Estresse térmico em vacas de leite e reflexos na produção

Veja como os meses quentes do ano impactam a produção de leite e quais as ferramentas disponíveis para aumentar a eficiência do rebanho durante o calor.

estresse termico em vacas

Chegou o verão! Com o calor escaldante, uma boa parte dos produtores faz planos para ir à praia e coloca no orçamento a compra de um novo ar-condicionado.

Não há nada de errado em buscar conforto térmico nesta época do ano, mas as vacas de leite da propriedade também devem estar incluídas no planejamento. Principalmente para as fazendas que produzem leite de animais da espécie Bos taurus (taurina), como os da raça holandesa e Jersey, que são menos tolerantes ao calor.

Já animais da espécie Bos indicus (zebuína), como os da raça Gir e Guzerá, em virtude da maior capacidade de transpiração e menor taxa metabólica, são mais termotolerantes em comparação às raças taurinas.

Assim, raças mais adaptadas ao calor são importantes no sistema produtivo nacional, contudo, praticamente todo o território brasileiro é localizado na região tropical, onde há predominância de altas temperaturas e alta incidência de radiação solar.

Frente a este cenário, proporcionar um ambiente termicamente confortável para as vacas expressarem todo seu potencial genético é fundamental, independente da raça.

Impactos do estresse térmico em vacas leiteiras

Vacas em estresse térmico, além de ficarem com o bem-estar prejudicado, ingerem menos alimentos e, portanto, diminuem sua produção de leite.

De acordo com alguns estudos, o estresse calórico em vacas em lactação pode resultar em um decréscimo de cerca de 20% na produção de leite diária.

Na tentativa de regular a temperatura corporal, o metabolismo da vaca lança mão de uma série de adaptações em diversos sistemas como o respiratório, o circulatório e o digestivo. Ou seja, a energia que estaria disponível para a produção de leite é desviada para dissipar o calor excedente.

Outra resposta ao aumento da temperatura é a redução na porcentagem de gordura no leite, o que impacta diretamente na renda do produtor.

Além dessas respostas imediatas na produção, o calor atinge negativamente a performance reprodutiva das vacas, pois a hipertermia altera as funções ovarianas e causa mudanças na liberação dos hormônios reprodutivos, causando, por exemplo, a diminuição do período de cio.

Por isso muitas fazendas enfrentam problemas para elevar a taxa de prenhez em épocas quentes do ano.

Em vacas já prenhes os efeitos do calor também são críticos pois há aumento da temperatura no

ambiente uterino, o que prejudica o desenvolvimento do embrião e o estabelecimento da prenhez.

Como identificar vacas com calor?

Vacas em estresse térmico produzem sinais claros de desconforto, como, por exemplo, aumento intenso da respiração, aumento do suor, diminuição do consumo de matéria seca e aumento da ingestão de água.

Outro sintoma característico é que nas horas mais quentes do dia as vacas preferem ficar em pé ao invés de deitadas descansando, o que seria o comportamento normal.  

É comum também que os animais fiquem com a boca aberta e a língua para fora na tentativa de trocar calor com o ambiente.

Leia também: Proteja o rebanho bovino das altas temperaturas do verão

Alternativas para diminuir os efeitos causados pelo estresse térmico

Os impactos na produção da fazenda são severos, mas a boa notícia é que existem diversas alternativas eficazes para amenizar o calor e proporcionar conforto para as vacas.

Começando pelas mais simples e menos onerosas, o produtor pode aumentar o parcelamento da dieta das vacas, reduzindo a quantidade e aumentando a frequência de alimentação ao longo do dia e deve optar por tratar dos animais em horas mais amenas, evitando horários com pico de sol.

Ainda dentro das técnicas mais simples, o produtor pode fazer com que os animais tenham acesso à sombra, seja natural ou artificial.

Neste caso, o produtor pode usar árvores ou sombrite, que ajudam na redução da incidência de raios solares. Lembrando que o fornecimento de sombra aos animais deve ser feito com planejamento para evitar formação de lama e barro.

Para vacas que são criadas em pasto, é importante diminuir o tempo na sala de espera da ordenha, que costuma ser um local quente, e priorizar que o período de pastejo seja realizado durante a noite.

Essas alternativas são paliativas e auxiliam o produtor, mas não interferem na umidade do ar e na temperatura atmosférica, para isso existem outros equipamentos, como por exemplo o uso de ventiladores e aspersores.

Esses produtos produzem vapor de água e ventilam os animais, reduzindo os efeitos do calor. Podem ser instalados no confinamento (free stall ou compost barn) e na sala de espera da ordenha. Apesar de demandarem mais capital de investimento, apresentam grande eficiência.

Para o pecuarista que já esgotou as alternativas mais práticas e mesmo assim enfrenta problemas com as temperaturas elevadas, uma alternativa é o uso de raças mais adaptadas.

Neste sentido, animais da raça Girolando (Gir x Holandesa) podem melhorar os resultados econômicos da fazenda, pois possuem mais tolerância ao calor (genética Gir) e maior potencial para produção de leite (genética holandesa).

Perdas na produção

As vacas começam a ficar desconfortáveis a partir de aproximadamente 20ºC, ou seja, em grande parte do ano as vacas de leite criadas no Brasil não conseguem expressar todo seu potencial.

Estima-se que as perdas cheguem de 1,2 mil kg a 2 mil kg por lactação. Considerando o preço médio do leite no Brasil (sem bonificação), mensurado pela Scot Consultoria, que é R$ 1,20/L, o calor leva embora cerca de R$ 1,4 mil a R$ 2,4 mil por vaca ao ano.

Assim, proporcionar um ambiente térmico confortável para os animais, além de promover bem-estar, melhora os índices produtivos da fazenda e a rentabilidade do sistema e é possível garantir este conforto e controlar os danos com investimentos mínimos.

Autora: Marina Zaia – médica veterinária

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2 respostas para “Estresse térmico em vacas de leite e reflexos na produção”

  1. Avatar Weverton Francisco do nascimento - Sergipe (SE) disse:

    Queria saber mais como ajudar nos dia de calor as vaca

    1. Pasto Extraordinário Pasto Extraordinário disse:

      Olá, Weverton! Como abordamos no texto, entre as alternativas está facilitar o acesso das vacas a lugares sombreados, tratar dos animais em horários de temperaturas mais amenas ou também, se possível, investir em alguns equipamentos como ventiladores e aspersores. 🙂

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