Evento celebra o Dia Internacional da Conservação do Solo – 15 de abril

Promovido pela Embrapa Solos, pela Sociedade Brasileira da Ciência do Solo e pela Corteva, evento discute o uso correto do solo, políticas públicas e tecnologias que ajudam na preservação de sua sustentabilidade

A imagem mostra uma mão colocando um punhado de terra preta em volta de uma planta nova de cor verde clara. O fundo da imagem está desfocado.

Líder na exportação de carnes e segundo maior produtor mundial, o Brasil ainda tem 90 milhões de hectares de pastagens com algum nível de degradação, quase a metade dos 170 milhões de hectares ocupados por pastagens em nosso país. Essas áreas, além de apresentarem perdas na produção, são também uma das causas de um dos grandes problemas na produção agropecuária em escala nacional e mundial: a erosão hídrica.

Foi justamente para promover o debate e encontrar soluções para esse e outros problemas causados pelo manejo inadequado do solo que, em 1989, o dia 15 de abril tornou-se oficialmente o Dia Nacional da Conservação do Solo, por iniciativa do Ministério da Agricultura.

Aproveitando a data, a Embrapa Solos, a Sociedade Brasileira da Ciência do Solo e a Corteva vão promover o evento Os Desafios da Qualidade do Solo, no qual especialistas e produtores debaterão temas relacionados à saúde do solo, tais como: tecnologias para conservação do solo e controle da erosão; as contribuições da ciência do solo na produção agropecuária brasileira; benefícios do solo saudável para uma agropecuária sustentável e produtiva e, finalmente, a agenda de iniciativas do MAPA para a conservação do solo.

O evento terá um formato híbrido, com a presença de alguns participantes em estúdio e transmissão via plataforma digital.

Veja a programação completa e como acessar no fim da matéria

Conservação do solo: mais do que combater a erosão

A conservação do solo representa o conjunto de princípios e práticas agrícolas destinados a preservar a fertilidade química e as condições físicas e microbiológicas do solo.

Importante componente dos ecossistemas, o solo integra o ciclo de produção de água e é a base dos biomas e de quase toda a produção de alimentos do planeta. Mesmo com tantas funções vitais para a sobrevivência humana, os solos sofrem um constante processo de degradação, fruto do uso agropecuário inadequado e da expansão urbana desordenada, entre outros fatores.

Estudos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU) apontam que a erosão está entre os principais fatores de degradação dos solos: “A cada cinco segundos, o mundo perde uma quantidade de solo equivalente a um campo de futebol”.

Erosão é o processo de perda de solo causado pelo efeito físico das chuvas e do vento, podendo ser muito agravado em solos agrícolas mal manejados e em pastagens degradadas. A inadequada cobertura vegetal e o baixo enraizamento nessas áreas, intensificados por outros fatores como pastoreio excessivo, e desmatamento desordenado de matas ciliares, monocultura extensiva com manejo do solo inadequado e sem rotação, uso incorreto ou parcial de plantio direto, plantio em desnível e queimadas, combinados à concentração das chuvas, que se tem observado nos últimos anos, decorrente das mudanças climáticas pelo aumento da emissão dos GEEs (Gases de Efeito Estufa), acabam contribuindo para o agravamento da erosão.

As consequências são desastrosas para os produtores, e o país, conforme atesta José Carlos Polidoro, pesquisador da Embrapa Solos: “O potencial anual de perda de solo, estimado para um cenário sem práticas agrícolas de conservação, preparo convencional intensivo e monocultura, é de 3 bilhões de toneladas, com 29,5% dessas perdas em áreas de cultivo e 61,4% em pastagens”. Segundo Polidoro, os prejuízos econômicos da erosão do solo “com base apenas nas perdas de nutrientes, é estimado em US$ 15,7 bilhões de dólares”.

O mesmo estudo revela que, nas pastagens degradadas, mais de 22 ton/ha de terra se decompõe anualmente, inutilizando grandes áreas para a produção, além de causar uma série de outros problemas em cascata, como a destruição de minas d’água e nascentes, a poluição das águas, assoreamento dos rios e inundações lamacentas, para citar apenas alguns dos grandes prejuízos ambientais e socioeconômicos.

