Expectativas para o custo de produção da pecuária para 2022

O custo de produção foi o fator mais preocupante para os pecuaristas ao longo do ano. O que é esperado para 2022?

O ano de 2021 foi marcado pelo custo de produção da pecuária em alta. Especificamente falando “da porteira para dentro”, tanto a pecuária de corte quanto a de leite apresentaram os preços dos insumos extremamente voláteis, como os alimentos concentrados, defensivos agrícolas, adubos e combustíveis.

Analisando primeiramente os alimentos concentrados, responsáveis em grande parte pelo incremento no custo, no acumulado do ano, considerando a média mensal de janeiro e dezembro/21, a cotação do milho subiu 6,4% em Campinas-SP, sob influência da seca que impactou a semeadura em importantes regiões produtoras.

Com os atrasos, a cultura foi severamente afetada pelo clima no desenvolvimento das lavouras, enfrentando secas e geadas, e revisões decrescentes na produção nacional. Além disso, as demandas interna e externa firmes e o dólar valorizado também contribuíram para a alta.

Para a soja, os preços também permaneceram firmes ao longo do ano, puxados principalmente pelas demandas interna e externa e pelo câmbio, mas as altas da oleaginosa foram mais sutis na comparação com o milho no mesmo período, subindo 2,0% em Paranaguá-PR.

O clima na safra 2020/21 foi marcante, atrasando o plantio da soja no país e estreitando a janela de produção de milho segunda safra.

As altas nos dois principais grãos usados na alimentação influenciaram o incremento na cotação de demais insumos concentrados, como sorgo, polpa cítrica e farelo de algodão. O farelo de soja, na contramão, caiu 15% em São Paulo no acumulado do ano, com o bom ritmo dos esmagamentos na temporada.

As altas dos defensivos agrícolas e fertilizantes também pesaram. A menor oferta no mercado internacional, devido à redução da produção pelos principais produtores de fertilizantes (China, Rússia, Canadá e Marrocos) além de sanções econômicas à Belarus e a demanda firme, relacionada ao crescimento da produção de grãos na temporada 2020/21, junto ao câmbio, sustentaram as cotações. No acumulado do ano, a cotação dos fertilizantes subiu 82% e dos defensivos 86%.

Os custos com combustíveis, acompanhando o cenário de preços do petróleo no mercado internacional e a retomada das atividades com a melhora na pandemia e o dólar em alta, subiram 38%.  

Observe, nas figuras abaixo, a evolução do Índice de Custo de Produção da Scot Consultoria para a pecuária de corte e de leite de alta tecnologia no comparativo anual.

O Índice subiu 31,6% no acumulado do ano e 36,3% no comparativo com dezembro/20 para a pecuária de corte. Para a pecuária de leite a alta foi de 6,9% no acumulado do ano e de 10,1% no comparativo com dezembro/20.

Figura 1.
Índice Scot Consultoria de Custos de Produção da Pecuária de Leite, à esquerda, e de Corte, à direita. Base 100=agosto/1994.

Fonte: Scot Consultoria

Expectativas para o custo de produção

Levando em consideração o milho e a soja, devemos ter ligeiro alento em relação à temporada 2020/21, com as expectativas iniciais apontando para o aumento da produção de grãos que, se confirmadas, poderão diminuir a pressão sobre o custo de produção.

Porém, o câmbio firme, as demandas interna e externa aquecidas, os riscos do clima para a produção de milho primeira safra e para a colheita de soja deverão limitar quedas expressivas. Além disso, o alto custo dos fertilizantes, em função da crise energética na China, é um fator a ser acompanhado, podendo impactar a agricultura brasileira.

Cabe atenção à baixa disponibilidade de milho no primeiro trimestre, que é um fator de alta sobre os preços do cereal nos primeiros meses de 2022. Se confirmadas as estimativas iniciais de aumento na área semeada na segunda safra em 2021/22 e o clima colaborar para uma boa produtividade, a tendência é de preços pressionados para baixo no segundo trimestre e no começo do terceiro trimestre de 2022.

Para o boi gordo e reposição, a expectativa é de preços firmes, mas com um cenário mais calmo que em 2021, em função da possibilidade de aumento na oferta de fêmeas para abate, devido ao momento do ciclo pecuário, o que possibilita melhoras na margem do produtor.

O mesmo cenário é demonstrado para o leite. Caso a demanda melhore em função do avanço da vacinação contra a Covid-19 e da economia menos fragilizada, há espaço para altas nos preços do leite pago ao produtor, com o cenário ajustado em relação à oferta de leite cru (vide volumes mensais em 2021, no comparativo ano a ano).

Em resumo, o cenário é otimista em relação ao custo de produção, mas cabe planejamento e ferramentas de proteção de preços dos insumos para que não ocorram “surpresas” com a volatilidade do mercado.

Sophia Honigmann – médica-veterinária
Scot Consultoria

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