Coronavírus e o mercado do boi gordo: semana turbulenta

O Pasto Extraordinário traz as principais notícias da semana sobre os efeitos da COVID-19

Apesar de incerteza atrás de incerteza, a cotação do boi gordo segue relativamente estável, com expectativa de melhoria da demanda e oferta crescente de boiadas.

A semana passada foi marcada pelo pedido de demissão do Ministro da Justiça, o que deixou o cenário político instável. Não que a política não estivesse instável no passado recente, mas a insegurança se acirrou.

Como a demissão ocorreu na última sexta-feira (24/4), ainda há muito o que acompanhar sobre seus desdobramentos e os efeitos na pecuária, tais como câmbio, economia e consumo. No entanto, em um primeiro momento, na sexta-feira mesmo, o dólar superou a marca de R$ 5,70, terminando o dia em torno de R$ 5,65.

A despeito dos possíveis efeitos adicionais dessa situação política na economia, que já estava fortemente afetada pela pandemia, temos o resultado positivo do patamar cambial. Isso ajuda a amenizar o impacto da pressão de baixa das cotações imposta pela China, que vinha trabalhando com menos concorrência no mercado internacional nas últimas semanas e aproveitando a situação para negociar.

Paralelamente, temos um cenário de isolamento social diminuindo, em alguns estados já oficialmente e em outras regiões mesmo sem a liberação oficial. Na última semana, foi relatado algum acréscimo na oferta de
boiadas, o que era esperado para a boca da seca. Por outro lado, estamos próximos à virada de mês, momento de melhor consumo de um dia normalmente parado, com o feriado na sexta-feira zerando o volume de negócios.

A associação desses fatores deve manter o mercado do boi gordo pressionado negativamente, mas talvez não seja uma pressão forte, com a expectativa de alguma melhoria de consumo no começo de mês e, mais adiante, no Dia das Mães. No mercado de reposição, a movimentação está lenta, mas já é observado um acréscimo nas “conversas”, na especulação. A
tendência é de um mercado gradativamente mais ofertado, com a seca exigindo a venda, enquanto compradores, que também venderam as boiadas terminadas, focam em repor o gado.

Leite e derivados: continua a pressão de baixa

Fim de mês não traz expectativas positivas com relação à demanda por lácteos.

As vendas de produtos lácteos continuam travadas, para esta semana, não é esperada a melhoria do consumo.

Com o escoamento ruim, os estoques nos laticínios têm aumentado, o que manteve a pressão de baixa sobre as cotações no atacado neste fim de abril.

A oferta maior está pressionando também as cotações no mercado spot, que é o leite comercializado entre os laticínios. Segundo levantamento da Scot Consultoria, nas regiões Sudeste e Sul do país, a referência que ultrapassou os R$ 1,60 por litro no início de abril, atualmente, está entre R$ 1,20 e R$ 1,45 por litro.

Para o produtor de leite, os dados parciais apontam para a manutenção da queda no preço do leite no pagamento realizado em abril, dependendo da região e do laticínio. Em algumas empresas, os recuos chegaram a R$ 0,15-R$ 0,20 por litro no pagamento feito em abril.

Pontualmente, na próxima semana (4 a 8 de maio), de pagamento de salários, é possível uma maior movimentação na ponta final da cadeia, o que poderá trazer certa firmeza aos preços dos lácteos, mas sem grandes expectativas.

Caso não haja novidades do lado da demanda, mantemos o cenário de queda no mercado do leite para o pagamento a ser realizado em maio.

Milho: atenção à demanda e ao clima

A expectativa é de que a pressão de baixa continue, mas as condições climáticas adversas podem limitar os recuos ou até mesmo dar sustentação, em casos extremos

O viés de baixa continua.

Na região de Campinas-SP, praça referência, a saca de 60 kg está cotada em R$ 50,00, sem o frete, com negócios em até R$ 48,00 no dia 27/4. Nos últimos sete dias, o preço caiu 10,7% na região e, no acumulado deste mês, a queda é de 19,4%.

Apesar da forte desvalorização, a cotação ainda está 35,1% maior na comparação com o mesmo período do ano passado. Destacamos que essa diferença era de 62,2% no início de abril, antes da baixa ganhar força no mercado interno. Para o curto prazo, não estão descartadas quedas nas cotações do milho no Brasil, devido à menor demanda pelo cereal, em função dos ajustes na produção animal (aves e suínos, principalmente), e ao escoamento ruim de carnes no mercado interno.

Outro segmento que tem demandado menos milho é o de etanol. A queda no preço do petróleo (aumenta a competitividade da gasolina) e a pandemia de coronavírus refletiram em diminuição da demanda por etanol e recuos nos preços no país.

No mercado futuro (B3), os contratos de milho com vencimento em maio/20 fecharam cotados em R$ 47,50 por saca (24/4). De qualquer forma, atenção ao clima, já que em diversas regiões produtoras de milho de segunda safra no Centro-Sul, especialmente no Paraná e Mato Grosso do Sul, a falta de chuvas tem preocupado, já que pode prejudicar as lavouras e, consequentemente, as produtividades.

Outro ponto é a maior possibilidade de geadas daqui para a frente, com as quedas nas temperaturas, o que mantém o mercado em alerta.

Rafael Ribeiro – zootecnista, msc. / Hyberville Neto – médico veterinário, msc. / Scot Consultoria

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