2020, frente às 100,08 milhões estimadas anteriormente e às 100,04 milhões de toneladas colhidas em 2018/2019. Se confirmada, a produção será recorde.

Em curto prazo,
não estão descartadas quedas nos preços. Com isso, o pecuarista que precisa do alimento concentrado para uso nas próximas semanas deve ficar atento às oportunidades de compras nesta e nas próximas semanas, nas quais a demanda e o clima são os principais fatores de direcionamento das cotações.

Já no caso de quem precisa comprar milho para uso no segundo semestre, a sugestão é aguardar para negociar mais próximo da colheita da segunda safra. No caso do
farelo de soja, o momento também é de atenção
por parte dos pecuaristas, já que os recentes recuos do dólar (apesar do patamar ainda elevado) fizeram recuar (ligeiramente) os preços da soja grão e do farelo de soja no mercado interno no fim da última semana.


Rafael Ribeiro – zootecnista, msc. / Hyberville Neto – médico veterinário, msc. / Scot Consultoria

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