Coronavírus versus mercado do boi

Demanda por carne bovina poderá ser afetada, entretanto, a oferta limitada de boiadas para abate deverá contrabalancear o mercado.

coronavirus e o mercado do boi

O surto de coronavírus ganhou força em março, e o que era uma expectativa se tornou realidade. A pandemia trouxe consigo, no mínimo, uma mudança no hábito alimentar da população que, a fim de evitar (ou ao menos diminuir) a disseminação, entrou em quarentena.

Estabelecimentos comerciais que demandam carne, tais como restaurantes, bares e lanchonetes, fecharam as portas e a população passou a se alimentar em casa.

Mas se por um lado a demanda por carne diminuiu nesses estabelecimentos, por outro lado, a população saiu às compras, fez estoques, e isso aumentou a demanda por carne nos supermercados e açougues.

Por mais que os impactos do coronavírus nas economias brasileira e mundial ainda não tenham sido mensurados, é possível afirmar que o desempenho econômico será menor devido à pandemia. Isso quer dizer que, com menor poder de compra, o consumo também será menor em relação ao que estava estimado no início do ano (pré-coronavírus).

Em contrapartida, estamos em um momento de ciclo de alta de preços no mercado do boi gordo. Ou seja, a oferta de boiadas está limitada e assim deve permanecer durante todo o ano de 2020. Esse fator deve dar sustentação às cotações ou, no cenário mais pessimista, limitar as quedas nos preços da arroba do boi gordo.

Situação dos estoques

Na segunda quinzena de março, já em meio ao período de quarentena, compradores e vendedores saíram do mercado. Pouco foi o volume negociado, e as escalas de abate ficaram em torno de três dias em São Paulo, durante praticamente toda a segunda quinzena do mês.

A incerteza de como o consumo iria se comportar diante desse novo quadro foi o que fez os agentes do mercado adotarem tal estratégia.

Contudo, mesmo que o consumo tenha sido afetado, ainda assim houve demanda (uma vez que a alimentação é uma condição necessária). Com isso, sem negócio, as escalas foram reduzindo e os estoques enxugando.

Esse quadro obrigou os compradores a voltarem ao mercado no fim de março. Assim, os frigoríficos que estavam testando o mercado, ofertando preços bem menores do que no início do mês, voltaram a ofertar preços nos mesmos patamares dos negócios efetivados no período pré-coronavírus.

Exportação

Do lado da exportação, até a escrita desta análise, os números mostravam bom resultado. Até a terceira semana do mês, o Brasil exportou uma média diária de 5,8 mil toneladas de carne bovina in natura. Volume excelente, considerando a pandemia, que fez com que a União Europeia, por exemplo, interrompesse as exportações.

Por outro lado, a China está voltando à normalidade. Assim, o gigante asiático está voltando a comprar bons volumes de carne bovina do Brasil.

E, com cerca de 1,5 bilhão de pessoas, o apetite dos chineses pode fazer a diferença no preço da arroba do boi gordo aqui no Brasil.

Vale dizer que o dólar ultrapassando o patamar dos R$ 5,00 tem colaborado com os embarques.

Expectativas para abril

No mercado interno, temos um cenário turvo, em decorrência da pandemia do coronavírus.

A grande questão é como a demanda irá se comportar, sobretudo na primeira quinzena de abril, quando o poder de compra da população é normalmente maior, devido ao recebimento dos salários.

Mas, de qualquer maneira, caso não haja um aumento significativo da oferta de boiadas, a demanda no mercado interno deverá ser suficiente para manter as cotações sustentadas, pelo menos no curto prazo. Com a virada de mês e pagamento dos salários é esperada uma maior movimentação nos supermercados.

Com relação ao mercado externo, a exportação deverá continuar como uma via importante de escoamento da produção de carne bovina.

Caso a demanda no mercado interno tenha recuo intenso, a exportação pode ser o pilar de sustentação da arroba, limitando as desvalorizações e/ou abrindo oportunidades de preços melhores pelo boi gordo, como registrado no último bimestre de 2019.

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