De olho na segunda safra de milho!

A segunda safra ou safra de inverno representa, aproximadamente, 70% da produção brasileira de milho e, com isso, tem papel importante na precificação do cereal no mercado interno.

Desde a temporada 2011/12, o volume de milho produzido na segunda safra representa o maior montante no país.

Isso ocorreu em função da soja se consolidar como a principal cultura na primeira safra (ou safra de verão), devido aos bons resultados econômicos apresentados nos últimos anos.

Para a temporada atual, a estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é de que sejam produzidas 100,48 milhões de toneladas de milho no Brasil, sendo 73,27 milhões de toneladas (72,9% do total) na segunda safra; 26,06 milhões de toneladas (25,9%) na primeira safra e 1,16 milhões de toneladas (1,2%) na terceira safra. Veja a figura 1.

Figura 1.
Evolução da produção de milho no Brasil, por safra, em milhões de toneladas

segunda safra de milho
Fonte: Conab / elaborado pela Scot Consultoria

O que essa mudança representa em termos de mercado?

A principal questão é com relação à dinâmica de oferta do cereal no mercado interno.

Antes de 2011/12, por volta de 65% do milho brasileiro era semeado na safra de verão e, com isso, colhido entre os meses de janeiro a março, dependendo da região. Ou seja, boa parte da produção chegava ao mercado no primeiro trimestre, em uma safra com menores problemas climáticos comparativamente com a segunda safra (ou safra de inverno), onde as chuvas ocorrem em menores volumes, além do risco de ocorrência de geadas, por exemplo, que podem prejudicar o desenvolvimento das lavouras e, consequentemente, a produtividade.

Riscos maiores representam uma possibilidade maior de interferências sobre as cotações do milho, especialmente em anos de condições adversas.

Atualmente, a maior parte do milho brasileiro está disponível no segundo semestre, com a colheita da segunda safra ganhando força a partir de junho/julho.

Dessa forma, em termos de preço, considerando um cenário de clima mais dentro da normalidade, as oportunidades de compras para o pecuarista aparecem mais para o segundo e terceiro trimestre, com uma situação mais consolidada acerca da segunda safra, avanço da colheita e maior disponibilidade do cereal no mercado brasileiro.

Vale lembrar que, no primeiro semestre, a oferta do cereal é composta basicamente pelos estoques de passagem (produção em estoque da safra anterior) que se somará ao volume colhido na safra de verão, que no ciclo atual representará menos de 30% da produção.

Esse cenário mais ajustado do lado da oferta traz um viés de alta para as cotações nos primeiros meses do ano. Na figura 2, apresentamos essa dinâmica de preços no mercado interno, levando em conta a média de preços na região de Campinas-SP desde que a segunda safra superou a primeira safra.

Figura 2.
Dinâmica de preços do milho na região de Campinas-SP, preços médios mensais desde 2011, em R$ por saca de 60 quilos, sem o frete.

segunda safra de milho
Fonte: Scot Consultoria

Situação atual

No Brasil, a colheita da safra de verão (primeira safra) está em andamento e, paralelamente, os produtores estão semeando a safra de inverno ou segunda safra.

Com os atrasos no início da estação chuvosa, lá em setembro/outubro de 2019, a expectativa é de que a colheita da safra de verão atrase em algumas regiões, o que pode estreitar a janela de plantio do milho de segunda safra, aumentando os riscos.

Além disso, as fortes chuvas em fevereiro, em alguns casos, dificultaram a entrada das máquinas nas áreas, prejudicando o ritmo dos trabalhos no campo e aumentando as incertezas e especulações.

Segundo a Conab, a área de milho na segunda safra deverá crescer 2,7% na temporada atual (2019/20), em relação à safra passada (2018/19), mas a produtividade média das lavouras deverá ser 2,5% menor neste ciclo, frente a safra passada, que foi recorde.

Com relação aos preços do cereal, o mercado está firme e altas não estão descartadas em curto e médio prazos. A expectativa é de patamares de preços acima dos verificados no mesmo período de 2019.

Segundo levantamento da Scot Consultoria, na região de Campinas-SP, a saca de 60 quilos foi comercializada a R$ 52,00 em fevereiro, 23,6% mais que em fevereiro do ano passado.

A expectativa é de estoques internos menores nesta temporada, devido ao forte incremento esperado na demanda interna.

No relatório divulgado em fevereiro pela Conab, o consumo doméstico foi estimado em 70,45 milhões de toneladas em 2020, frente aos 68,13 milhões de toneladas consumidas em 2019, aos 65,24 milhões de toneladas em 2018 e aos 60,95 milhões de toneladas em 2017.

Desde 2017, a demanda interna aumentou em, aproximadamente, 10 milhões de toneladas. Esse incremento foi puxado pelos setores de produção de etanol de milho, mas principalmente pelo aumento da produção de aves e suínos nos últimos anos para atender à maior demanda chinesa, devido ao surto de peste suína africana que reduziu o plantel na China.

Por fim, os estoques finais no Brasil estão estimados em 8,44 milhões de toneladas de milho em 2019/20, o menor volume estocado dos últimos anos (figura 3).

Figura 3.
Estoques finais de milho no Brasil, em milhões de toneladas.

segunda safra de milho
Fonte: Conab / Elaborado pela Scot Consultoria

Autor: Rafael Ribeiro de Lima Filho – zootecnista, msc.

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