Dia da Mulher Rural: conheça a inspiradora pecuarista Claudia do Val

Em celebração ao Dia Internacional da Mulher Rural, trazemos a história de uma pecuarista que superou barreiras e mais do que dobrou o número de cabeças de gado em sua propriedade, além de outros resultados impressionantes.

Há duas décadas, Claudia do Val sofreu um acidente de carro que mudou a sua vida. No episódio, ela perdeu o marido e teve uma lesão medular que a deixou paraplégica. Na época, suas filhas tinham cinco e dois anos de idade. Claudia reuniu forças para cuidar da família e também para aprender a atividade da pecuária, ao mesmo tempo em que precisou lidar com as limitações físicas. Hoje ela comanda um grupo de três propriedades rurais de ciclo completo – cria, recria e engorda. Ela se tornou um grande exemplo de determinação e inspira muitas mulheres que vivem e trabalham no campo.

Natural do Rio de Janeiro, a pecuarista é administradora de empresas. Vinda da cidade grande, ela não tinha conhecimentos e nem experiência com pecuária de corte – era o marido quem geria as fazendas. “O meu contato com o campo até então era apenas para acompanhá-lo em visitas nos finais de semana”, conta.

Claudia do Val, 51 anos, produtora rural na região de Itaberaí-GO

De uma hora para outra, Claudia precisou conduzir os negócios da fazenda, o que nunca havia cogitado. Não havia outra opção senão aprender o ofício. “Essa decisão ocorreu, a princípio, pela necessidade de preservar o nosso patrimônio e, em seguida, nosso padrão socioeconômico, afinal, a preocupação que me rondava dia e noite era a de criar condições de proporcionar uma educação de excelente qualidade às minhas filhas em qualquer profissão que viessem a escolher”, relata.

Os desafios de ser mulher no campo

Além dos desafios como mãe e com as limitações físicas, a pecuarista conta que houve muitos empecilhos no decorrer de sua trajetória, mesmo com sua capacitação e contínua busca por conhecimento. “Há 21 anos a realidade era um pouco diferente no campo. Enfrentei preconceitos por ser mulher, pois havia uma cultura machista muito forte arraigada ’à terra’, na qual um homem não aceitava facilmente ser comandado pelo ’sexo frágil’. Quando cheguei na linha de frente, aos trinta anos, sucedendo meu marido, foi muito complicado, porque todos me viam como incapaz e, por isso, não depositavam confiança em mim”, lembra.

Além de ser mulher em meio a um segmento predominantemente masculino, Claudia era muito nova, cadeirante (o que dificultava o deslocamento no campo) e, acima de tudo, não tinha conhecimento prévio da área. “Eu não tinha como subir no cavalo, acompanhar o que estava acontecendo nos pastos, verificar cerca, condição dos animais. Tudo isso, para quem olhava na época, inclusive eu mesma, sinalizava total impossibilidade desse gerenciamento ser feito por mim e, pior do que isso, ser bem-sucedido. Porém, mesmo com grande receio de fracassar, decidi encarar os medos e me inteirar de todo o funcionamento da empresa, percorrendo, gradativamente, o caminho que me trouxe até aqui”, afirma.

Mas com o tempo, persistência e muita dedicação, Claudia superou as dificuldades e prosperou. Hoje, ela consegue enxergar pontos muito positivos na gestão do Agro feita por mulheres: “Somos mais sensíveis, detalhistas e intuitivas, características que nos permitem captar certas mensagens nas entrelinhas, ser mais cuidadosas com os colaboradores, ter maior flexibilidade para aceitar mudanças e uma mente mais aberta para novas tecnologias”, destaca.

Claudia do Val durante as atividades no campo

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Transformando os desafios em oportunidades na pecuária

Para evitar a falência em um curto período, o primeiro passo dado foi a contratação de um gerente para as propriedades, o qual seria o braço direito da pecuarista nessa missão. Depois disso, Claudia passou a fazer cursos e a promover encontros com amigos que atuavam na área. Adquirindo conhecimento setorial, contratou zootecnistas e médicos veterinários para implantar procedimentos e manejos nas fazendas, evoluindo gradualmente seu sistema de produção e viabilizando um maior controle e fiscalização dos serviços executados pela equipe. Investiu em mão de obra qualificada, melhorias genéticas com inseminação artificial e touros melhoradores, nutrição adequada a cada categoria animal e época do ano, divisão e recuperação de pastagens, além de um completo calendário de vacinação.

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De mil cabeças de gado (entre vacas e animais de recria) no passado, Claudia conquistou um número que passa de 2.500 animais distribuídos em cria, recria e engorda. Número que é potencializado pela melhoria genética e o amplo suporte da fazenda. “O ensinamento que obtive com toda essa experiência foi que, com determinação, podemos superar os maiores desafios colocados em nossas trilhas e, se formos inteligentes, ainda transformá-los em oportunidades de aprendizado e crescimento em todas as esferas dessa jornada”, pontua a pecuarista.

Atualmente, planejamento estratégico, controle de custos, acompanhamento de desempenho e pesquisa/aplicação de tecnologias compatíveis com a realidade das propriedades são parte da rotina de Claudia, uma das milhares de mulheres rurais brasileiras que contribuem para fortalecer o setor agro. “Essa é a minha vida e amo o que faço”, conclui.

Fazenda Vale do Ouro, propriedade da pecuarista
Mulher Rural e o orgulho de trabalhar no campo

No ano passado, a Corteva Agriscience™ realizou um estudo em 17 países e entrevistou 4.157 produtoras rurais que vivem realidades distintas em cinco continentes diferentes, 433 delas no Brasil.  A empresa informou que 90% das brasileiras têm muito orgulho de trabalhar no campo ou na indústria agrícola, número superior à média global de países incluídos na pesquisa. O levantamento também mostrou que elas sentem que suas contribuições são fundamentais para alimentar e apoiar suas famílias, comunidades e a sociedade.

“A participação da mulher vem crescendo em função de vários fatores, sendo o principal deles a quebra do tabu de que os serviços no campo são só para homens”, explica Claudia.

Além disso, para ela, outros motivos influenciam a entrada de mulheres no setor, como a sucessão familiar e o acesso majoritário nas universidades, em cursos de graduação, pós-graduação, mestrado, doutorado e MBA. “Tais contextos promovem maior nível educacional e autonomia, refletindo numa maior inserção feminina no mercado de trabalho, dentro e fora do agronegócio brasileiro, pois se sentem mais preparadas e encorajadas a assumir seus desafios”, ressalta.

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Claudia tem muito orgulho de sua profissão e de tudo que conquistou à frente da pecuária. Por isso, ela quer deixar a seguinte mensagem para todas as pessoas, mas, em especial, para as mulheres rurais: independentemente da área de negócio em que sua família atuar, coloque-se o mais próximo possível dele, porque nunca sabemos o que pode nos acontecer no segundo seguinte. “Estar mais inteirada do funcionamento da empresa familiar pode poupar muito tempo e sofrimento”, destaca.

Parabenizamos a nossa entrevistada e todas as mulheres que persistem e dedicam suas vidas ao trabalho no campo. Vocês são a nossa inspiração!

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