Emprego, exportação e baixa oferta de bois

Oferta restrita de boiadas mantém o mercado do boi gordo com os preços sustentados. Além disso, a expectativa é de que o consumo melhore, o que pode dar ainda mais força para o mercado.

Expectativas da 1ª quinzena de outubro

O último trimestre do ano chega com os preços do mercado do boi gordo firmes. É comum nessa época do ano as cotações subirem.

Daqui para frente, espera-se um aumento gradativo da oferta de bois de cocho, o que também é comum para o período, já que em outubro e novembro tipicamente observamos o maior volume dos animais do segundo giro do confinamento chegando ao mercado.

Entretanto, esse aumento da oferta de boiadas, caso não haja nenhum outro fator atrelado, não deve ser grande a ponto de resultar em queda de preços.

Alguns fatores corroboram com essa análise.

Primeiro, o preço do boi magro subiu 10,5%, em relação ao preço médio de setembro de 2018, enquanto o boi gordo teve alta de 5,8%, considerando o mesmo período (preços nominais).

Segundo, a janela de compra de “milho barato” foi menor este ano. Apesar da boa safra, o Brasil colheu cerca de 100 milhões de toneladas do cereal, colheita recorde no país, o volume de milho destinado ao mercado externo também cresceu. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a expectativa é de que o país exporte 35,5 milhões de toneladas do cereal. A exportação em alta colaborou com os preços firmes do milho.

Aqui, destacamos esses dois pontos, pois o boi magro representa cerca de 70% do custo de produção do confinador, e a dieta, com o preço do milho representando a maior parte do custo da alimentação, representa cerca de 20% do custo de produção do confinador.

Além disso, a precificação do boi gordo no mercado futuro (B3), considerando o contrato futuro de outubro de 2019, não teve uma valorização intensa nos últimos meses, o que pode ter refletido em um menor volume de animais confinados.

Com isso, não se espera um volume de boiadas suficiente a ponto de resultar em queda de preços.

Entretanto, a margem de comercialização das indústrias que desossam está em 15,8%, cerca de quatro pontos percentuais abaixo da média histórica. Esse fator pode limitar as valorizações do boi gordo.

Mercado externo

Além da oferta limitada de boiadas, o país segue exportando bons volumes de carne bovina e, apesar de representar uma parcela menor do destino da produção de carne, colabora com a precificação do boi gordo no mercado interno.

No acumulado do ano, de janeiro a agosto, o Brasil exportou 936,52 mil toneladas de carne bovina in natura, volume 15,7% maior que no mesmo intervalo de 2018, ano em que o Brasil exportou volume recorde. Portanto, caso o Brasil siga embarcando bons volumes de carne bovina in natura, o país pode exportar uma quantidade recorde em 2019.

Com o dólar valorizado frente à moeda brasileira, a expectativa é de que os embarques sigam em bom ritmo.

Expectativas

Com a oferta de boiadas comedida e a exportação em alta (e não há nada que esteja indicando uma alteração brusca desse cenário), o ponto que falta para que haja uma valorização mais consistente do boi gordo é um aumento da demanda no mercado interno.

E, no que depender da recuperação econômica, o consumo no mercado interno deve melhorar. Segundo o Ministério do Trabalho, em agosto último, o saldo de empregos no Brasil (relação entre admissões e desligamentos) foi de 121,39 mil. Esse foi o melhor resultado para o mês dos últimos seis anos.

O maior número de empregados pode colaborar com a melhora do consumo, uma vez que quanto maior a renda, maior também o consumo da população.

Por fim, o mercado deve seguir com os preços firmes, ao menos na primeira quinzena do mês (outubro), período em que há maior consumo, reflexo do aumento do poder de compra da população, com o pagamento dos salários. Portanto, para o pecuarista que precisa ou planeja realizar negócios em outubro, a expectativa é de que o mercado ganhe força no curto prazo e, a sugestão, é de que o produtor acompanhe o mercado logo nos primeiros quinze dias do mês.

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