Exportação de carne bovina de vento em popa

Cenários distintos entre praças que possuem ou não frigoríficos habilitados à exportação.

O preço da arroba do boi gordo nas praças paulistas parece ter encontrado um equilíbrio entre compradores e vendedores, pautado na oferta de boiadas terminadas escassa e exportações firmes, com isso, a cotação pouco variou desde a segunda quinzena de janeiro.

O ágio para animais jovens destinados à exportação variou entre R$10,00 a R$15,00 por arroba, desde o início do ano, nas praças pecuárias paulistas.

Nas praças pecuárias em que a presença de praças exportadoras é menor, o consumo doméstico compassado e o incremento na oferta em meio à safra do capim, resultam em queda nas cotações do boi gordo e um aumento no diferencial de base entre as praças pecuárias.

Figura 1.
Evolução dos preços do boi gordo em São Paulo (eixo da esquerda) e a média brasileira (eixo da direita) no acumulado de 2022, em R$/@, a prazo, livre de impostos.

Fonte: Scot Consultoria

O consumo de carne bovina está entre os menores patamares dos últimos anos e, em 2022, até o momento, o cenário segue lento, apesar do movimento de consumo sazonalmente menor nos primeiros meses. Fatores como o elevado preço da carne bovina, recuperação da economia frente à pandemia e elevada taxa de desemprego agravam o cenário.

De olho no consumo doméstico, no mercado atacadista de carne bovina os cortes de traseiro, mais demandados no mercado doméstico, caíram 4,1% na comparação entre fevereiro com a média de janeiro.

Por outro lado, a exportação em bom ritmo desde o fim do embargo à China, em 15/12, tem dado firmeza nas cotações dos cortes de dianteiro, que subiram 0,6% no mesmo período.

A expectativa de manutenção do ritmo firme para as exportações deverá sustentar os preços para os cortes de dianteiro em março de 2022. Atenção ao avanço da safra de capim, com maior oferta de gado e consequente incremento na oferta de carne, que poderá pressionar as cotações.

Expectativas de novos recordes nas exportações de carne bovina 

O Brasil exportou, em janeiro de 2022,  um volume recorde para o mês: 140,54 mil toneladas de carne bovina, quantidade 30,9% maior que janeiro de 2021, quando foram exportadas 107 mil toneladas.

No mês , a China manteve-se como principal importadora da carne bovina brasileira, participando em 45% no faturamento total. Os Estados Unidos e o Egito aumentaram a sua participação no faturamento, representando 11% e 9,6%, respectivamente, diante da participação de 5,8% e 3,4% durante o ano de 2021.
 
Até a terceira semana de fevereiro, o volume médio diário exportado foi de 7,89 mil toneladas, representando um aumento de 39,1% em comparação com fevereiro do ano passado. O volume exportado no acumulado de fevereiro é de 110,48 mil toneladas, 8 mil toneladas a mais que o volume total exportado em fevereiro de 2021.

O bom ritmo da importação chinesa após a retomada das negociações, faz com que a expectativa da quantidade exportada no mês supere o recorde histórico de 115 mil toneladas embarcadas, em fevereiro de 2019.

A expectativa para março de 2022, é que o volume exportado se mantenha em patamares elevados, tendo a China como nosso maior cliente.

Mercado de reposição

O clima e o aumento da oferta de gado jovem (bezerros) foram os responsáveis pela queda nas cotações de todas as categorias em comparação entre as médias de preços de janeiro e fevereiro.

De um lado, a escassez de chuvas em algumas regiões tem reduzido a capacidade de suporte das pastagens, por outro lado, o excesso de chuvas tem dificultado a logística.

A escassez de chuvas na região Sul do país ainda é recorrente, situação que vem ocorrendo desde dezembro, afetando a qualidade nutricional das pastagens e sua capacidade de suporte, reduzindo o volume de negociações na região.

Já o excesso de chuvas em alguns estados, como no Tocantins, no início da segunda quinzena de fevereiro, resultou em um aumento na oferta de animais de reposição e, consequentemente, os preços baixaram.

Figura 2.
Variações dos preços médios das categorias de bovinos anelorados em fevereiro, comparados a janeiro, em todas as praças monitoradas pela Scot Consultoria.

Fonte: Scot Consultoria

A proximidade com o primeiro giro de confinamento e os preços, mesmo que pressionados em algumas regiões, ainda atrativos para o boi gordo, sustentaram as cotações dos bovinos para reposição em São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Expectativas para o mercado do boi e reposição em março

O bom ritmo visto nas exportações,nos primeiros meses de 2022 deve se manter para março. Com isso, a demanda por animais jovens aptos a serem exportados para a China deve se manter elevada, dando sustentação às cotações do boi gordo nas praças pecuárias exportadoras e mantendo o ágio firme.

Por outro lado, o aumento na oferta de animais terminados em pasto pode pesar nas cotações na maior parte das praças pecuárias.

Para os animais de reposição, com o aumento da oferta conforme avança a safra de capim, o cenário colabora para que os preços se mantenham pressionados. Mas a demanda firme por bois jovens terminados resulta em maior procura e altas nas cotações não estão descartadas.

Raphael Poiani – zootecnista
Scot Consultoria

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