DDG e WDG: uso na nutrição animal e mercado

O DDG e WDG resultantes da produção de etanol de milho são alternativas ao farelo de soja na alimentação de bovinos. Saiba por quê.

O DDG (dried distilled grains) é o grão de milho seco por destilação e é um dos coprodutos das usinas de etanol de milho.

Esse alimento concentrado (proteico) é usado há muito tempo por pecuaristas em países como Estados Unidos, Argentina e Paraguai. No Brasil, com a expansão do mercado do etanol de milho a partir de 2010, o DDG começou a ser ofertado no mercado nacional, com importância relevante na nutrição de bovinos, aves e suínos, entre outros.

Veja, na figura 1, a evolução da demanda por milho para a produção de etanol no país, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Até 2016, os volumes eram irrisórios. A partir daí, o o volume saiu de 500 mil toneladas de milho demandadas em 2017 para 6,63 milhões de toneladas de milho em 2020.

Figura 1.
Evolução da demanda por milho para a produção de etanol de milho no Brasil, em milhões de toneladas.

* Estimativa
Fonte: Conab | Elaborado pela Scot Consultoria

Para cada tonelada de milho processada, são produzidos entre 230 kg e 250 kg de DDG, variando de usina para usina e em relação ao processo. Dessa forma, para 2020, a estimativa é de que tenham sido produzidos entre 1,52 milhões e 1,66 milhão de toneladas de DDG no país.

Basicamente, existem dois tipos de processamento do milho para produção de etanol: o convencional e o com extração da fibra antes da fermentação.

O processamento convencional tem início com a moagem do milho que, após cozido, segue para a etapa de fermentação e destilação, originando o etanol e um material residual. Do resíduo da fermentação e destilação são produzidos três outros produtos: óleo, solúveis e o WDG (wet distillers grains).

Os solúveis podem ou não ser incorporados ao WDG e, ao acrescentá-los, origina-se o WDGS. O WDG e o WDGS podem ser comercializados ou ainda passar por um processo de secagem, dando origem ao DDG e DDGS.

Leia também: Subprodutos do etanol de milho como fonte de proteína mais barata

Mercado

O DDG e o WDG têm ganhado espaço no mercado de nutrição animal em substituição ao farelo de soja e outras fontes de proteínas, por serem alternativas para a diminuição de custos de produção animal.

Essa diferença de preços em relação ao farelo de soja, no entanto, diminuiu nos últimos anos, com a demanda aquecida pelos coprodutos das usinas de etanol de milho, mas ainda assim o DDG apresenta uma melhor relação custo/benefício quando comparamos o custo da proteína bruta desses alimentos.

Nos últimos doze meses, a cotação do DDG subiu 109,5% e a do WDG, 134,6%, segundo levantamento da Scot Consultoria. Para o farelo de soja, no mesmo intervalo, a alta foi de 92,4%.

Confira, na figura 2, a evolução do preço do quilograma da proteína bruta (PB) do farelo de soja e do DDG, em reais. Com as altas de preço maiores do DDG, em comparação com o farelo, a diferença, que era de 29,2% em março de 2020, caiu para 8,1% em março deste ano.

Figura 2.
Evolução do preço da proteína bruta (PB) do DDG e farelo de soja, em R$/kg de PB, em Mato Grosso.

Fonte: Scot Consultoria

Expectativas

A boa procura está dando sustentação aos preços do DDG e WDG no mercado brasileiro.

Além dos setores de aves, suínos e outros (piscicultura, avicultura, equinocultura e linha pet), há boa procura para o primeiro giro do confinamento de bovinos.

Leia Mais: Coprodutos proteicos para uso na alimentação de gado de corte

Segundo levantamento da Scot Consultoria, o DDG está cotado entre R$ 1.260,61 e R$ 1.800,00 por tonelada, sem o frete (referência Mato Grosso e Goiás), considerando os preços convertidos para 32% de proteína bruta (PB).

Para o WDG, os preços variam entre R$ 350,00 e R$ 457,14 por tonelada, nas mesmas condições.

Os preços do DDG e WDG são referências para os contratos com entrega no segundo semestre.

Para o WDG, os estoques estão praticamente esgotados, e boa parte das usinas estão entregando volumes negociados anteriormente.

Para os curtos e médios prazos, a expectativa é de mercado sustentado acompanhando o farelo de soja e o grão de milho. Fica a atenção quanto ao câmbio, que influencia a precificação do milho e do farelo de soja no país.

Com a entrada do período seco no Brasil Central e no Centro-Sul, a expectativa é de uma procura maior por alimentos concentrados nos próximos meses, incluindo o DDG.

Dessa forma, as estratégias de compras do insumo e o planejamento são fundamentais para o sucesso do negócio! Outro ponto importante é verificar a disponibilidade na região e o custo do frete, já que boa parte das usinas estão em Mato Grosso e Goiás.

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Autor: Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnista, msc.

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