Agropecuária tem saldo positivo na geração de empregos no país no 1º trimestre

“Os animais e as plantas não sabem que estamos vivendo uma pandemia. Os animais seguiram demandando cuidados, assim como as lavouras”, afirmou o economista Luiz Eliezer Alves da Gama Ferreira sobre o resultado alcançado pelo setor.

O 1º trimestre de 2021 foi especialmente positivo para a agropecuária no quesito geração de empregos no Brasil. Desde 2007, não se tinha um cenário tão efetivo no setor.

Além disso, de acordo com o economista Luiz Eliezer Alves da Gama Ferreira, do Departamento Técnico-Econômico (DTE) da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), a agropecuária foi o 2º setor que mais gerou empregos no país, com alta de 3,77%, ficando atrás apenas da área de construção – que teve 4,98% de alta.

Os dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), referentes ao 1º trimestre deste ano, apontam que o saldo foi de 60.575 novos postos de trabalho. É o melhor resultado para o período desde 2007. À época, foram criadas 62.245 vagas de emprego.

A agropecuária apresentou saldo positivo de empregos nos três primeiros meses de 2021, revertendo os 45.193 postos de trabalho perdidos no último trimestre de 2020. O resultado positivo neste primeiro trimestre vem na esteira de uma recuperação nos empregos, não só na agropecuária, mas também nos demais setores da economia”, afirmou o especialista ao site Pasto Extraordinário.

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Atividades no campo foram mantidas, apesar da pandemia

Manutenção das atividades no campo

Na análise de Ferreira, este desfecho é fruto da manutenção das atividades no campo, mesmo com as dificuldades impostas pelo coronavírus. “Os animais e as plantas não sabem que estamos vivendo uma pandemia. Os animais seguiram demandando cuidados, assim como as lavouras”, disse.

Outro fator importante, segundo o economista, foi o mercado externo. Ele explicou que o Brasil possui excedente na produção de alimentos, favorecendo a negociação internacional.

“Outros países sofrem não só com os problemas da pandemia, mas também com adversidades climáticas, o que reduziu a oferta de alimentos. O Brasil, então, foi mais demandado. Somando-se a isso, a valorização do dólar ajudou a melhorar ainda mais a competitividade do agro no mercado externo. De olho nesse cenário, o produtor seguiu investindo e contratando”, pontuou Ferreira.

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Os reflexos da pandemia na agropecuária

Conforme o especialista, a agropecuária foi, sim, afetada pela pandemia, porém, com menos intensidade que outros setores. Isso devido à essencialidade do segmento, de acordo com Ferreira.

O especialista explica ainda que em 2020, as demissões na agropecuária se concentraram no último semestre do ano por causa da sazonalidade de algumas culturas, principalmente nos períodos pós-colheita – como na cana-de-açúcar e no café.

“Na agropecuária, é relativamente mais fácil também de atender à necessidade de distanciamento social, um operador de máquina está sozinho no campo a maior parte do tempo. De modo geral, a agropecuária continuou trabalhando, as interferências foram bastante pontuais”, esclareceu.

Ranking de geração de empregos

As três atividades que mais criaram vagas de emprego na agropecuária foram:

  • Cultivo de soja – 656
  • Cultivo de frutas e lavoura – 722
  • Criação de bovinos – 782

Esse ranking, na avaliação de Ferreira, deve-se ao fato de a soja ser o carro-chefe da agropecuária brasileira. Além disso, o 1º trimestre coincide com o período de cultivo e de colheita da cultura, em que o uso da mão de obra é mais intensivo.

Outro ponto observado pelo especialista é de que, nos três primeiros meses do ano, há uma maior colheita de diversas frutas, principalmente a maçã, na região Sul do país.

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Criação de bovinos ficou em 3º lugar na geração de empregos na agropecuária

Novas tecnologias, capacitação e gestão

Para o economista, a adoção de novas tecnologias repercute o resultado positivo na geração de empregos na pecuária. A capacitação dos trabalhadores e a gestão da propriedade rural também ecoam para o saldo conquistado pelo setor.

“O reflexo disso está no aumento da produtividade e na demanda por mão de obra qualificada. A demanda para exportação também serve de estímulo à manutenção da produção de excedentes”, afirmou.

Qual é a perspectiva?

O panorama, na visão de Ferreira, é a manutenção desse cenário na agropecuária. O economista aposta em um destaque nas exportações devido à valorização do dólar e à estimativa de aumento na produção na agricultura e nas proteínas animais – bovinos, suínos e aves.

“Uma característica interessante da agropecuária é que ela consegue transbordar empregos para os demais setores da economia. São gerados empregos também na cadeia de insumos, no transporte da produção, na indústria de processamento e no comércio de alimentos. Ou seja, um agro pujante consegue transferir riquezas para os demais elos das cadeias produtivas”, concluiu.

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Uma resposta para “Agropecuária tem saldo positivo na geração de empregos no país no 1º trimestre”

  1. Avatar José - Pernambuco (PE) disse:

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