Doenças respiratórios dos bovinos em confinamento: como manter os animais saudáveis?

A prevenção é a melhor estratégia de controle

O complexo das doenças respiratórias dos bovinos (DRB) é uma afecção desafiadora devido à sua característica multifatorial. As enfermidades mais prevalentes no confinamento são as de quadro respiratório (67% a 82%); digestivo (3% a 7%); infeccioso, parasitário ou morte súbita por diversas causas, entre outros (14% a 28%). Hoje, a pneumonia é a doença de maior importância nos confinamentos.

Os animais geralmente acometidos pela DRB são aqueles em que o sistema imunológico está deprimido por algum fator externo, como estresse por manejo e transporte, um novo ambiente e a presença de patógenos como vírus e bactérias.

Com a seca entre abril e setembro na maior parte do país, os casos de doenças respiratórias se agravam, pois a poeira em suspensão e a baixa umidade afetam a defesa do sistema respiratório do animal.

Quais os principais fatores de contágio das doenças respiratórias?

Como citado, as causas são multifatoriais: estresse, deficiência nutricional ou mudanças na dieta, exposição a agentes infecciosos, calor, frio, poeira, lama, agrupamento de animais de diferentes origens, alta lotação e o transporte. Esses fatores levam a uma baixa na imunidade dos bovinos, que ficam mais propensos às infecções.

A princípio, ocorre a instalação de um vírus (agente primário), causando uma bronquite e afetando o sistema imunológico, que gera condições propícias para colonização do trato respiratório por bactérias (agentes secundários).

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Os principais patógenos associados à DRB são os vírus, como o vírus sincicial respiratório bovino (BRSV), considerado o agente mais importante, seguido do vírus da parainfluenza bovina tipo 3 (PIV-3); do herpesvírus bovino tipo 1 (BoHV-1), causador da rinotraqueíte bovina infecciosa (IBR), e do vírus da diarreia viral bovina (BVDV).

As bactérias mais comumente relacionadas são a Mannheimia haemolytica, Pasteurella multocida, Histophilus somni e Mycoplasma bovis.

Os sinais da doença nem sempre são percebidos

Os sinais podem incluir depressão, perda de apetite, queda na produção, perda de peso, febre acima de 40 °C, tosse, secreção nasal e ocular, salivação intensa e aumento da frequência respiratória, mas muitas vezes são quase imperceptíveis. Porém, nos casos de doença superaguda, quando há pneumonia bacteriana secundária, a doença pode levar à morte.

É imprescindível que haja a avaliação visual dos animais, buscando identificar no rebanho os sinais clínicos, mas cuidado: a avaliação visual de sinais de depressão, perda de apetite, tosse e descarga nasal pode gerar diagnósticos errôneos por não identificar e não tratar animais realmente doentes ou por tratar animais não doentes.

O diagnóstico laboratorial, a partir da necrópsia dos animais doentes e a coleta de amostras pulmonares, deve ser uma ferramenta de controle. Esse monitoramento, em conjunto com o acompanhamento de abates no frigorífico, é fundamental para que o produtor possa avaliar a saúde do seu rebanho.

Estudos indicam que são encontradas lesões pulmonares no momento do abate em animais que não foram identificados como doentes no período do confinamento, indicando que os sintomas nem sempre são visíveis.

A prevenção da DRB é primordial

É necessário intervir de maneira rápida e eficiente com o uso de antimicrobianos para os animais doentes, evitando que haja sinais clínicos mais graves e aumente a morbidade e mortalidade no rebanho.

A aplicação de um correto protocolo sanitário, abarcando a vacinação, a avaliação dos animais buscando por presença de sinais clínicos, e o uso de metafilaxia na chegada dos bovinos ao confinamento reduzem os prejuízos causados pelas doenças respiratórias. Tais prejuízos advêm da redução de eficiência alimentar dos animais, menor ganho de peso e aumento de dias em confinamento, além dos custos com tratamentos.

Apesar da escassez de dados, estima-se que no Brasil o gasto com animais afetados pela DRB seja em torno de US$ 6,31 milhões por ano, sendo US$ 5,54 milhões por ano devido à mortalidade ocasionada pela enfermidade.

Imunizar o rebanho contra a pneumonia e outras doenças respiratórias é a melhor e mais eficiente medida para garantir a saúde e a lucratividade do sistema.

Referências

BAPTISTA, A. L.; REZENDE, A. L.; FONSECA, P. D. A.; NOGUEIRA, G. M.; MAGALHÃES, L. Q.; HEADLEY, S. A.; MENEZES, G. L.; ALFIERI, A. A.; SAUT, J. P. E. Bovine respiratory disease complex associated mortality and morbidity rates in feedlot cattle from southeastern Brazil. Journal of Infection in Developing Countries, 2017.

SMITH, R. A. Impact of disease on feedlot performace: a review. Journal Animal Science, v.76, p. 272-274, 1998.

Sophia Honigmann – médica veterinária
Scot Consultoria

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