Cenário de custos e expectativas para o confinamento em 2021

Após algumas semanas de pressão de baixa, o mercado do boi gordo retoma firmeza. Entenda como fica a expectativa de preços para os próximos meses.

Nos últimos anos, a compra da reposição tem sido uma das pedras no sapato do pecuarista, mesmo com os preços de venda em forte alta desde 2019. Considerando a variação desde o início de 2019 até meados de maio de 2021, tivemos valorização nominal de 99% para o boi gordo, tomando São Paulo como referência. No mesmo intervalo, o boi magro teve alta de 120% e o milho em Campinas subiu 170%.

Ou seja, houve piora na relação de troca com esses itens de custo, que, no confinamento, representam a maior parcela. O boi magro é o principal componente, e o milho normalmente é o que mais pesa na dieta. Mesmo quando não é o ingrediente principal, como seu preço influencia os substitutos, quando ele sobe, a alimentação fica mais cara.

As valorizações das categorias jovens geradas pelos abates de fêmeas, em alta há alguns anos, fez com que observássemos um forte investimento em cria no passado recente. Tal investimento passa também pela retenção de vacas e novilhas, afetando o preço dessas categorias.

A figura abaixo traz a variação dos preços nos últimos doze meses, considerando valores nominais e referências em São Paulo.   

Nos últimos anos, a compra da reposição tem sido uma das pedras no sapato do pecuarista, mesmo com os preços de venda em forte alta desde 2019. Considerando a variação desde o início de 2019 até meados de maio de 2021, tivemos valorização nominal de 99% para o boi gordo, tomando São Paulo como referência. No mesmo intervalo, o boi magro teve alta de 120% e o milho em Campinas subiu 170%.

Ou seja, houve piora na relação de troca com esses itens de custo, que, no confinamento, representam a maior parcela. O boi magro é o principal componente, e o milho normalmente é o que mais pesa na dieta. Mesmo quando não é o ingrediente principal, como seu preço influencia os substitutos, quando ele sobe, a alimentação fica mais cara.

As valorizações das categorias jovens geradas pelos abates de fêmeas, em alta há alguns anos, fez com que observássemos um forte investimento em cria no passado recente. Tal investimento passa também pela retenção de vacas e novilhas, afetando o preço dessas categorias.

A figura abaixo traz a variação dos preços nos últimos doze meses, considerando valores nominais e referências em São Paulo.    

Figura 1.
Variações de preços em doze meses, valores nominais em São Paulo.

Fonte: Scot Consultoria

Apesar de ter tido variação menor no período desde o início de 2019, como apresentado anteriormente, o preço do boi gordo (a receita do confinamento) subiu 57,3%, mais que o principal componente de custo, o boi magro, que teve valorização de 49,2%.

Há um ano, eram necessárias 15,4 arrobas de boi gordo para a aquisição de um boi magro de 12 arrobas, considerando as referências em São Paulo. Atualmente essa relação está em 14,6 arrobas, ou seja, houve melhoria de 5,2% na troca.

Falando do milho, a relação de troca piorou 24,2% no intervalo. Há um ano, com o preço de uma arroba de boi gordo era possível comprar 3,7 sacas de milho, relação que atualmente está em 2,8 sacas por arroba.

Observe as valorizações para as categorias de fêmeas no mesmo intervalo, o que demonstra o momento de investimento na cria, que passa pela produção ou aquisição de fêmeas.

Voltando ao boi magro e milho, quando associamos esses custos, na comparação anual, há uma certa compensação. Tomando como exemplo o custo de 700 quilos de milho (7kg/cabeça em cem dias), mais um boi magro, chegamos ao custo de R$5,66 mil, o que precisa de 18,8 arrobas de boi magro para ser pago. Destacamos que essa troca contempla os dois custos mais relevantes, mas não o total da dieta ou outros custos operacionais.

Há um ano, eram necessárias 18,6 arrobas de boi gordo para a aquisição de 700 quilos de milho e um boi magro. A relação de maio de 2021 está 1,1% melhor.

Cenário para o confinamento bovino nos próximos meses

Considerando as relações de troca com boi magro e milho, temos um panorama próximo do observado em 2020, nesta mesma época.

Por outro lado, as cotações no mercado futuro apontam para preços acima de R$ 330,00/@ ao final de outubro, o que equivale a uma alta de cerca de mais de 6%, em relação aos preços atuais, nesse caso, considerando a referência do Cepea, indicador utilizado para o fechamento dos contratos.

Também existe a possibilidade de utilização de outras matérias-primas na alimentação, o que pode ajudar a conter o impacto nos custos. De toda forma, como o milho é o balizador, o efeito tende a ser mais sentido quando regionalmente há algum negócio interessante.

Com projeções de alta para os preços futuros, o que gera possibilidades de garantia de preços, além da tendência de aumento do confinamento nos últimos anos, devemos ter um cenário de oferta não muito diferente do observado na segunda metade de 2020.           

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