Fim do negócio da China no mercado de carnes?

Após alguns anos de destaque absoluto da China, a expectativa é de que a produção de carne suína do país aumente em 2021, mas isso será suficiente para esfriar o mercado global de proteínas?

Não é segredo que a China tem sido o vetor das valorizações nos diversos mercados de carnes após o surto de peste suína africana, iniciado em 2018, afetando fortemente a produção do país, que é o maior produtor e representava 47,8% da produção global naquele ano, segundo o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Entre 2018 e 2020, a produção de carne suína chinesa caiu 29,7%, passando de 54 para 38 milhões de toneladas equivalente carcaça, uma redução de 16 milhões de toneladas.

A título de comparação, apenas a queda de produção citada (16 milhões de toneladas) já é maior que a produção brasileira de carne bovina e suína, somadas, em 2020. Segundo o USDA, a produção brasileira de carne bovina foi de 10,1 milhões de toneladas e a de carne suína foi de 4,1 milhões de toneladas.

Figura 1.
Variações anuais da produção de carnes na China.

* projeções
Fonte: USDA/Elaboração Scot Consultoria

Observe que a produção de carne de frango registrou aumentos importantes em 2019 e 2020, e a expectativa é de manutenção da tendência para 2021. A carne suína, como comentamos, teve quedas fortes com a pandemia, em 2019 e 2020, mas para 2021 o USDA projeta o início da recuperação, com aumento anual de 9,2%.

Ainda assim, a produção de carne suína chinesa em 2021 deve ser 23,2% abaixo da observada em 2018. Em nível global, a expectativa do USDA é de aumento de 4,4% na produção de carne suína em comparação com 2020.

Para as carnes bovinas e de frango, os aumentos projetados na produção mundial são de 1,7% e 2,1%, respectivamente.

O apetite chinês por proteínas

Com a queda da produção nos últimos anos, a China aumentou muito as compras das diversas proteínas desde 2018, além de focar esforços na produção de carne de frango, enquanto começava a reestruturação da cadeia de carne suína.

Para ilustrar, o país respondeu por 54% do faturamento brasileiro com exportações de carne bovina in natura em 2020. Para as carnes suína e de frango, o país também foi o principal destino, com participações de 58% e 23%, respectivamente, na receita brasileira com cada proteína. 

Leia também: China: o maior importador de carne bovina brasileira

No entanto, como a expectativa é de aumento na produção das três proteínas em 2021, com um acréscimo importante da carne suína, o cenário deve ser mais comedido no que diz respeito às compras do gigante neste ano. A figura 2 mostra as variações anuais das importações de carnes da China e as projeções para 2021.

Figura 2.
Variações anuais da importação de carnes na China.

* projeções
Fonte: USDA / Elaboração Scot Consultoria

O USDA espera recuos em torno de 6% nas compras chinesas de carne de frango e suína em 2021, enquanto projeta ainda um aumento de 3,6% no volume de carne bovina importado.

Aqui cabe um destaque importante, que foram as fortes altas nas compras em 2019 e 2020. Ou seja, mesmo com recuos anuais, os patamares projetados ainda são 170,5% e 208,9% maiores que as compras em 2018 para a carne de frango e suína, respectivamente.

Para a carne bovina, o volume de compras projetado é 108,2% maior que a aquisição do país em 2018.

Leia Mais: Um olho no porco da China e outro no boi do Brasil

Considerações finais

A China tem focado esforços e evoluído no sentido de diminuir a dependência das aquisição de proteínas dos últimos anos, mas mesmo com recuos para importações de algumas proteínas, o país deve continuar como protagonista nas compras.

De toda forma, é razoável esperar que este apetite se acalme ao longo dos próximos anos, mas, ao que tudo indica, isso não ocorrerá em 2021.

Hyberville Neto – médico veterinário, msc.
Scot Consultoria

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