Escola Família Agrícola ganha campo agrostológico para aulas práticas multidisciplinares

Iniciativa da Corteva, a experiência inédita em Rondônia vai beneficiar cerca de 200 alunos de 22 cidades do estado

A Escola Família Agrícola Itapirema, em Rondônia, está comemorando seus 30 anos de atividades em grande estilo. Com apoio da Corteva, a EFA localizada no município de Ji-Paraná acaba de ganhar um campo agrostológico. Graças a essa experiência inédita no estado, os alunos poderão usufruir de um laboratório ao ar livre para aulas práticas multidisciplinares. Para quem não sabe, campo agrostológico é um espaço destinado ao cultivo e à demonstração de plantas forrageiras. Próximo ao campo, os técnicos destinaram uma área para a atividade de matocompetição. Plantas daninhas crescem em meio às espécies forrageiras a fim de demonstrar a perda de qualidade do pasto devido à matocompetição.

Agora somos a primeira EFA em Rondônia a possuir um campo experimental de forragicultura”, comemora Gleiciele Martinelli, diretora da escola. Quando foi desenhado no fim de 2020, o projeto previa a participação dos alunos em todas as etapas de implantação – do preparo da terra ao plantio. “Nossa intenção inicial era promover um dia de campo com os estudantes e seus familiares”, complementa a vice-diretora Maria de Fátima Rodrigues Vitorino. Mas a pandemia impediu a retomada do ensino presencial.

Diante dessa situação inesperada, o time da Corteva decidiu arregaçar as mangas e montar o campo com apoio de funcionários da escola. Participaram dessa empreitada o agrônomo de campo Lucas Maraia, seu assistente Leandro Lopes da Silva e o representante comercial Ismael Borges Junior. Nos próximos meses, o resultado será exibido em um vídeo destinado aos alunos, familiares e à comunidade.

Muito além do estudo teórico

O campo agrostológico agregou mais uma atividade pedagógica à escola. E a experiência da equipe da Corteva contribuiu para essa transformação. Morador de Ji-Paraná, o engenheiro agrônomo Lucas Maraia pensou na construção do campo dentro da EFA como uma oportunidade de dar aos futuros profissionais algo muito além do estudo teórico. Isso, porque, durante seu período acadêmico, sentia falta de atividades práticas complementares ao ensino em sala de aula.

Essa vivência pessoal somou-se à percepção do representante comercial Ismael Borges Junior sobre o trabalho realizado pela Corteva. “A empresa possui várias áreas experimentais em parceria com pecuaristas. Então pensamos em replicar o projeto em uma escola para levar os alunos a unirem o conhecimento acadêmico com a experiência prática do campo”, conta Ismael.

Antes de realizar a obra, o time da Corteva planejou a estruturação do campo, a área de matocompetição e as espécies de plantas forrageiras usadas. O local escolhido para a implantação foi uma área degradada, no formato da letra L, com meio hectare. Em seis canteiros, foram plantadas as seguintes espécies de forrageiras: Brachiaria Piatã, Brachiaria ruzziensis, Brachiaria MG5, Brachiaria Marandú, Panicum Zuri e Panicum Mombaça. As sementes foram fornecidas por parceiros. Para impedir o crescimento de plantas daninhas, foi aplicado herbicida da linha Ultra-S. Na área de matocompetição, os técnicos deixaram crescer as invasoras mais comuns na região: guanxuma, fedegoso-branco e cheirosa.

Na visão da vice-diretora Maria de Fátima, o campo agrostológico permitirá aos alunos tirar várias lições sobre forragicultura. Eles poderão observar o comportamento das forrageiras nas estações do ano; as pragas e doenças existentes e quais são mais resistentes aos ataques; as plantas daninhas predominantes na região; e os defensivos agrícolas que apresentam melhor resultado no controle dessas espécies.

A princípio, o projeto iria ser realizado ao longo de um ano. Mas, com a pandemia, a ideia é prolongar esse período. Como os alunos estão em ensino remoto, o campo vem sendo cuidado pelo engenheiro agrônomo Leandro Lopes da Silva, da Corteva, com a ajuda de funcionários. A escola fornece ainda o sistema de irrigação para os canteiros.

Essa experiência está sendo muito boa, porque estamos mostrando que é possível trabalhar a pecuária com sustentabilidade”, explica Leandro. “O projeto revela a importância das novas tecnologias, da implementação de culturas e da recuperação das áreas degradadas. Dessa forma, os alunos poderão aplicar esses conceitos nas propriedades de seus pais, o que tornará o projeto sustentável, em prol da sociedade”, complementa.

A EFA e a “luta diária”

A EFA Itapirema é uma instituição comunitária sem fins lucrativos, que nasceu com o objetivo de oferecer ensino de qualidade aos filhos de agricultores, evitando que migrassem para a cidade. Em uma área de 9,68 hectares, foi construída em regime de mutirão pelos moradores da região em parceria com a Diocese de Ji-Paraná. Os trabalhos escolares começaram em 1991, com o Ensino Fundamental. Devido à precariedade da rede de ensino na região, boa parte da turma tinha mais de 25 anos. Em 2001, foi introduzido o curso técnico de Agropecuária, que, três anos depois, foi integrado ao Ensino Médio.

A escola sobrevive com a contribuição mensal de R$ 200,00 dos pais dos alunos, verbas do governo de Rondônia e do governo federal via Fundeb – Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação. Por problemas burocráticos, todos os funcionários da instituição estão trabalhando há sete meses sem receber salários. “É uma luta diária”, lamenta a diretora Gleiciele Martinelli.

Hoje, a EFA possui 175 alunos de 22 cidades diferentes, que estão fazendo o curso de maneira remota. Em tempos normais, eles estudam em regime de internato ao longo de quatro anos. Todos fazem atividades didáticas, comem e dormem na escola por 15 dias. Depois, passam outra quinzena em casa com seus familiares. Esse método de ensino é conhecido por Pedagogia da Alternância, criado em 1935 na França e trazido ao Brasil nos anos 1960. “Essa metodologia permite que os jovens venham à escola, aprendam a prática e a implante na propriedade da família. Depois, eles trazem a experiência que tiveram para a escola e tiram suas dúvidas”, afirma a diretora.

Além do conteúdo teórico passado em sala de aula, os estudantes têm aulas práticas nas áreas de suinocultura, bovinocultura de leite, ovinocultura e avicultura. Também aprendem o cultivo de vegetais com aulas na horta, no cafezal e nas árvores frutíferas.

 

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