Com base nesse cenário, a pesquisadora chefe-geral da Embrapa Solos, Petula Nascimento, é enfática: “A conservação do solo exige um olhar sistêmico. O uso do mais precioso recurso natural que o produtor tem passa por vários itens e não apenas pelos cuidados com o manejo do solo e da água. É preciso ter em mente todos os fatores que afetam a produção agropecuária. Se outros fatores não forem respeitados, a lucratividade não vem e não motiva os pecuaristas a investirem na conservação”. Ou seja, a sustentabilidade do negócio e a sustentabilidade ambiental andam juntas, são causa e efeito ao mesmo tempo. “Como qualquer empreendimento agropecuário, deve-se priorizar o planejamento da atividade como um todo, para se ter sucesso com sustentabilidade”, conclui Nascimento.

As boas notícias

Essas informações, alardeadas nos últimos anos pelos pesquisadores, com a ajuda de celebrações como o Dia Nacional da Conservação do Solo, e a própria existência da data, associadas ao crescente interesse das instituições de pesquisa e à conscientização dos produtores e de todos os envolvidos nas cadeias de produção agropecuárias, têm gerado grandes avanços na conservação dos solos.

Entre 2010 e 2018, as pastagens degradadas no Brasil caíram de 34,3% para 25,2% em áreas que adotaram o Plano ABC (Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono), o que, em números absolutos, significa uma redução de 26,8 milhões de hectares. Segundo nota do Ministério da Agricultura, que divulgou o levantamento, a meta do Plano ABC, de agricultura de baixo carbono, lançado em 2009, durante a Conferência do Clima na Dinamarca, era recuperar 15 milhões de hectares de pastagens degradadas. Ou seja, foi amplamente superada e deve continuar a crescer. “A área recuperada é maior do que o território do Reino Unido, que tem aproximadamente 24,2 milhões de hectares“, compara a pasta.

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Esforços para controlar a erosão hídrica, intensificar a produção agropecuária sustentável e mitigar as emissões de gases de efeito estufa são objetivos de um recente programa governamental nacional de levantamento detalhado e interpretação do uso da terra, o PronaSolos.

Resultado de um trabalho coordenado pela Embrapa Solos, e que inclui pesquisadores de diversas instituições públicas e do próprio MAPA, o PronaSolos é apresentado como “o maior programa de investigação do solo brasileiro”, integrando e consolidando dados e informações de “mais de 30 instituições públicas e privadas com intuito de engajar a participação de outros setores da sociedade para cooperação nesse desafio continental para uma melhor gestão dos solos do Brasil. A partir do detalhado conhecimento sobre os solos sistematizados, o PronaSolos proporcionará aumento da usabilidade dos dados e informações, aprimorando a aplicação dos conhecimentos que estarão disponíveis em uma única plataforma tecnológica”.

Essa plataforma já está disponível desde dezembro de 2020, em sua versão 1.0, por meio de um sistema de informações geográficas (SigWeb), mapas e dados de solos produzidos ao longo dos últimos 60 anos pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), pela Embrapa e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), órgãos estaduais e regionais e universidades. 

Conforme explica Ponciano, “os dados gerados pelo programa terão interface com várias políticas públicas. O lançamento da plataforma tecnológica marca o início de uma grande ação de comunicação para a sociedade, em parceria com a Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS), universidades, empresas de extensão rural, a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB),  a Confederação Nacional de Agricultura (CNA) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). O ano de 2021 será de muitas articulações para mostrar o potencial das ferramentas disponíveis e traçar estratégias para chegar ao produtor rural e a outros segmentos, como os de infraestrutura, de minas e energia e defesa”.

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O evento que celebra o Dia Nacional do Solo é exemplo de uma dessas articulações em benefício de uma agropecuária brasileira sustentável. A Corteva se orgulha de fazer parte desse propósito.

Evento: Os Desafios da Qualidade do Solo

Data
: 15 de abril de 2021
Horário: 9h
Local: (Híbrido) realização em estúdio e transmissão em plataforma de evento digital
Link de acesso: dianacionaldosolo.isatvideo.com.br

Programação
9 h – ABERTURA
Fernando Camargo – Secretário de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do MAPA
Celso Moretti – Presidente da Embrapa

9h25 – MESA REDONDA – OS DESAFIOS DA QUALIDADE DO SOLO
Moderadora – Andressa Machado – IAPAR
Painelistas – Tim Thoden – Corteva AgriScience, Lúcia Anjos – Presidente Sociedade Brasileira de Ciência do Solo e Pedro Luís de Freitas – Embrapa Solos
 
11 h – PALESTRA – TECNOLOGIA: UMA AGENDA PARA A CONSERVAÇÃO DE SOLO
Mariane Crespolini – MAPA
 
11h30 – ENCERRAMENTO
Clique e leia a matéria completa

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