Final da safra de capim

Apesar do arrefecimento no mercado físico do boi gordo, as exportações trabalharam firmes.

Na primeira quinzena de abril, o avanço da safra de capim e a aproximação da entressafra, somados aos elevados custos com a suplementação e maior oferta de fêmeas, aumentaram a oferta de animais terminados, fato que permitiu escalas mais confortáveis na ponta compradora e, assim, a pressão de baixa tomou corpo nas praças pecuárias. Além do aumento da oferta, a valorização do real frente ao dólar no primeiro quadrimestre do ano passou a pressionar a margem das indústrias exportadoras, encorpando ainda mais a pressão de baixa na ponta compradora.

Somado a esse cenário, vimos a China, nosso principal parceiro, suspender as compras de carne bovina de algumas importantes unidades frigoríficas no país, intensificando o movimento de baixa.

Ainda no gigante asiático, o lockdown em importantes cidades ligou o sinal de alerta da ponta compradora, devido a possíveis impactos nas exportações de carne bovina ao país, já que o giro logístico deve ser impactado.

Na segunda quinzena de abril, houve um aumento na entrada de gado no primeiro giro de confinamento, como alternativa para driblar a baixa disponibilidade de pastagem.

Assim, nesse período, um maior equilíbrio entre a oferta e a demanda de animais terminados passou a vigorar no mercado e, nas praças paulistas, o cenário foi de estabilidade até a virada do mês. Veja na figura 1.

Figura 1.
Evolução dos preços do boi gordo em São Paulo e a média brasileira em abril de 2022, em R$/@, a prazo, livre de impostos.

Fonte: Scot Consultoria

Esse cenário, somado aos preços altos da carne brasileira no país, pode continuar exercendo uma pressão de baixa no mercado.

Arroba em dólar

A manutenção da arroba do boi gordo em patamares firmes no primeiro trimestre (janeiro-março) e em boa parte de abril, juntamente com a desvalorização do dólar frente ao real, proporcionou que a cotação da arroba bovina em dólar atingisse o maior patamar desde 2010 e, em 4/4/22, chegou a US$69,73 (figura 2).

Figura 2.
Evolução dos preços do boi gordo, referência São Paulo, em dólar, nos últimos anos.

Fonte: Scot Consultoria

A alta tornou-se um ponto de atenção, uma vez que o produto brasileiro passou a perder competitividade no mercado frente aos seus principais concorrentes no mercado internacional, como Argentina, Uruguai, Paraguai e Estados Unidos.

Figura 3.
Cotação da arroba de boi gordo, em dólar, no Brasil, referência São Paulo e em países concorrentes.

Fonte: Scot Consultoria

Recordes nas exportações de carne bovina

O Brasil exportou, em março de 2022, 169,40 mil toneladas, volume 26,6% maior frente ao mesmo período do ano passado, recorde para o mês.

Em abril, até a quarta semana, o volume médio diário exportado foi de 8,53 mil toneladas, aumento de 36,0% na comparação com abril/21, resultando, até o momento, no total de 119,44 mil toneladas. Com isso, estamos caminhando para um novo recorde mensal.

Expectativas para o mercado do boi gordo

Os bons volumes de carne bovina in natura exportados no primeiro trimestre de 2022 devem continuar em abril. Para maio, as expectativas seguem otimistas, com atenção às medidas sanitárias chinesas.

A maior oferta de boiadas aproxima-se do fim,  e a expectativa é de preços firmes em curto e médio prazo, com a entressafra e a lacuna na oferta de gado para abate até a chegada dos primeiros lotes de bovinos de confinamento. 

Raphael Poiani – zootecnista
Scot Consultoria

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