Dia da Mulher: única pecuarista entre os dez maiores produtores de leite do Brasil fala sobre gestão

Em 2020, a fazenda de Huguette Guarani, a São João True Type, produziu mais de 13,5 milhões de litros de leite

Entre os dez maiores produtores de leite do Brasil, há apenas uma mulher: Huguette Guarani.  No entanto, ela afirma que esse fato não está relacionado ao gênero. Para Huguette, não existe distinção entre mulheres e homens nesse tipo de atividade.

“Acho que este olhar diferenciado vem sempre de quem está do lado de fora. Eu me sinto acolhida pelos colegas de profissão e reconhecida por ser uma das primeiras a conquistar esse destaque entre os maiores produtores”, afirma a pecuarista mineira de 58 anos – filha de mãe brasileira e de pai francês.

Em 2020, a fazenda de Huguette, a São João True Type, produziu pouco mais de 13,5 milhões de litros de leite. A média foi de 37 mil litros de leite produzidos por dia. A propriedade fica no município de Inhaúma (MG), a 85 km de Belo Horizonte.

A mineira assumiu totalmente a gestão da fazenda em 2011, depois da morte do marido. Ela conta que enfrentou anos difíceis. “Não só pela gestão, que já é pesada em condições normais, mas também por me encontrar fragilizada devido àquele momento da vida”.

Com a lealdade, a amizade e a competência de técnicos e colaboradores da São João True Type, Huguette seguiu em frente.


Huguette Guarani é a única mulher entre os dez maiores produtores de leite do Brasil

Gestão feminina

À frente dos negócios, Huguette tem como exemplo a avó paterna – a quem define como guerreira, além de ser uma mulher do campo. A pecuarista acredita que a gestão feminina tem detalhes peculiares que podem trazer muitos benefícios.

 “A mulher tem dentro de  si visões de cores, de beleza, de organização e de relações interpessoais que diferem do olhar masculino. Para nós, não basta o negócio dar dinheiro; isso é uma condição indispensável. Mas não é suficiente a planilha fechar positiva: queremos ver o belo no nosso ambiente de trabalho”, afirma Huguette.

A dica dela para as mulheres que querem trabalhar com agropecuária é: “Façam o que as move com paixão”.

Segundo a pecuarista, o grande desafio do setor não é uma questão de gênero, mas a pouca valorização, a ausência de políticas que protejam os produtores e os altos riscos. Contudo, entidades de classe como a Abraleite e a Leite Integral, entre outras, têm feito um ótimo trabalho para mudar esse cenário, de acordo com Huguette.

“Aprimorem-se. A dinâmica do mundo tem trazido mudanças frequentes para nosso setor e promovido melhores condições e oportunidades.  Eu me sinto realizada e orgulhosa de fazer o que faço ao lado de mulheres do agro de todo mundo”,  afirma a mineira.

Para Huguette Guarani, questão de gênero não é o problema da agropecuária

Dia a dia x Gestão

A gestão da fazenda e a criação dos três filhos são as duas paixões de Huguette. Ela conta que não é nada fácil encontrar o equilíbrio no dia a dia, afinal, as duas áreas necessitam de dedicação total e são sinônimos de muito trabalho e preocupação.

 “Claro que meus filhos estão e estarão sempre em primeiro lugar.  Às vezes, a sensação é de palco  de circo, com aquele artista que gira os pratos ao mesmo tempo e não pode deixar parar, sabe?”, explica.

Atualmente, a pecuarista conta com a parceria do filho mais velho na gestão da fazenda. Aos poucos, ele foi se ocupando de atividades e, juntos, eles dão continuidade aos negócios da família. 

Parabéns pelo exemplo, Huguette! Que você siga inspirando cada vez mais mulheres com o seu jeito especial de ser e de conduzir os negócios! 

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