Foram abatidos mais de 13 milhões de bovinos no Brasil no 1º semestre de 2021

Considerando somente as fêmeas, o recuo foi de 17,3% no número de animais abatidos na primeira metade deste ano, em comparação a 2020, corroborando com o cenário de retenção de fêmeas.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, em setembro, os dados consolidados de abates de bovinos no Brasil no segundo trimestre de 2021.

Os números referem-se aos abates com inspeção municipal, estadual ou federal.

Segundo o IBGE, entre abril e junho deste ano, foram abatidos 7,075 milhões de bovinos no país, uma queda de 4,4% em relação ao mesmo período de 2020. Foi o menor volume para o segundo trimestre desde 2011.

Desses animais, 4,487 milhões de cabeças, ou 63,4% do total, eram machos, e 2,588 milhões de cabeças (36,6%), fêmeas.

Considerando somente as categorias de machos (bois e novilhos), houve aumento médio de 0,4% nos abates este ano. Por outro lado, os abates de fêmeas (vacas e novilhas) caíram 11,7%, em média, no período analisado. Veja a figura 1.

Figura 1.
Variação nos abates de bovinos no Brasil no segundo trimestre de 2021, frente ao segundo trimestre de 2020, em porcentagem.

Fonte: IBGE / Elaborado por: Scot Consultoria

Com isso, no acumulado do primeiro semestre deste ano, foram abatidas 13,663 milhões de cabeças de bovinos no país, uma queda de 7,3% na comparação com o primeiro semestre de 2020.

Nesse período, os abates de machos recuaram ligeiramente, 0,3%, na comparação anual, enquanto o número de fêmeas abatidas caiu 17,3%.

Retenção de fêmeas

O cenário de retenção de fêmeas, iniciado em 2019, é uma das causas desse movimento de queda na quantidade de fêmeas abatidas no Brasil.

Isso porque os preços dos animais de reposição em alta melhoram o resultado da cria (produção de bezerros) e estimularam o investimento na atividade, o que passa pela retenção de vacas e novilhas para a produção de bezerros (matrizes).

Para uma comparação, no primeiro semestre de 2018, a participação de fêmeas nos abates totais foi de 45,5% e, na primeira metade de 2020 e deste ano, caiu para 41,1% e 36,7%, respectivamente (figura 2).

Figura 2.
Evolução da participação de fêmeas (vacas e novilhas) nos abates totais de bovinos no Brasil, em porcentagem, considerando o primeiro semestre de cada ano, entre 2008 e 2021.

Fonte: IBGE / Elaborado por: Scot Consultoria

Essa menor participação de fêmeas nos abates colaborou com a sustentação dos preços da arroba do boi gordo no primeiro semestre deste ano. Veja, neste artigo, o comportamento de preços da arroba em anos de retenção de fêmeas.

Produção de carne

Apesar da redução de 7,3% nos abates de bovinos no primeiro semestre de 2021, a produção brasileira de carne bovina não diminuiu na mesma intensidade. No período, foram produzidas 3,60 milhões de toneladas de carcaças, 4,4% menos em comparação com o mesmo intervalo de 2020.

Isso se deve ao aumento do peso médio de carcaça. Considerando a média dos bovinos abatidos, o peso de carcaça no semestre foi de 17,6@ (263,5kg de carcaça), um incremento de 3,2%, na comparação com o peso médio no primeiro semestre de 2020.   

O peso médio de machos foi de 19,5@, o que representa um aumento de 1,5% na comparação com a média da primeira metade de 2020. Para as fêmeas, o peso médio aumentou 2,4%, atingindo 14,3@ no primeiro semestre deste ano.

O aumento no peso médio das carcaças de bovinos no país é reflexo da aplicação crescente de tecnologia na atividade (nutrição, genética, sanidade, etc.), além da participação menor de fêmeas nos abates, ou seja, houve uma maior participação da categoria mais pesada (machos), o que reforçou o incremento da média geral.

Rafael Ribeiro de Lima Filho – zootecnista, msc.
Scot Consultoria

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