Exportação brasileira de carnes em 2021 e expectativas para 2022

A demanda seguirá firme para o setor de proteína animal?

O papel das exportações de carnes brasileiras é notório. Em 2020, ano marcado por recordes nos embarques de carne bovina e suína, o Brasil foi responsável por 22,4%, 29,7% e 9,4% das exportações mundiais de carne bovina, suína e de frango, respectivamente (USDA).

As expectativas para as exportações brasileiras de carnes em 2021 eram positivas, sob influência de uma boa demanda no mercado chinês.

Ao longo do ano, notícias sobre a retomada do plantel de suínos na China e casos de encefalopatia espongiforme bovina (EEB) atípicos no Brasil colocaram um sinal amarelo aos embarques.

Afinal, como está o desempenho das exportações até aqui e quais são as expectativas para o ano de 2022?

Carne bovina

O ritmo dos embarques em 2021 esteve firme até setembro (Figura 1), quando as exportações foram suspensas à China após a confirmação de dois casos atípicos de “vaca louca”.

Figuras 1.
Exportações brasileiras de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, por mês ao longo de 2021, em mil toneladas, e anual, em milhões de toneladas.

*estimativa
Fonte: MDIC / Elaboração: Scot Consultoria

Com a suspensão, os embarques mensais caíram pela metade e a expectativa de recorde ficou para trás. No acumulado de 2021, foi embarcado 1,43 milhão de toneladas de carne bovina in natura, volume 9,4% menor que o acumulado em 2020.

Em dezembro, até a segunda semana do mês, ainda sem a retomada das compras de seu principal parceiro comercial, o ritmo seguiu paulatino para a mercadoria brasileira. Apesar do término do bloqueio chinês à carne brasileira em 15 de dezembro, o cenário exportador não deverá trazer grandes incrementos à exportação ainda este ano.

Foram exportadas 4,7 mil toneladas por dia, e, no atual cenário, devemos encerrar 2021 com 1,53 milhão de toneladas embarcadas.

Apesar de abaixo do registrado em 2020, o volume deverá ser o terceiro melhor da história brasileira. Destaque positivo também para o preço por tonelada embarcada, que cresceu 19,3% em 2021, estimado em US$5,13 mil.

Acompanhando o bom preço e o bom ritmo dos embarques, mesmo que menor na comparação anual, o faturamento com as exportações de carne bovina in natura deverá superar os US$ 7,4 bilhões faturados pelo setor na temporada passada.

A expectativa inicial para 2022 é de que as exportações brasileiras de carne bovina cresçam 3,1% (USDA).

Carne suína

Sob influência da demanda chinesa, as exportações brasileiras de carne suína in natura quebraram recorde em 2020.

Em 2021, apesar da retomada da produção na China, com crescimento no rebanho de matrizes e da produção de carne (USDA), a produção ainda está longe do período pré peste suína africana (PSA), fato que manteve o cenário positivo às exportações brasileiras.

Com panorama semelhante à carne bovina, o ritmo dos embarques brasileiros esteve firme até setembro/21 (Figura 2), com uma demanda mais compassada típica dos últimos meses do ano pelo mercado externo.

No acumulado de 2021, foram embarcadas 935,4 mil toneladas de carne suína in natura, volume 12,9% maior que o acumulado em 2020.

Figuras 2.
Exportações brasileiras de carne suína fresca, refrigerada ou congelada, por mês ao longo de 2021 e anual, em mil toneladas.

*estimativa
Fonte: MDIC / Elaboração: Scot Consultoria

Apesar do ritmo atual, o volume exportado até novembro/21 foi recorde. Em dezembro, até a segunda semana do mês, foram exportadas 4,7 mil toneladas por dia, e, no atual cenário, devemos encerrar 2021 com 1,01 milhão de toneladas embarcadas.

Apesar do recorde, o destaque negativo fica para o preço por tonelada embarcada, que durante o segundo semestre trabalha em patamares menores quando comparado a iguais períodos em 2020, em meio a um cenário de renegociação de preços com os principais compradores.

Apesar do recuo recente nos preços, o preço médio pago por tonelada no acumulado de 2021 aumentou 4,9% na comparação anual, com o produto negociado a US$ 2,45 mil.

Acompanhando o preço e o bom ritmo dos embarques, o faturamento com as exportações de carne suína in natura já supera os US$ 2,1 bilhões faturados pelo setor na temporada passada.

Para 2022, o cenário exportador deverá seguir positivo para o setor, com expectativa de crescimento de 6,6% (USDA), puxado pelo surgimento de casos de PSA em outros países e abertura de novos mercados.

Carne de aves

Com grande diversificação de mercados e também devido à demanda chinesa, as exportações de carne de aves tiveram bom desempenho em 2020, acompanhando o ritmo dos últimos anos.

Em 2021, o panorama foi positivo para o setor e as exportações foram destaque.

No acumulado de 2021, foram embarcadas 3,86 milhões de toneladas de carne de aves, volume 7,7% maior que o acumulado em 2020 (Figura 3).

Figura 3.
Exportações brasileiras de carne de aves e suas miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas, por mês ao longo de 2021, em mil toneladas, e anual, em milhões de toneladas.

*estimativa
Fonte: MDIC / Elaboração: Scot Consultoria

Em dezembro, até a segunda semana do mês, foram exportadas 15,05 mil toneladas por dia, e, no atual cenário, devemos encerrar 2021 com 4,16 milhões de toneladas embarcadas. O volume deverá ser recorde para o setor.

O preço médio pago por tonelada no acumulado em 2021 aumentou 15,6%, negociada a US$ 1,63 mil.

Puxado pelo preço maior e pelo ritmo firme dos embarques, o faturamento com a categoria supera os US$ 5,6 bilhões da temporada passada, com US$ 6,3 bilhões faturados em 2021.

O cenário exportador firme deverá seguir em 2022 para o setor, com expectativa de crescimento de 3,2% (USDA), com destaque para a abertura de novos mercados pelo setor brasileiro.

Felipe Fabbri – zootecnista, me.
Scot Consultoria

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