Cresce a importância da rastreabilidade na cadeia de produção

Saiba como essa prática contribui para a sustentabilidade e conheça um de seus melhores exemplos no Brasil

Ao mesmo tempo que a carne bovina brasileira cresce em qualidade de produção e importância econômica – afinal, essa é uma das principais commodities da nossa balança comercial –, aumentam também as exigências para a sua exportação. Sobretudo, aquelas relacionadas à sustentabilidade ambiental.

Já se sabe, por exemplo, que autoridades de mercados como o Reino Unido, a União Europeia (EU) (que já impõe a seus fornecedores as condições da Lista TRACES) e os Estados Unidos (um de nossos maiores parceiros) têm discutido restrições à compra de carne brasileira devido a quaisquer problemas ambientais. E, em um contexto global, também é possível que a China – atualmente o maior destino da nossa produção – venha a reforçar suas exigências de sustentabilidade.

Por mais que o Brasil possua uma das legislações ambientais mais rígidas do planeta, é importante que os pecuaristas preparem-se para atender a essas exigências do mercado internacional, por meio de medidas como a adoção de novas tecnologias mais sustentáveis e a evolução das boas práticas pastoris – que respeitem o meio ambiente, os animais e as pessoas. Entre essas tendências destacam-se as ações de rastreabilidade.

Neste artigo, a Plataforma-S explica o que é esse conceito, por que ele é cada vez mais importante e apresenta o exemplo da Marfrig, maior produtora de hambúrgueres e segunda maior produtora de carne bovina do planeta.

Rastreabilidade: do conceito à mesa do consumidor

Rastrear é monitorar. Por meio da rastreabilidade, os produtores podem atestar a procedência da carne bovina desde o nascimento até a mesa, acompanhando de perto todas as etapas da cadeia produtiva para garantir:

  • a sustentabilidade dos processos;
  • a atuação responsável, legal e auditada de todos os atores;
  • a sanidade do rebanho;
  • e a qualidade do produto final, que terá um valor agregado superior.

Imagine, por exemplo, que, durante algum momento da criação ou engorda, parte do gado tenha sido lotada em uma área de conservação ou desmatamento ilegal. Para a maioria dos mercados importadores – bem como para boa parcela do público final –, essa falha de processo, uma ilegalidade ambiental, bastaria para comprometer a procedência da carne e embargar a compra.

Em uma cadeia produtiva com rastreabilidade, riscos como esse – que, além de macular a procedência do produto final, comprometem as marcas e a credibilidade de todos os envolvidos (pois mesmo quem não cometeu o erro estará relacionado a quem o cometeu) – podem ser antecipados e mitigados.

Rastreando sustentabilidade: o exemplo da Marfrig

Atenta às questões de sustentabilidade, a brasileira Marfrig está desenvolvendo o seu próprio sistema de rastreabilidade, chamado Mapa de Mitigação de Risco de Desmatamento. “É uma ferramenta que indica áreas de possível risco de desmate. A partir dessa identificação, aí sim teremos a possibilidade de compartilhar com o produtor as boas práticas de sustentabilidade, sempre com uma perspectiva positiva de mantê-lo ou incluí-lo na cadeia de suprimentos da empresa”, conta o diretor de Sustentabilidade e Comunicação da companhia, Paulo Pianez.

Segundo Pianez, para mensurar os impactos em toda a cadeia, o Mapa “utilizará várias bases públicas de dados, abrangendo pesquisas e levantamentos de órgãos como IBGE, Ibama e INPE, publicações do Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento da Universidade Federal de Goiás, o Mapbiomas, e também informações do Ministério do Trabalho sobre conflitos sociais e áreas de trabalho escravo”. Do lado do produtor, várias ferramentas poderão ser utilizadas, como brincos, chips eletrônicos, monitoramento geoespacial, o mapa de risco, documentações legais – GTA (Guia de Trânsito Animal), CAR (Cadastro Ambiental Rural), entre outras. “Nossa intenção é juntar todas essas alternativas que existem hoje e ver as mais viáveis e práticas, de forma que o fornecedor possa disponibilizar apenas as informações que ele tiver interesse em compartilhar.”

Em fase de finalização, a expectativa é que o Mapa de Mitigação de Risco de Desmatamento seja implantado na companhia já em 2021, envolvendo os fornecedores diretos e indiretos, inicialmente no bioma Amazônia, ao mesmo tempo que adaptações serão feitas para o monitoramento do Cerrado.

Por fim, Pianez destaca que o Mapa faz parte de uma iniciativa muito maior: o plano Marfrig Verde+, que tem investimento de R$ 500 milhões, a serem aplicados nos próximos dez anos. “Esse plano vem sendo estruturado desde setembro de 2009, com foco na originação de animais a partir de três pilares: desenvolvimento de mecanismos financeiros inovadores, assistência técnica e monitoramento e rastreabilidade, sempre visando à inclusão de produtores com práticas que atendam aos critérios de compra da Marfrig.” E conclui: “A sustentabilidade não está só relacionada à parte ambiental, mas também à perenidade do negócio, ou seja, manter-se no longo prazo, e para isso é necessário envolver a cadeia toda”.

Iniciativas como o Mapa de Mitigação de Risco de Desmatamento, atrelado ao plano Marfrig Verde+, são, além de inspiração, indicadores claros de que o mercado produtor deve adotar mais rastreabilidade e sustentabilidade em todos os elos da cadeia. Importante caminho que a Linha Pastagem da Corteva já vem percorrendo, por meio das iniciativas da Plataforma-S.

LEIA TAMBÉM: Porque lançar uma Plataforma de Sustentabilidade na pecuária

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