O uso de defensivos agrícolas e o combate à fome

Apesar de ser um dos maiores produtores mundiais de alimentos, o Brasil está no 44º lugar no ranking mundial quanto ao uso de defensivos agrícolas (FAO).

defensivos agricolas e combate a fome

A agropecuária brasileira tem papel de destaque na produção mundial de alimentos e um fator tem sido decisivo para o sucesso do país neste setor: o uso de tecnologia.

Para se ter ideia de como a tecnologia tem colaborado com a produção agropecuária, basta olhar para a evolução da produção de alimentos no Brasil.

Em 1990, o país produziu 58,28 milhões de toneladas de grãos. Já em 2019 a produção estimada é de 241,95 milhões de toneladas (Conab).

Segurança alimentar

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), em 2050 a população mundial será de 9,7 bilhões de pessoas, acréscimo de cerca de 2 bilhões frente à população atual.

O maior número de pessoas irá demandar maior quantidade de alimento. Além disso, a renda da população mundial está aumentando e, quanto maior a renda, maior o consumo.

A intensificação do sistema resulta em maior produtividade da propriedade rural, o que, por sua vez, colabora com a maior rentabilidade do produtor, além de contribuir com a maior oferta de alimento e, consequentemente, redução da fome.

De acordo com Evaristo Eduardo de Miranda, pesquisador da Embrapa, para que um país tenha segurança alimentar, ou seja, oferta suficiente de alimento para atender a população, a disponibilidade de grãos deve ser de, ao menos, 250 quilos per capita.

Considerando esta afirmação, é possível dizer que o Brasil, em 2019, produziu alimento suficiente para alimentar cerca de um bilhão de pessoas (968,48 milhões), além da população nacional, tendo em vista que a produção de grãos foi de 242,1 milhões de toneladas (Conab). Além disso, no mesmo ano, a produção estimada de carnes foi de 27,82 milhões de toneladas (USDA).

Contudo, uma preocupação entre a população é a segurança em consumir alimento produzido com o uso de algumas tecnologias, como é o caso do defensivo agrícola, por exemplo.

Porém, segundo estudo realizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os alimentos de origem vegetal produzidos no Brasil são seguros para o consumo (a pesquisa não avaliou alimentos de origem animal).

Intensificação do sistema

Com a população cada vez maior e o incremento de renda, o aumento da produção de alimento é cada vez maior, e um método que tem mostrado eficácia nesse processo é a intensificação do sistema na produção agropecuária.

Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade de Yale, a inovação científica que mais salvou vidas em toda a história foi o uso de fertilizantes, que salvou a vida de cerca de 2,7 bilhões de pessoas. Além disso, segundo a mesma pesquisa, a Revolução Verde salvou a vida de cerca de 259 milhões de pessoas.

Ou seja, as tecnologias sendo utilizadas para o aumento da produção agropecuária tem colaborado com a segurança alimentar de centenas de milhões de pessoas.

Utilização de defensivo agrícola

Uma das tecnologias que tem se mostrado eficiente e colaborado com o aumento da produção é o uso de defensivos agrícolas.

Estima-se que na produção agrícola mundial há uma perda de 20% a 40% ocasionada apenas por pragas (FAO) que podem ser evitadas com o uso de defensivos.

No Brasil, o uso de defensivos é, por vezes, inevitável, já que o clima é propício não apenas para a produção agropecuária, mas também para a proliferação de pragas.

No país, um dos principais produtores de alimento do mundo, o controle químico tem colaborado com o aumento da produção, como mostra a figura 1.

Contudo, ao contrário do que muitos pensam, o Brasil está longe de ser o maior consumidor de defensivos agrícolas do mundo.

Figura 1.
Área destinada para a produção de grãos, em milhões de hectares (eixo da esquerda), produção de grãos, em milhões de toneladas (eixo da esquerda) e quantidade de defensivo agrícola utilizada, em quilos por hectare (eixo da direita).

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Fonte: Embrapa / FAO / Elaborado por: Scot Consultoria

Segundo relatório da FAO, divulgado em 2019, o Brasil está em 44º lugar no ranking mundial quanto ao uso de defensivos agrícolas (em kg/ha).

O Brasil utiliza quantidades de defensivos significativamente menores quando comparado até mesmo com países europeus, como a Holanda, Bélgica e Itália, por exemplo (Figura 2), que possuem áreas produtivas significativamente menores.

Figura 2.
Uso de defensivo agrícola em quilos por hectare em 2016.

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Fonte: FAO

É importante salientar que nenhum produtor rural faria uso dos defensivos agrícolas caso não houvesse necessidade, pelo simples fato de que quanto mais insumo se utiliza, maior é o custo de produção, além da maior mão de obra.

Entretanto, para que a produção de forragem, por exemplo, seja viável e suficiente para atender a necessidade da boiada, o uso de defensivos agrícolas (assim como outras tecnologias, como fertilizantes e suplementos, por exemplo) se faz necessário em certas ocasiões.

De maneira geral, o uso de tecnologia colabora com redução da perda da produção agropecuária, o que colabora com o objetivo de debelar a fome. Nesse sentido, o uso correto de defensivos agrícolas pode contribuir para uma maior produção de alimento, colaborando com a redução da fome, no Brasil e no mundo.

Autor: Felippe Reis

 

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